Críticas mais úteisCríticas mais recentesPor usuários que mais publicaram críticasPor usuários com mais seguidores
Filtrar por:
Tudo
Lidice M.
1 crítica
Seguir usuário
5,0
Enviada em 30 de setembro de 2017
Belo filmel que fala com simplicidade e sensibilidade sobre questões caras às mulheres . A difícil divisão entre trabalho e o cuidado com os filhos.Entre interesses pessoais e obrigações. A complexidade das relações familiares e amorosas. A cena da personagem da Clarice Abujamra ( numa atuação espetacular!) tocando "como nossos pais" no piano é linda e comovente. Uma cena para não esquecer.
Não, não estou falando da flor rosa. As Rosas que estão exaustas são as mulheres. Na verdade, a Rosa que inspirou o título é a personagem do filme Como nossos pais, lançado em agosto com roteiro e direção de Laís Bodanzky (Bicho de sete cabeças).
Tomei a liberdade de pluralizar a situação vivida pela personagem de Maria Ribeiro porque apesar dela ser branca e fazer parte da classe média de São Paulo, a Rosa representa as mulheres quando pensamos sobre os papéis estabelecidos para mulher na sociedade.
A mulher é quem administra o lar e os filhos. É quem na maioria das vezes deixa de lado a profissão e os sonhos para cuidar da casa e da família. É quem trabalha fora, mas também dentro de casa. Tem jornada dupla, talvez tripla, se ela ainda tiver a ousadia de fazer algum curso ou qualquer outra atividade.
As Rosas estão exaustas porque há milhares de papéis estabelecidos que elas precisam desempenhar com perfeição. Não vale surtar. Não vale reclamar. E nem deixar de fazer. A Rosa, de Como nossos pais, sonha em ser dramaturga mas escreve textos publicitários. Cuida de duas meninas (uma pré-adolescente), lida com os segredos e problemas da mãe e as fantasias do pai. Ela tem marido e irmão. Mas Rosa não tem ajuda de nenhum dos dois. A gente percebe que não é porque ela deseja ser a supermulher, mas porque ela precisa dar conta de tudo. Do contrário, a vida de todos ao seu redor vai parar.
O filme é um recorte ficcional de uma realidade possível. E que se você for observar bem o seu cotidiano vai ver que é algo muito comum. Até passa despercebido porque é considerado normal. Eu parei pra observar a dinâmica de algumas famílias. Dizem que o homem é o chefe da casa, mas quem administra e faz tudo andar é a mulher.
Em um determinado momento do filme, Rosa diz: Várias vezes, durante o dia, eu me pergunto se eu estou fazendo o que eu queria estar fazendo. A gente percebe uma ansiedade e frustração. Rosa quer mais do que estão oferecendo. Ela não quer largar tudo e sair correndo. Até tem vontade, mas não faz. No meio do caos, da opressão, ela quer diálogo, quer espaço. Ela quer alguém parceiro para cuidar da casa e da família, quer viver seus sonhos, quer sexo, quer ser feliz. E ela não está pedindo nada demais.
Ótimo filme e que retrata a realidade de muitas relações familiares: uma mãe fria que, pai fracassado, outro pai indiferente, e um marido mentiroso com pinta de bom moço. O que é genial no filme é que ele apenas retrata a realidade como ela é: sem lições de moral como se deve ou não viver.
Dos melhores filmes nacionais que vi nos últimos anos, com excelentes diálogos, trama envolvente e o drama da vida e dos relacionamentos amorosos sendo abordado com sensibilidade. Recomendo muito
Caso você continue navegando no AdoroCinema, você aceita o uso de cookies. Este site usa cookies para assegurar a performance de nossos serviços.
Leia nossa política de privacidade