Verão de 84 é um daqueles filmes que a internet adora babar ovo. Se você for assistir esperando uma obra-prima do suspense adolescente, aviso: não é bem isso. O filme tem méritos estéticos, mas, no geral, é um exercício de preguiça narrativa. Minha experiência? Monótona, previsível e, muitas vezes, frustrante.
A fotografia e os figurinos capturam bem a vibe dos anos 80, a trilha sonora ajuda na atmosfera, e o filme cria tensão em alguns momentos, especialmente no terceiro ato. O final ambíguo é interessante porque abre espaço para reflexão e até para um possível segundo filme. As atuações são boas, mas o enredo não as aproveita.
O maior problema, porém, é o vilão. O policial assassino não tem motivação, e matar crianças “porque sim” não assusta, só irrita. Um vilão bem construído, com trauma ou ideologia, daria profundidade à história e faria o protagonista brilhar mais. Além disso, os diálogos adolescentes são repetitivos e artificiais, e o roteiro toma decisões sem lógica, com clímax manipulado. O hype exagerado é uma piada: o final não é traumático nem um tapa na cara, apenas mediano com uma boa pitada de ambiguidade.
No fim, Verão de 84 constrói potencial, mas é mal aproveitado pelos roteiristas. Meu conselho: não acreditem cegamente nas resenhas que veem por aí; muitas são exageradas, baba-ovo ou piada.
Ps: acho um absurdo o fato de que não vão fazer um segundo filme sendo que esse final possui um grande potencial para tal.