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    O Gigantesco Ímã
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    O Gigantesco Ímã

    O homem das máquinas

    por Bruno Carmelo

    Aos 86 anos de idade, o pernambucano Evangelista Ignácio de Oliveira é conhecido por sua paixão pelas máquinas. De origem humilde, e sem percurso acadêmico de qualquer tipo, ele aprendeu a coletar peças usadas e montar os mais estranhos maquinários, que vão desde rádios e televisores até metralhadoras, asas-deltas e motores de carro – todos em perfeito estado de funcionamento.


    O Gigantesco Ímã - FotoCuriosos com esta figura singular, os diretores Petrônio Lorena e Tiago Scorza decidiram expandir o curta-metragem sobre Evangelista para o formato longa-metragem. Assim, eles têm tempo de abordar todas as invenções, com suas anedotas e tentativas frustradas. Apoiando-se na personalidade expansiva do protagonista e em situações muito simples – Evangelista demonstrando o funcionamento de sua metralhadora caseira para os militares locais, por exemplo – os cineastas criam um feel good movie.

     

    O revés desta abordagem despretensiosa é perceber que a narrativa não possui um rumo preciso. Com apenas 72 minutos de duração, O Gigantesco Ímã parece um tanto arrastado: as cenas de invenções se sucedem em ordem praticamente aleatória, sem denotar algum questionamento da parte dos cineastas. Em determinado instante, um dos entrevistados se interroga sobre a possível autonomia dos brasileiros em relação às tecnologias americanas, mas este interessante pensamento é logo abandonado pelos diretores.

     

    O Gigantesco Ímã - FotoDo mesmo modo, é frustrante que se conheça tão pouco sobre Evangelista no documentário dedicado a ele. Seria importante explicar, ou pelo menos sugerir, de que modo este homem teria adquirido conhecimentos tão refinados da mecânica e da física. Igualmente, os cineastas poderiam mostrar qual foi o percurso profissional de Evangelista, sua relação com as pessoas ao redor, talvez com a própria família, e a opinião sobre as invenções que nunca conseguiu patentear.

     

    Lorena e Scorza fazem do retratado uma curiosidade, um exotismo – um cientista sem ciência. Mas os cineastas parecem mais interessados nas máquinas do que no homem que as inventou. É uma pena que o filme não coloque em contexto as invenções, ou a inteligência de Evangelista. O Gigantesco Ímã não tem muito a dizer para além da existência desta personalidade singular. Faltou reflexão ao documentário deslumbrado e imediatista.

     

    Filme visto no 19º Cine PE Festival Audiovisual, em maio de 2015.

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