Aconteceu mais uma vez: uma invasão alienígena em algum lugar da Terra. Dessa vez é mais sutil, porém não menos perigosa. Um objeto celeste atingiu um farol e o infectou com algum tipo de matéria exótica, dando origem à cintilação, uma espécie de campo de energia misterioso que ameaça a vida na Terra.
A cintilação não para de se expandir e os efeitos que gera são incrivelmente nefastos, embora basicamente inexplicáveis e provocam um mistério de difícil solução. A protagonista é uma ex-militar (passou 7 anos no exército) especialista em biologia celular, concedendo aulas em uma instituição famosa onde é vista explicando células tumorais em divisão desordenada. É aqui que reside o grande mistério do filme. Segundo a Lina (protagonista), é possível criar um método científico capaz de reverter a senescência (envelhecimento). Ela diz que Deus erra. Seu parceiro, o sargento Kane, discorda, alegando que “a chave da coisa toda da divindade” é a perfeição. Mas, para Lina, deveríamos tentar corrigir a senescência no DNA humano, apesar dos riscos.
Um dos papéis centrais da ficção científica é promover o debate sobre as grandes descobertas científicas do momento, ou as grandes invenções tecnológicas. Já vimos filmes questionarem a clonagem, a inteligência artificial, a engenharia genética (embora em menor frequência) e muitos outros temas essenciais. Dessa vez, Aniquilação põe em xeque as atividades e inovações científicas que planejam acabar com o envelhecimento e garantir, por assim dizer, a “vida eterna”. Isso traria riscos, embora não sejam tão óbvios assim. Poderia resultar em uma catástrofe.
Em Aniquilação, mutações genéticas severas e extremas são vistas por todo o ambiente onde as protagonistas exploram. Como especialista no assunto, Lina não tarda em perceber que a cintilação está provocando algum tipo de distúrbio genético profundo, hibridizações bizarras de espécies distintas, desvios genéticos nunca antes observados e que são assustadores. Os genes daquelas espécies parecem estar se “replicando” o tempo inteiro, se fundindo e gerando distúrbios genéticos extremos.
Com uma direção envolvente e sólida, apresentando imagens muito impactantes, Aniquilação não é uma inovação exótica da ficção científica, mas uma confirmação desse gênero artístico. Propõem que a “juventude eterna” através de edição genética revolucionária pode causar danos terríveis.
Reverter a senescência, que é completamente possível, é no mínimo tema para debate e um procedimento que merece mais esclarecimento. E, dessa maneira, Aniquilação se consolida como uma obra de arte relevante, que se conecta com sua época e público, indo além da mera contemplação, embora seja difícil de ser compreendida. Mas é disso que é feito o cinema. E podemos celebrar.