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Ricardo L.
63.294 seguidores
3.227 críticas
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5,0
Enviada em 4 de janeiro de 2022
Robert Eggers entrega aqui uma obra prima de mão cheia que pega um roteiro que poderia ser mais um do mesmo, mas com sua perspicazes consegue transforma-lo num filme intrigante, sombrio e deslumbrante. Um filme espetacular.
Este terror faz jus a produções clássicas como O Exorcista (Friedkin, 1973), inovadoras como A Bluxa de Blair (Myrick, Sánchez, 1999) e instigantes como A Vila (Shyamalan, 2004), sem apelar inteiramente para nenhum desses três formatos. Conta uma lenda/conto antigo inglês e leva ao pé da letra muitas passagens, embora em todas elas haja a tal licença poética e o ponto de vista dos seus personagens, permitindo um verdadeiro jogo de interpretação para os que estiverem curiosos apenas pela sua história.
Filme ambientado em 1630 na Nova Inglaterra, segue uma família com cinco filhos isolada e expulsa da cidade por questões religiosas e que vai tentar se adaptar e construir um lar perto de um bosque. Filme muito tenso, realista,repleto de dúvidas entre os espectadores e os próprios personagens em um crescente grande drama/terror psicológico que marca profundamente os que conseguem se aprofundar em suas várias camadas.Há que ter acuidade, paciência, gostar de ser provocado para vivenciar essa obra lúgrube.Primeiro longa de Robert Eggers, A Bruxa, venceu o prêmio de melhor direção no prestigiado Festival de Sundance em 2015. Direção impecável, cinematografia esfumaçada, quase pintada a mão, trilha sonora perfeita, elenco soberbo, principalmente a fantástica atuação de Anya Taylor-Joy, como Thomasin.Há realmente uma bruxa ou é somente o simbolismo do medo introspectivo? Confiram e não se arrependerão.
Com cada vez mais clichês do terror, está difícil produzir bons filmes do gênero, pelo fato de que o terror tem seus conceitos bem definidos. A Bruxa chega para cumprir seu papel de excelência no gênero e se junta a Invocação do Mal, Corrente do Mal, A Colina Escarlate e etc, na lista dos poucos bons filmes de terror da atualidade.
A história se passa na América Inglesa, num contexto em que o puritanismo e a religiosidade extremos guiam a vida do homem médio. Basicamente, uma família é expulsa de um aldeamento religioso, por motivos ignorados no longa, e passa a viver num casebre à beira duma grande floresta. E é nesse contexto de exclusão social que a história se desenrola. O enredo brinca com o temor exagerado do mal, a hipocrisia religiosa e os conflitos familiares que surgem. spoiler: E sobre o fim, que posso dizer? Foi como deveria ser! A história se encerra, e bem, inclusive. Virar bruxa de fato, ir aos céus, é uma situação perfeitamente comparável à da mulher num contexto de negação de direitos. A conquista de reconhecimento, de humanidade, de posso e orgulho do próprio corpo. O filme é repleto dum ar sombrio, envolvente, com cores escuras. Assistam e não se arrependerão.
A Bruxa não é um terror que busca assustar o espectador quando ele menos espera, a narrativa não segue em nada as narrativas padrões da maioria dos filmes de terror, talvez por isso muitos são críticos ferrenhos do filme.
O filme faz você refletir sobre a questão da religiosidade, nos provoca a pensar todas as normas impostas principalmente pela igreja católica. Sem dúvida o diretor do filme soube trabalhar o gênero terror de uma forma inteligente e inesperada, o que pode ser uma boa saída para os já tão conhecidos clichês das narrativas do gênero.
Bem que dizem que gosto é muito subjetivo. Se fosse me guiar pelas críticas dos usuários teria perdido um dos melhores filmes de horror dos últimos tempos. Uma pequena obra prima. Não é difícil avaliar o porque desse filme ter feito mais sucesso com a crítica especializada que com a maioria do público- pelo menos daqui do adoro cinema. O filme a bruxa se trata de um filme denso, atmosférico, histórico e artístico como poucos, talvez uma das exceções seja para Garota sombria caminha pela noite. O horror que esse filme causa vai muito além do simples efeito de sustos fáceis e perseguição de maníaco homicida para dizer, ohhhhhh que susto, ohhhhh que medo! O filme é tão perfeito e tão fiel aos fatos históricos que na cena em que a família puritana se desloca da colônia após serem excomungados aparecem nativos indígenas americanos caminhando no portão. O diretor Robert Eggers é tão detalhista que mais lembra um virginiano limpando uma casa e seu projeto só teve pleno funcionamento graças a liberdade do produtor Rodrigo Teixeira que deixou-o a vontade para tocar seu projeto. Os irmãos lembram um pouco João e Maria na floresta e a cena em que a irmã vai ser deixada de lado só enfatiza que o roteiro foi feito com base na própria vivência do autor- Eggers dirigiu Hansel and Gretel em 2007. Além disso, ele se baseou em documentos da época para compor sua história místico-ocultista e a realidade daquilo que os puritanos baseado em suas crendices e histerísmo coletivo fizeram em Salem um tempo mais tarde. Verdade ou simbolismo? Loucura ou realidade dos personagens? Culpa? Pecado? O que fazer quando o mal domina? Esse Barroco, numa produção pontuada por uma trilha sonora com tom que parece binaural e fotografia dessaturada só valorizam o roteiro e as interpretações que atingem um verdadeiro clímax. Um filme inesquecível que fica martelando após a projeção. Obra prima! Uma verdadeira jóia em meio a tanta porcaria lançada.
Sob um atmosfera cinzenta, macabra e melancólica, o filme apresenta um desenrolar de eventos tensos, totalmente imprevisíveis através de uma trama bem construída, o que prende bastante a atenção do telespectador do começo ao fim... fugindo dos filmes de gritinhos e sustos a cada 20 minutos ou finais mais do que manjados. A percepção dos fatos e a auto sugestão dos eventos subentendidos, torna o filme singular dentro do gênero: Suspense/Terror, uma vez que trabalha bastante com a inteligência e psicológico do telespectador. Eis um dos poucos filmes que vale a pena conferir, se vc ainda não assistiu.
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