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    O Segredo de Napóles
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    O Segredo de Napóles

    Na sombra da dúvida

    por Barbara Demerov
    Toda cidade tem seus segredos, e Nápoles não foge de tal realidade. Esbanjando arte e uma aura um tanto mágica, o local que dá o nome do filme de Ferzan Ozpetek é a companhia principal da protagonista Adriana (Giovanna Mezzogiorno), que da noite para o dia se vê no meio de um caso de amor e assassinato. Sua vida vira de cabeça para baixo a partir do momento em que se apaixona à primeira vista pelo misterioso Andrea (Alessandro Borghi), pois logo vê acontecer uma série de reviravoltas dignas de um suspense de Agatha Christie.

    O filme começa de forma convidativa para entrarmos no seu clima, de tom misterioso e intrigante; e as já citadas reviravoltas funcionam sem parecerem forçadas até, pelo menos, metade da narrativa. Parte do êxito em entregar tais características se dá por conta da presença de Adriana em cena, que sabe as mesmas informações que o espectador e, portanto, é também alguém que se encontra no escuro perante a um assassinato macabro e a possível ligação com o mercado obscuro da arte italiana.



    Porém, com o tempo O Segredo de Nápoles vai entregando camadas mais profundas com relação à própria protagonista, que se mostra uma mulher tão misteriosa quanto seu amante passageiro. A aparição do irmão gêmeo de Andrea balança ainda mais sua estrutura e não a ajuda a seguir com sua vida - ao mesmo tempo em que até sua profissão na área médica entra em conflito com a polícia, que investiga o assassinato ocorrido no início da história.

    Adriana se encontra no "olho do furacão" deste caso enquanto ainda tem de lidar com conflitos pessoais do passado que se chocam com seu presente. Com isso, a história passa algo contrário ao espectador: começamos o filme entendendo bem seu enredo, mas podemos terminá-lo com muitas teorias (algumas sem informação suficiente) em mente devido às bifurcações criadas.

    Por mais que a narrativa se desenrole de forma fluida na maior parte de sua duração, os minutos finais de O Segredo de Nápoles consistem em inúmeros possíveis epílogos que vão se estendendo até a história se tornar um tanto sobrecarregada com tantas informações liberadas em excesso.

    O tom poético não sai de cena, com a câmera seguindo Adriana por todos os cantos de uma cidade que diz muito em seu visual - mas é certo que uma história tão intrigante como essa poderia se equilibrar mais no suspense e não tanto na tentativa de engrandecer o enredo com mais perguntas que respostas.

    Filme visto na 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, em outubro de 2018.

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