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    Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta

    O chamado do feminismo

    por Barbara Demerov
    Em Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta, seu filme para a Netflix, a atriz e diretora Amy Poehler foca no momento em que a importância do feminismo e da sororidade entre mulheres bate à porta na juventude. A ideia é interessante, o elenco selecionado também e as situações que levam o grupo de garotas a questionar atitudes machistas que as cercam desde crianças (e que também vêm através da diretora da escola) são bem explícitas.

    De um jeito didático, a narrativa se desenrola sem muitos conflitos e é isso o que faz com que o filme perca sua força em seus momentos mais potentes -- que trazem reflexões sobre regras impostas pela sociedade até no jeito que a mulher se veste. Através da protagonista Vivian (Hadley Robinson), o espectador acompanha o chamado da jovem que nasce da admiração que ela tem pelo passado rebelde da mãe, Lisa (Poehler, hoje uma enfermeira que se encontrou no conforto). Tudo acontece de uma forma natural a partir da chegada de uma nova aluna na escola de Vivian, e o desenrolar da criação da zine (revista independente) chamada Moxie é promissor.



    Porém, o ritmo da direção de Poehler vai se perdendo em meio a subtramas que envolvem o namorado de Vivian (e a inicial dúvida: ele é igual aos outros garotos da escola?), o atrito da protagonista com antigas e novas amizades e o segredo rebelde que guarda a sete chaves. Tudo se desenvolve com leveza e até mesmo serenidade, uma vez que os conflitos mal acontecem ou são resolvidos com muita pressa. A amizade de anos entre Vivian e Claudia (Lauren Tsai), por exemplo, entra numa espiral de má comunicação e afastamento sem motivo aparente, mas se resolve em uma cena de poucos segundos. Tal cena simboliza a falta de atenção aos pontos de discórdia em uma história que, na prática, não é tão simples assim.

    Filme teen da Netflix se apoia na sororidade das personagens femininas, mas se perde em enredo fragmentado

    Quando as artes de Vivian enfim a ajudam a criar o grupo Moxie, com outras garotas que se conectam pelas diferenças e similaridades, o protagonismo passa a ser mais dividido entre todas as personagens. Isso traz dois lados para o filme: um positivo e outro negativo. Se por um lado as vozes de mais personagens tornam-se ativas e trazem a mensagem da pluralidade e sororidade, do outro a trama da própria Vivian torna-se secundária, deixando de dar mais tempo para que sua relação com a mãe seja mais desenvolvida. Assim, quando o único conflito do filme (que acontece na última meia hora) acontece, a briga entre as duas personagens não se justifica a tal ponto, pois os problemas de Vivian mal foram citados até então.

    Além disso, a discussão de temas mais sérios (que chegam ao nível de estupro) acontecem de forma superficial, sem dar o tom mais pesado que realmente era necessário. Ao invés de dar espaço para uma mensagem mais dramática, o desfecho de Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta tira um pouco da gravidade da questão (especialmente na resolução do crime cometido por um dos alunos mais famosos da escola). Porém, a presença daquelas jovens que não veem dificuldade em serem empáticas e a união que se forma naquele círculo de confiança e amizade é bonito. Assim, o filme de Poehler transita entre duas atmosferas: uma mais lúdica e a outra mais intensa. Elas podem não conversar tão bem entre si, mas a intenção de dar voz aos ideais das mulheres, assim como o crescimento do empoderamento, valem a experiência.
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