1917
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Gerson R.
Gerson R.

83 seguidores 101 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 21 de janeiro de 2020
Existem filmes com grandes histórias contados de maneiras pouco atraentes; e existem aqueles filmes com histórias medíocres ou simples demais contadas de formas incríveis – nessa segunda categoria, eu colocaria trabalhos como Amnésia de Christopher Nolan ou até mesmo o filme de estreia de Steven Spielberg, Encurralado, como bons exemplos. E este novo trabalho do britânico Sam Mendes (de Beleza Americana e os dois últimos filmes de James Bond) se enquadra nesta última categoria – 1917 é, realmente, um filme de guerra com uma história bem convencional – mas o que garante seu brilho é justamente a maneira como é filmado – é um feliz exemplo de como algumas decisões estéticas e técnicas fazem a diferença para se contar uma história.

Mesmo utilizando um recurso não novo, como é o caso da filmagem toda em apenas uma tomada, sem cortes – é valido lembrar que o mestre do suspense Alfred Hitchcock já tinha feito algo assim em seu clássico Festim Diabólico, de 1948 – na verdade, assim como na obra citada acima, Mendes utiliza algumas trucagens e travellings para disfarçar os poucos cortes – mas nada disso tira o mérito desta decisão de concepção visual, que realmente auxilia o espectador a se sentir tenso como os personagens em tela, como se fosse um passo a passo, em tempo praticamente real, da jornada dos dois personagens principais.

Baseado em histórias que seu avó (que realmente lutou na guerra) lhe contou, o roteiro escrito pelo próprio diretor em parceria com Krysty Wilson-Cairns não é inteiramente baseado em fatos reais – todos os personagens são fictícios, na verdade – Mendes apenas se baseia em uma história parecida que seu avó lhe contou sobre um mensageiro – sendo assim, o longa nos apresenta aos soldados Schofield (MacKay) e Blake (Chapman), em abril de 1917, penúltimo ano da Primeira Guerra Mundial – ambos integrantes do exercito britânico, em batalhão próximo da fronteira com a inimiga Alemanha. O general do grupo (Firth) dá uma missão quase impossível aos dois: atravessar o campo de batalha a frente, a fim de enviar uma mensagem cancelando um ataque que seria feito por outro batalhão britânico em 24 horas, já que a recuada do inimigo se mostra como uma armadilha – além de precisarem andar por quilômetros de distância em lugares perigosos, com inimigos a espreita, a missão se torna ainda mais urgente para Blake, já que seu irmão está no batalhão que precisa ser avisado – e, caso fracassem, além de seu irmão, outros 1600 homens podem perder a vida.

É bom ressaltar que a decisão de filmar o longa como se fosse em uma tomada só não é um mero modo de se exibir tecnicamente – pelo contrario, dá muito folego e tensão a caminhada de Schofield e Blake, em corretas caracterizações de George MacKay e Dean Charles-Chapman – com o primeiro passando bem sua falta de ambição na vida, devido a frieza que adquiriu pelo tempo estando nos campos de batalha – ele parece não se importar mais com a família ou até mesmo pelas condecorações que recebeu por coragem antes; enquanto que o segundo precisa se conter para não demonstrar que está emocionalmente abalado por precisar correr contra o tempo para salvar a vida do irmão – como o filme não utiliza-se de cortes para mostrar os diálogos, Mendes tem tempo para desenvolver estas coisas através de sutis falas entre os dois, que mostram suas personalidades, mesmo que rapidamente, mas suficientes para nos identificarmos com eles.

Embora isso seja bem retratado, ainda assim, não é foco principal de 1917 – e mesmo que Sam Mendes queira expor o lado sem sentido de lutar na guerra – e isso não é algo novo também – o que realmente torna o filme fácil de ser seguido é o desenvolvimento da ação – como disse antes, a impressão é realmente de que estamos vendo tudo em tempo real, portanto, tudo se torna mais autentico e até realista – mas, convenhamos que isso não é um mérito do diretor – na verdade, o responsável por tudo isso funcionar lindamente em tela é o mestre diretor de fotografia Roger Deakins.

O cinematografo responsável pela fotografia de filmes como Um Sonho de Liberdade, Fargo e Blade Runner 2049, cumpre com esmero uma tarefa realmente difícil – pois pense que um filme com tomadas normais, ou seja, com vários cortes que duram alguns segundos às vezes, já seria algo complexo iluminar e enquadrar imagens abertas ao ar livre – em 1917, a maioria das cenas duram até 15 minutos – creio que essa é a média de tempo entre os “cortes disfarçados” – e como a câmera gira em 360° é impossível utilizar canhões iluminadores – se torna complicado até mesmo esconder microfones e outros utensílios da produção – outra proeza, por exemplo, é quando a câmera está a céu aberto, com imagens claras, e em seguida entra em locais fechados, como o interior de uma trincheira, iluminada a luz de velas – ou em como acompanha um personagem fugindo de um inimigo até encontrar outro nos escombros de uma construção e, sem cortes, mostrar apenas suas sombras duelando (sem desfoques de imagem, é claro) – além de uma cena que, provavelmente, será a mais lembrada de todas, que mostra o personagem de George MacKay correndo na frente das trincheiras, enquanto os demais soldados correm para outro lado – ponto realmente emocionante do filme – mas, eu ainda classificaria como uma verdade obra de arte o jogo de sombras que Deakins proporciona com as luzes de bombas e fogos durante a noite, formando assustadoras sombras com os escombros de uma bombardeada cidade – “pintura em movimento”, foi o que pensei quando vi.

Mas, evidentemente, quem também ajuda Deakins nisso é a equipe de efeitos especiais e de maquiagem – pois veja outra dificuldade para isso com a filmagem sem cortes – como maquiar um ator de uma hora pra outra, sem parar a filmagem para inserir sangue em suas mãos e roupas, por exemplo – a resposta vem do uso acertado de discretos efeitos especiais, praticamente imperceptíveis, que dão ainda mais urgência as cenas – a cena do avião caindo no campo é um exemplo disso – além dos efeitos que escondem bem os cortes – como quando Schofield pega uma carona em um caminhão aliado – minha única ressalva é um momento onde um certo personagem precisa dar um salto um pouco mais exagerado e o uso do CGI fica evidente – mas nada que anule a tensão que a missão dos dois soldados proporciona – e palmas também vão para o design de produção, que recria com perfeição os muitos metros dos campos de batalha – sem CGI – detalhando as trincheiras, campos destruídos e cheios de lama, proporcionando ainda mais realismo as sequências.

Ajudado por uma discreta trilha-sonora de Thomas Newman (tensa quando precisa ser e evocando emoção na hora certa), a produção ainda conta com ótimas pequenas participações de seus atores coadjuvantes – interpretando superiores dos dois personagens principais, Colin Firth, Mark Strong e Benedict Cumberbatch – e jamais deixa o tom patriótico tomar conta, como a maioria dos filmes de guerra de Hollywood costumam fazer – aliás, é bastante interessante o fato do filme quase não mostrar os inimigos – e, nas poucas vezes que mostra, fica evidente como o diretor não os demoniza, preferindo mostra-los apenas como pessoas que também lutavam por suas vidas em um conflito gerado por figuras que nem sequer pisavam no campo de batalha – Mendes insinua esta critica quando um arrogante militar aparece dando ordens sentado em seu confortável carro numa estrada.

Um trabalho que merece respeito pelo esforço de toda sua equipe, realmente – que, apesar de não ser marcante apenas por sua trama em si, é um conjunto muito bem feito de técnicas que proporcionam uma imersão real e angustiante do que seria percorrer quilômetros de distância de um campo de batalha na Primeira Guerra Mundial – e 1917 já pode ser dito como uma das melhores experiências do cinema em retratar este terrível conflito.
anônimo
Um visitante
4,0
Enviada em 7 de fevereiro de 2020
Imersivo, acelerado, e emocionalmente impactante, 1917 vai além das conhecidas convenções de seu tão explorado gênero e consegue ser um entretenimento informativo e envolvente que transcende eventuais preferências do público médio. Um empreendimento técnico ambicioso, este drama de guerra tocante conta ainda com um roteiro conciso que não perde tempo com exposições desnecessárias de personagens, em um enredo sem tramas paralelas que poderiam desviar o foco da proposta central. O elenco, liderado por dois atores pouco conhecidos(até agora), é nada menos que ótimo, com destaque para o jovem George MacKay. A fotografia é excepcional, como não poderia deixar de ser, tendo em vista quem é responsável por ela : Roger Dickens. Este talvez seja o melhor trabalho de direção de Sam Mendes(que teve como inspiração para o longa as histórias de seu avô, veterano da Primeira Guerra), merecedor de todos os prêmios que está levando. Apesar de Parasita ser o meu favorito entre os indicados à Melhor Filme esse ano, não vou me importar de ver esta bela obra cinematográfica saindo vitoriosa da cerimônia. Podia ser melhor, tem alguns deslizes aqui e ali que atrapalham um pouco, mas nada muito sério, que atrapalhe o impressionante conjunto. Vale muito apena ver no cinema!
Carlos Castro
Carlos Castro

989 seguidores 339 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 30 de janeiro de 2020
1917 não é somente um desafio estético, como tive de ler em algumas críticas firulentas na internet. Os planos-sequencia são justificadissimos ao fazer com o que o espectador acompanhe em tempo real e se sinta imerso em uma situação em que os soldados estavam. O trabalho do diretor é admirável por conseguir transmitir a ansiedade, a aflição, a dor e o cansaço para quem assiste o filme e sua habilidade técnica é de cair o queixo.
Concordo que a história seja bem simples, mas se a intenção é narrar um breve período de horas, uma abordagem sobre o sentido da vida, o universo e tudo o mais, se torna desnecessária.
Nem todo filme precisa passar uma grande lição de vida, mas por trás do arrojo técnico de 1917, há muito o que ser dito sobre persistência, aceitação e dignidade.
Iracema J
Iracema J

9 seguidores 48 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 20 de fevereiro de 2020
Mais um Resgate do Soldado Ryan? É a pergunta que fazemos logo que a base do argumento é exposto. Aliás nos primeiros 10 minutos de projeção é tentadora a vontade de abandonar o filme. Imagina passar boa parte do tempo dentro de uma trincheira andando junto com os personagens principais em plano sequência com travelling para a frente e para trás? A sensação não é das melhores principalmente quando nos deparamos com atuações que deveriam ser mais naturalísticas e vislumbramos apenas carga de heroísmo teatral. O escopo do filme parece ter sido feito com base em algum game de guerra em 3d. Primeiro os personagens aparecem na trincheira e recebem uma missão, depois desse prefácio terão que caminhar por uma extensa área onde verão... O filme não é ruim, longe disso, aliás ele vai ficando tão interessante com o tempo de projeção que toda essa experiência de guerra começa a ser bela e original. Não é o tipo de filme que glamourisa a guerra. Mostra que as vezes uma ação não leva a nada e outras dependem de fatores tão complexos que no final todo trabalho pode ser resumido nos cadáveres mutilados que aparecem na medida que os personagens caminham. A câmera aliás os acompanham sempre, e o cansaço deles também é o nosso. Vencedor do Globo de ouro de melhor filme e de 3 Oscars técnicos, fotografia, mixagem de som e efeitos visuais, todos merecidos. A fotografia do premiado Roger Deakins é uma preciosidade possui variações constantes e cria quadros de horror e beleza, em algumas cenas soa onírica. Os efeitos especiais são bem elaborados e servem ao roteiro e não o contrário. Direção segura de Sam Mendes. Já as atuações variam de qualidade, embora Schofield (George MacKay) e Blake (Dean-Charles Chapman) melhorem suas atuações à medida que o filme transcorre. O final deixa reflexões! Bonito filme.
Wanderreis
Wanderreis

2 seguidores 10 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de janeiro de 2020
O filme seria perfeito se não fosse quase uma cópia de "O Resgate do Soldado Ryan":

Sinopses:

"Soldados em missão importantíssima, com cenas ultrarrealistas de guerra".
Jackson A L
Jackson A L

13.703 seguidores 1.243 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 6 de maio de 2020
É um filme muito bonito, tanto pela fotografia quanto aos efeitos visuais. O plano-sequência é uma obra-prima, merecedor de Oscar, como de fato, ocorreu. A sensação é de estar em campo participando também da missão. Gostei muito do "desespero visual" e angustiante da chamada "terra de ninguém"!!
Dennys R
Dennys R

45 seguidores 198 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 3 de março de 2020
O mais impressionante nesse filme é a qualidade de imagens e a forma de filmagem super realista, onde as cenas são longas e sem cortes, provavelmente foi um filme difícil de produzir, não só pelos aspectos que citei, mas também por ser baseado em fatos reais, essa mistura com ficção não é uma tarefa fácil e 1917 conseguiu realizar esse feito com maestria.
Nelson Jr
Nelson Jr

24 seguidores 235 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 18 de julho de 2022
Um filme tecnicamente perfeito! .. direção primorosa! direção de arte fantástica!.., o manejo das câmeras em plano sequência , de frente ao ator é muito original .., baseado na história do avô do diretor , retrata bem a imprevisibilidade de uma guerra.., o roteiro é simplório , nada de novo., muito bom elenco! ., mas o filme é uma grande experiência cinematográfica, que merece ser visto no cinema , pela qualidade de som e imagem.
Mauro A
Mauro A

16 seguidores 99 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 23 de janeiro de 2020
O filme é narrado em dois planos apenas, o que não é novidade, já vimos tal em "Festim Diabólico" e "Bird-Man". Mas, esta maneira de contar o filme nos joga num suspense fenomenal e até impressiona pelas posições de câmera, algo ocorrendo em primeiro plano e outra desventura em segundo plano. Impressiona esta jogada de câmera, você pode tirar a prova no making off do filme: https://www.youtube.com/watch?v=3hSjs2hBa94, e interessante quando, ao mesmo tempo em que há uma cena em PAM geral, dali a menos de um segundo esta vai para um close. A história em si não tem nada de mirabolante, faz lembrar um pouco o conto "Mensagem para Garcia", onde nada tinha a ver com o heroísmo do personagem, ao contrário constituía-se em uma pesada admoestação aos trabalhadores para obedecer à autoridade e a devotar-se ao trabalho acima de qualquer outra coisa. O filme é candidato ao Oscar e creio que tem tudo para ganhar, somando-se a interpretação dos atores, a cenografia, a iluminação, o vestuário, etc. Vale a pena assistir e também torcer para que ele vença como melhor filme, diante de tanta porcaria que eu já vi levar a estatueta de ouro sem merecer.
anônimo
Um visitante
4,5
Enviada em 29 de janeiro de 2025
O filme 1917, dirigido por Sam Mendes, é uma das obras cinematográficas mais impressionantes da última década dentro do gênero de guerra. A produção se destaca pelo seu estilo inovador de filmagem, com a impressão de ser um plano-sequência contínuo, o que aumenta a imersão do espectador na brutalidade e na tensão da Primeira Guerra Mundial. A narrativa de 1917 é relativamente simples, mas sua execução a torna extraordinária. O filme acompanha dois jovens soldados britânicos, Blake e Schofield, que recebem a missão de atravessar território inimigo para entregar uma mensagem crucial que pode salvar 1.600 vidas, incluindo a do irmão de Blake. A estrutura da trama, que se desenrola em tempo real, contribui para uma experiência angustiante e visceral.

O roteiro evita os convencionalismos dos filmes de guerra mais tradicionais, como sequências de batalhas prolongadas ou grandes discursos patrióticos. Em vez disso, 1917 se concentra na jornada pessoal e nas provações dos protagonistas, destacando o horror da guerra através da tensão psicológica e dos desafios físicos que enfrentam. A simplicidade da história, no entanto, pode ser vista como uma fraqueza por alguns espectadores, pois carece de subtramas mais complexas ou desenvolvimentos narrativos profundos.

George MacKay e Dean-Charles Chapman carregam o filme quase que inteiramente sozinhos, o que exige um nível excepcional de entrega e comprometimento. MacKay, em particular, tem um desempenho notável ao retratar a exaustão, o desespero e a resiliência de Schofield. Seu olhar perdido e sua postura abatida, que se intensificam ao longo do filme, transmitem o peso da guerra de maneira autêntica e comovente.

Chapman, apesar de ter menos tempo de tela, também convence como Blake, exibindo uma ingenuidade e um senso de urgência emocional que tornam sua jornada ainda mais trágica. As pequenas participações de atores como Benedict Cumberbatch, Colin Firth e Mark Strong adicionam uma camada de credibilidade ao filme, mas são meramente pontuais e servem mais para reforçar a sensação de que Schofield está constantemente cruzando o caminho de figuras de autoridade.

A trilha sonora de Thomas Newman é outro elemento crucial na construção da atmosfera de 1917. Ao contrário de trilhas grandiosas que muitas vezes dominam os filmes de guerra, a música aqui é sutil e cuidadosamente inserida para maximizar o impacto emocional das cenas. Os momentos de silêncio são tão poderosos quanto as passagens sonoras, pois permitem que os ruídos ambientes da guerra—explosões distantes, passos apressados, respiração ofegante—sejam sentidos com intensidade.

Destaque para a faixa "The Night Window", que acompanha um dos momentos mais belos e melancólicos do filme, quando Schofield atravessa a cidade em ruínas iluminada por sinalizadores. A música cria um contraste entre a beleza visual da cena e o perigo iminente, evidenciando o impacto emocional que a guerra causa nos indivíduos.

A cinematografia de Roger Deakins é, sem dúvida, o grande trunfo de 1917. O filme foi concebido para parecer um plano-sequência contínuo, o que exige um grau excepcional de planejamento, coordenação e execução. Embora cortes invisíveis tenham sido usados para unir diferentes tomadas, a fluidez da câmera dá a impressão de que tudo acontece em tempo real, mergulhando o espectador na jornada angustiante dos personagens.

A movimentação da câmera é hipnotizante, variando entre planos fechados claustrofóbicos nas trincheiras e vastas panorâmicas dos campos de batalha devastados. As transições são incrivelmente suaves, tornando a experiência cinematográfica ainda mais imersiva. A cena do rio e a sequência da cidade em chamas são exemplos primorosos da maestria de Deakins, combinando iluminação magistral e uma coreografia impecável dos personagens e da câmera.

O roteiro, coescrito por Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns, é eficiente e focado, priorizando a jornada física e emocional dos protagonistas. No entanto, algumas escolhas narrativas foram criticadas, especialmente no que diz respeito à precisão histórica.

O filme opta por um realismo estilizado, sacrificando detalhes históricos para maximizar o impacto cinematográfico. Por exemplo, a ideia de dois soldados cruzando sozinhos o território inimigo para entregar uma mensagem crucial foi considerada improvável por historiadores militares, que apontam que uma missão desse porte provavelmente envolveria mais homens e apoio tático. Além disso, a inclusão de um soldado indiano no regimento britânico sem uma explicação adequada também gerou debates sobre autenticidade histórica.

Mesmo assim, a abordagem do roteiro permite que a narrativa flua sem distrações desnecessárias, criando uma experiência cinematográfica mais sensorial do que expositiva.

O final de 1917 é profundamente simbólico e anticlimático no melhor sentido da palavra. Após finalmente entregar a mensagem e impedir o ataque, Schofield encontra Joseph Blake e informa sobre a morte de seu irmão. O momento é contido e sem exageros melodramáticos, reforçando a ideia de que, na guerra, sacrifícios individuais muitas vezes passam despercebidos em meio ao caos e à brutalidade do conflito.

A última cena, com Schofield sentando-se sob uma árvore e revelando uma foto de sua família, traz um raro momento de introspecção e descanso, sugerindo que sua jornada não foi apenas física, mas também emocional e psicológica. O desfecho é coerente com o tom do filme, evitando grandes discursos e enfatizando o impacto humano da guerra.

1917 não é apenas um filme de guerra; é uma experiência cinematográfica visceral e imersiva que redefine a maneira como esse gênero pode ser explorado. A combinação de uma cinematografia inovadora, atuações envolventes, uma trilha sonora impactante e uma narrativa simples, mas eficaz, fazem dele uma obra-prima do cinema moderno.

Apesar de algumas críticas quanto à precisão histórica e à simplicidade do roteiro, o filme cumpre sua proposta de transportar o espectador para o horror das trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Mais do que um espetáculo visual, 1917 é um lembrete poderoso dos sacrifícios e do sofrimento humano que marcaram um dos conflitos mais devastadores da história.
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