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    O Oficial e o Espião
    Média
    3,9
    32 notas e 8 críticas
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    8 críticas do leitor

    João Carlos Correia
    João Carlos Correia

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    5,0
    Enviada em 11 de março de 2020
    Alfred Dreyfus (Louis Garrel, de Adoráveis Mulheres) é capitão do exército francês e um dos poucos judeus alistados. No final de 1894, é acusado de alta traição por ter fornecido informações secretas para a Alemanha, condenado à prisão perpétua, exílio na colônia penal da Ilha do Diabo e expulso das forças armadas em uma cerimônia humilhante. O recém-promovido e nomeado chefe do serviço de inteligência do exército, Coronel Georges Picquart (Jean Dujardin, de O Lobo de Wall Street), durante uma investigação de um outro caso de traição, descobre provas que mostram que o Capitão Dreyfus é inocente e inicia sua luta para inocentar o colega oficial. Obtém o apoio e ajuda do grande escritor Émile Zola (André Marcon, de O Melhor Está por Vir), que publica uma carta aberta em um jornal ao presidente da França na qual afirma a inocência de Dreyfus e acusa o alto escalão do exército de serem os verdadeiros responsáveis. A carta tem o título de “J’ Accuse” (“Eu Acuso”). O final do século XIX é turbulento para França com um amontoado de acontecimentos tais como a derrota na Guerra Franco-Prussiana, a Comuna de Paris, a ascensão da Terceira República, o escândalo de corrupção na construção do Canal do Panamá e conflito de separação entre Estado e Igreja, que levaram o país ao caos político e social. O “Affaire Dreyfus” (“Caso Dreyfus”, em francês), serviu tanto como válvula de escape quanto como desculpa para os problemas que ocorriam – a famosa e manjada “conspiração judaica” junto com a “invasão de estrangeiros” que “deturpavam a cultura, a moral e os bons costumes”. Mais de 120 anos depois, o “Affaire Dreyfus” continua a ser um assunto quente na França. É um daqueles episódios que uma nação acaba por sentir vergonha de si mesma, pois, além de ser um exemplo de injustiça, com erros jurídicos grosseiros, também mostra o antissemitismo e a xenofobia, dois problemas que, em século XXI, persistem em permanecer entre nós, particularmente na Europa onde, devido a volta de partidos e/ou movimentos de extrema-direita, episódios preconceituosos, principalmente contra imigrantes, refugiados e outras minorias ocorrem com frequência cada vez maior. Embora a história seja verdadeira, a principal fonte de O Oficial e O Espião é o romance homônimo do escritor britânico Robert Harris, que também foi o autor do roteiro junto com o diretor do filme, o cineasta franco-polonês Roman Polanski (A Pele de Vênus). Ambos já haviam trabalhado juntos no filme O Escritor Fantasma (2010), outra adaptação de uma obra de Harris. Antes disso, quando conheceram um ao outro, o escritor sugeriu a Polanski adaptar outro romance seu, Pompéia, obra inspirada, segundo o próprio Harris, no clássico Chinatown (1974). Embora o diretor tenha interessado-se, o projeto não avançou. Em O Oficial e O Espião, Polanski, já com 86 anos de idade, mostra estar em plena forma. Seu trabalho na direção é seguro, preciso, pondo as doses certas de emoções sem apelar para o drama barato. O filme é uma denúncia contra o racismo, antissemitismo e xenofobia, mas também é um thriller político, policial além de filme de tribunal. É uma verdadeira salada, mas Polanski faz a película fluir tão bem na tela que essa mistura acaba por ser perfeitamente harmoniosa. A mão de Roman Polanski também pode ser vista na direção do elenco. Jean Dujardin, após sua consagração no Oscar e no Festival de Cannes com a conquista dos prêmios de Melhor Ator com o filme O Artista (2011), tem outra performance digna de premiação. Com atuação discreta, mas moderna e impactante, Dujardin transforma Georges Picquart no tipo de herói que deve-se aplaudir: com coragem – sem ser um Brucutu truculento - e consciência de dever e justiça. Ele não superpoderes como os super-heróis da Marvel e da DC. O seu poder reside no seu alto senso de moral e de busca pela verdade. Mesmo o caso que tem com uma mulher casada, que, para alguns, pode ser algo reprovável, é mostrado mais como uma imperfeição de um ser humano (imperfeição essa a qual todos estamos sujeitos) do que de um herói. Louis Garrel aparece pouco em O Oficial e O Espião, mas quando aparece, sua performance dá tamanha dignidade ao personagem que interpreta, o Capitão Alfred Dreyfus, (como, por exemplo, na cena da humilhante expulsão do oficial), a ponto de sentirmos sua presença nas partes em que não aparece. Aliás, para mim, uma pequena falha de O Oficial e O Espião, é justamente essas poucas vezes que Garrel aparece, embora o personagem principal seja Picquart e não Dreyfus. A esposa de Polanski, a atriz e cantora Emmanuelle Seigner (No Portal da Eternidade), interpreta Pauline Monnier, a mulher casada que tem um caso de Georges Picquart. Aos 53 anos, Emmanuelle continua muito bonita e uma atriz cada vez mais segura. Embora sua personagem não tenha grande interferência no “Caso Dreyfus”, ela mostra ser não apenas o interesse amoroso do herói, mas igualmente uma mulher de personalidade independente, à frente de seu tempo. O Oficial e o Espião vem colecionando prêmios desde a sua prèmiére, em 2019. No Festival de Veneza, conquistou o Grande Prêmio do Júri, além do Prêmio FIPRESCI para Polanski e o prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira. Já no Prêmio César (versão francesa do Oscar) deste ano, foi indicado a 12 prêmios, tendo conquistado os de Melhor Figurino, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Diretor para Polanski. Embora O Oficial e O Espião seja um campeão de bilheteria na França, à frente de arrasa-quarteirões como Frozen II e Star Wars: A Ascensão Skywalker, as polêmicas insistem em acompanhar Roman Polanski devido ao já mais do que conhecido escândalo das relações sexuais que teve com uma menina de 13 anos até a mais recente, um suposto caso de estupro que teria ocorrido em 1975. As manifestações das feministas desde a estreia do filme são constantes. Por tudo isso, Polanski está a tornar-se um recluso, raramente aparece em público, tanto que não foi receber os prêmios que conquistou em Veneza e Paris. Emmanuelle Seigner foi em seu lugar. Em Veneza, ela comentou as polêmicas que envolvem seu marido e sua relação com O Oficial e O Espião: “Para mim é difícil falar pelo Roman. O que posso dizer é que o sentimento de perseguição patente no filme é algo que ele conhece bem. Basta olhar para a sua vida”. Com ou sem polêmicas de Roman Polanski, O Oficial e O Espião é um filme que chega em um momento oportuno. Na era das trevas em que vivemos atualmente em nosso país tendo como mandatário um demente à frente de uma equipe de governo formada por verdadeiros lunáticos com um “guru” que não passa de um astrólogo boca-suja, as mensagens que o filme transmite de anti-racismo, anti-preconceito, a busca pela verdade e uma justiça que faça jus ao nome, são mais do que necessárias. São cruciais.
    Alan David
    Alan David

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    4,0
    Enviada em 1 de março de 2020
    As reações confrontadas que produz o texto de Zola também põem em evidência e mais uma vez a luta pela verdade, ocultada deliberadamente, e que é central em O Oficial e o Espião. Por tudo o antes enumerado, muito bom filme. Para ler a crítica completa, link a seguir: http://www.parsageeks.com.br/2020/03/critica-cinema-o-oficial-e-o-espiao.html
    Rodrigo A.
    Rodrigo A.

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    4,0
    Enviada em 28 de agosto de 2020
    Um ótimo filme do polêmico Polanski. Retrato de como muitas vezes os erros têm pesos diferentes, as consequências dependem de quem o comete. O oficial e o espião (ou no título original, J'accuse), nos traz a história real de um homem injustamente acusado com um tempero de antissemitismo em cima disso tudo. Alfred Dreyfus (Louis Garrel), de origem judaica, é um capitão da artilharia do exército francês, que em 1894, durante a Terceira República Francesa, é acusado de entregar documentos secretos aos alemães, ao ser condenado à prisão perpétua por traição é também deportado para Ilha do Diabo. Em 1896, o coronel Georges Picquart (Jean Dujardin) observa certas incoerências no caso, começa então uma luta para mostrar o verdadeiro culpado e trazer os fatos que mostram as fragilidades das provas contra Dreyfus, a partir daí, a perseguição cai no próprio Picquart, que chega a ser preso, em uma de suas saídas têm contato com intelectuais, representantes da mídia e escritores, entre eles Émilie Zola (André Marcon), que em 1898 neste encontro, toma maior conhecimento no caso Dreyfus e publica artigos em jornais e revistas, o mais famoso deles, J'accuse (Acuso), com o subtítulo Carta a Félix Faure, Presidente da República, publicado no jornal literário L'Aurore, leva à revisão do processo que termina anos depois da morte de Zola, onde em 1906, ocorre a reabilitação oficial de Alfred Dreyfus. Apesar do papel importantíssimo de Zola nesta história, o roteiro procura mais protagonismo ao Dreyfus isolado assim como toda a injustiça que o rodeia, mas principalmente dá destaque ao general Picquart, que tem explorado diversas camadas, desde o seu caso romântico até a sua luta pela verdade, seja o preço que isso possa custar. A atuação de Jean Dujardin também merece destaque, consegue passar um Picquart preocupado e ao mesmo tempo, sem nenhum tipo de relação com Dreyfus, o que revela ainda mais a sua inspiração. A fotografia está linda, traz um clima seco e frio ao filme que encaixa perfeitamente e ajuda a dar tensão à trama. O oficial e o espião é uma obra que consegue contar uma história que interessantemente ainda conversa muito com a realidade em que vivemos. Se Polanski não fosse Polanski, com toda certeza este filme estaria no Oscar.
    @cinemacrica
    @cinemacrica

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    3,0
    Enviada em 15 de março de 2020
    É uma obra que retrata com fidedignidade técnica momentos anteriores à eclosão da segunda guerra e traz a reflexão sobre o talento humano em ser preconceituoso. Se tiver paciências com algumas redundâncias narrativas, pode ser uma experiência válida. Caso interesse, deixei o texto completo no perfil @cinemacrica no Instagram.
    Danilo R.
    Danilo R.

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    3,5
    Enviada em 2 de abril de 2021
    Um filme um pouco lento, mais com ótimas fotografias e bons figurinos. Retrata a questão da xenofobia, filme bastante polêmico e baseado em fatos reais. Bela construção de Polanski.
    lrgb
    lrgb

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    4,0
    Enviada em 14 de março de 2020
    Muito bem feito em termos de figurino e cenários. Ótimo filme no estilo europeu. Meio lento para quem não está acostumado com os padrões europeus de dramas. Muito bem construído pelo diretor.
    Geraldo C.
    Geraldo C.

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    3,5
    Enviada em 18 de maio de 2020
    Ótimo filme. Revela a sordidez e a mesquinhez da xenofobia, daqueles que se julgam superiores. Nos faz ver e sentir o sofrimento daqueles que são atingidos por estes sentimentos que só causam repulsa.
    Fabrizio Roger Vigni
    Fabrizio Roger Vigni

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    4,5
    Enviada em 19 de maio de 2020
    Em algum casos a direção pode elevar filmes bons para outros patamares, fazendo toda a diferença. "O oficial e o espião" é o mais recente trabalho de Roman Polanski. Conta a história (real) do judeu Alfred Dreyfus, capitão do exército francês, que no final do século XIX é acusado de espionagem e recluso em uma ilha longe de tudo e de todos. O coronel Picquart, recém nomeado chefe da inteligência francesa começa a investigar o caso, crente da inocência do judeu e, deixando de lado seus sentimentos anti-semita, inicia uma luta pela justiça que o leva a enfrentar os figurões do alto escalão do exército e do governo francês. Picquart se torna assim o herói símbolo de integridade, um personagem pelo qual o espectador vai torcer naturalmente, um "Davi lutando contra tantos Golias". A história segue um roteiro que faz uso de flashbacks e onde os detalhes minuciosos contribuem a tornar a trama mais complexa e interessante, demandando plena atenção do espectador. A reconstrução da Paris da época é outro elemento de destaque do filme, assim como o figurino e a atuação de Jean Dujardin (o coronel Picquart), de Louis Garrel (Dreyfus) e Emmanuelle Seigner (sempre linda), uma das favoritas de Polanski. Se cinema de qualidade e filmes históricos são a sua praia, você não pode deixar de assistir ao "Oficial e o espião", produção ítalo-francesa de primeiríssima categoria. Ótimo!
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