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Pitacos.cinematográficos
29 seguidores
71 críticas
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4,5
Enviada em 11 de outubro de 2016
Aquarius gerou muita polêmica em meio ao cenário político polarizado que estamos vivendo. Seria uma pena que o filme ficasse marcado no imaginário coletivo somente pela polêmica do momento atual, pois é uma grande obra, que deveria ser vista por todos, independentemente de se considera que o que aconteceu neste ano foi um impeachment ou um golpe. Felizmente o tempo fará com que este fato político fique no nosso tempo, e o filme será lembrado somente por seu ótimo conteúdo. [PITACO COMPLETO NO LINK]
Uma quase obra prima, é um filme forte, reflexivo, impactante e atmosférico. Embora tenha alguns problemas de ritmo que não aconteceu com o filme, "O som ao redor". Mesmo assim, quando o filme atinge um terço da projeção adquire um magnetismo ímpar principalmente sob a interpretação surpreendentemente lírica e magistral de Sônia Braga. A história de uma escritora Recifense nos é contada a partir do começo dos anos 80 até os dias atuais, indo e voltando no tempo, o diretor Kleber Mendonça conseguiu na sua técnica cinematográfica nos projetar na história e sermos cúmplices de Clara, estamos ao lado dela sempre, até o final apoteótico que é um chute e uma denúncia contra o sistema do forte e poderosos economicamente e o pressuposto de que o poder compra tudo e está sempre acima da lei . Reflexivo e memorável!
Um filme todo marcado pelo significado político que teve pelas declarações da produção do longa, não entrando no mérito de direita ou esquerda, como filme é apenas uma história normal e contada de forma boa, mas nada demais.
Depois de assistir o filme, eu percebi que não havia gostado tanto dele porque eu sou muito parcial (como todo ser humano). Se fosse uma mulher pobre e negra que estivesse lutando para não sair da sua casa, expulsa por uma construtora ou pelo governo (que tanto faz isso em prol do 'progresso'), eu teria gostado horrores do filme. Como era uma mulher que tinha 5 apartamentos, eu só li o comportamento dela como birra da classe média, coisa de criança mimada, e não como resistência. O filme tem algumas cenas muito boas (cenas de sexo, da discussão em família, do aniversário da tia Lúcia, etc.), mas no geral, é uma história lenta (não tanto quanto O som ao redor) e que só me prendeu até o final porque eu estava no cinema. Se estivesse assistindo em casa, eu pularia várias partes. 90 minutos seriam mais que suficientes para contar a história. Enfim, acho que jamais serei cult, porque não consigo enxergar essa maravilha toda que os franceses viram. spoiler: A cena da família burguesa vendo álbum de fotos e a empregada mostrando a foto do filho dela que morreu me fez engolir seco...
Há muita coisa a ser dita sobre “Aquarius”. O segundo longa de ficção do já cultuado diretor Kleber Mendonça Filho (O Som ao Redor) é uma obra excepcional, porém não perfeita.
O filme tem diversos pontos altos. Direção, roteiro, fotografia, atuações. Mesmo assim, o ritmo e o clima de tensão são os sobressalentes quando comparamos ao primeiro longa do diretor. Neste, o produto final é mais comercial, um tanto demagógico, mas de qualidade.
Clara (Sônia Braga), uma senhora beirando os 70 anos, com os três filhos criados e o marido falecido. Sozinha em um apartamento, conta apenas com a companhia da empregada doméstica Ladjane (Zoraide Coleto). O conflito inicia quando ela se recusa a vender, por motivo sentimental, o apartamento que vive desde a juventude.
O interesse é da Bomfim Engenharia, a empresa que comprou todos os demais apartamentos do prédio, com exceção do de Clara. O objetivo da construtora é demolir o edifício Aquarius e construir o Novo Aquarius, mais moderno, tecnológico e “seguro”. A figura que representa a Bomfim é Diego (Humberto Carrão), um jovem que acabou de se formar nos EUA e está de volta ao Brasil para assumir o projeto.
Novamente comparado a “O Som ao Redor”, “Aquarius” é rápido e prende quem assiste ao longo das suas 2h30. Os planos são, em maioria, curtos e os cortes bruscos.
O roteiro é dividido em 3 partes. A primeira, conta um episódio da juventude de Clara, o aniversário de sua tia. Este período é usado para contextualizar a personagem, apresentando Clara como uma mulher de personalidade forte, que lutou contra e venceu um câncer quando tinha em torno de 34 anos. O capítulo também justifica seu amor nostálgico pelo apartamento, carregado de memórias, e que as cenas sugerem ser uma herança da família da personagem.
A segunda e a terceira contam, respectivamente, sobre a vida amorosa e sexual de Clara e sobre a doença que à oprime na atualidade, ou seja, a construtora.
A direção inova abusando de zoom ins e zoom outs, revelando e escondendo partes do quadro não tão comumente observadas. A trilha é composta quase que em totalidade por música popular brasileira. Clara se mostra uma grande apreciadora de Heitor Villa-Lobos, Maria Bethânia, Lupicínio Rodrigues. E convida quem assiste a ouvir os clássicos junto dela, deixando a extradiegese para poucas exceções.
Uma das principais riquezas da subjetividade de Aquarius está na tensão instaurada pelo diretor. Ninguém é capaz de afirmar com certeza, do que Diego e seus dois ajudantes são, ou não, capazes de fazer para alcançar seus objetivos.
Qualidades técnicas e narrativas são inegáveis em Aquarius. As atuações complementam vigorosamente a totalidade da película, fazendo-se acreditar que não existiriam outros atores capazes interpretar os tais personagens.
Contudo, o filme conta com críticas e tramas paralelas não aprofundadas. Tais defeitos particulares não alteram seu brilhantismo e o dilema é definido por um trecho de uma das músicas de Clara.
“Toda menina baiana tem Um santo que Deus dá Toda menina baiana tem Encantos que Deus dá Toda menina baiana tem Um jeito que Deus dá Toda menina baiana tem Defeitos também que Deus dá”
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