"O Farol" novo filme do diretor Robert Eggers traz consigo uma complicada visão e conceito de terror, que mescla em uma concha de retalhos de diversos conceitos do aclamado gênero, com uma boa direção e ótimas atuações, o filme que parece ter saído do seculo passado não é para qualquer publico.
O roteiro nos traz a historia de dois marinheiros que atracam em um isolado farol para realizar manutenções no mesmo, os faroleiros então se veem presos em uma rede de acontecimentos que flertam com o sobrenatural, o alcoolismo, a abstinência sexual e o isolamento são pontos de aprofundamento de ambos os personagens que os fazem a ficar a beira da loucura.
Seu primeiro ato é magistral, porém seu segundo e terceiro vão perdendo a qualidade, o longa pinta como um filme de monstros, depois somos submetidos a um forte terror psicológico que envolve até mesmo o telespectador, brincando diversas vezes com a visão do mesmo sobre os acontecimentos, mas no fim, temos um terror cósmico, um ótimo terror cósmico, que fala além do desespero de ambos os personagens, fala sobre o poder absoluto da natureza e suas ramificações, fala sobre o além da compreensão humana e seus desejos, temos um estilo que flerta muito com o conto de o conto de cthulhu de Hp lovecraft e seu universo criado.
A direção de Robert é muito boa, o diretor americano tem o tino perfeito para o terror, sabe posicionar perfeitamente suas câmeras visando uma crescente construção de tensão e também sabe aproveitar algo que é fundamental em um filme de terror, o som, o filme apresenta uma mixagem de som assustadoramente perfeita, equalizando e aumentando todo e qualquer som criado no ambiente, amplificando gritos e causando tensão na edição do som, com constantes barulhos de ventos e chuva, além das ondas do mar e a trilha sonora incidental, além disso, a ótima escolha por uma fotografia preta e branca escura, priorizando uma gravação nos moldes antigos e aparentemente com câmeras antigas, causando uma maior identificação e temor com o exibido em tela.
Toda composição de cenário e design de produção do longa é ótima, mas outro destaque são as atuações, Robert Patisson está muito bem, fazendo um personagem imerso na loucura própria e ambiental, o ator parece sofrer em tela, e até sentir verdadeiras dores e sentimentos a cada queda ou lesão , a direção ajuda muito nesse engrandecimento, mas mesmo assim é uma ótima atuação, Willem Dafoe também está ótimo, como sempre, o ator faz um velho rabugento e misterioso, o ator some em meio ao seu personagem e assusta com sua atuação e principalmente na maravilhosa execução de seus monólogos e frases, ambos atores, apesar da forte concorrência desse ano, merecem uma indicação ao oscar.
O novo longa do diretor de "A bruxa" tem muitos acertos e semelhanças com seu ultimo filme, como o isolamento geográfico e o acobertamento do monstro em si, a criação de suspense através da trilha e direção também se encontra presente, porém temos pontos negativos, como a dificuldade de objetividade na hora de delimitar o conceito de seu filme de terror, visto, que só chegamos a um entendimento - mesmo que não seja claro - após o termino da película, outro ponto é o alivio cômico que em alguns momentos quebra todo o clima narrativo, enfim, "O Farol" é bom, tem direção e atuações ótimas e se prensarmos com um horror cósmico, é um dos melhores do gênero, mas mesmo assim ficamos com uma sensação que o filme poderia ser melhor se tivesse menos problemas de execução. NOTA: 8/10