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    Esperando Acordada
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Esperando Acordada

    Enquanto você dormia

    por Francisco Russo
    Por mais que não tenha o prestígio de Juliette Binoche e Isabelle Huppert, Isabelle Carré é uma das grandes atrizes francesas da atualidade, capaz de transitar entre dramas do porte de Anna M., O Refúgio e A Linguagem do Coração e também em filmes mais leves, como Românticos Anônimos e Quatro Estrelas. Talvez ainda lhe falte o grande filme, aquele pelo qual será identificada por anos, como Binoche e Huppert possuem aos montes. Esperando Acordada, mais uma vez, não se enquadra neste caso.

    Esperando Acordada - FotoAqui, Carré retorna às personagens mais ingênuas e sem medo do ridículo. Sua Perrine é absolutamente afável, seja pelo cuidado que constantemente demonstra com todos à sua volta ou pelo sentimento de culpa que a engole, ao ponto de abir mão de sua própria vida para cuidar de um desconhecido em coma, e tudo que o cerca. No fim das contas, é basicamente a isto que se resume Esperando Acordada: uma espécie de refilmagem mais adocicada (e não-oficial) do americano Enquanto Você Dormia. Nele, Sandra Bullock era uma sonhadora invisível a todos que, após um acidente que coloca um homem em coma, passa a ser confundida com a noiva dele. Aqui, Carré é uma musicista em situação bem parecida.

    A principal diferença é que, se em Enquanto Você Dormia a protagonista interagia com a família do acidentado, aqui ela prefere se manter no anonimato. Por mais que visite Fabrice (Philippe Rebbot, correto) todo dia, Perrine faz questão que as pessoas não conheçam sua identidade - fruto de sua personalidade tímida, que tantas vezes impediu que sua vida avançasse em algum sentido. O jeito meio atrapalhado, também causador do tal acidente, completa a caracterização desta personagem milimetricamente produzida para que o público se afeiçoe e torça por ela - assim costumam ser as heroínas de comédias românticas, não?

    Esperando Acordada - FotoDito isso, pouco há de novidade neste longa-metragem. A trilha sonora alegrinha, a fotografia sempre bem iluminada e o olhar carinhoso em sua personagem principal antecipam bastante o desfecho, bem previsível. Mesmo possíveis vertentes apresentadas, como o fato dela conseguir o emprego temporário no lugar onde ele trabalha, não são exploradas a fundo, de forma a não atrapalhar o tom agridoce deste romance nascente.

    Bastante morno, Esperando Acordada tem como maior atrativo o carisma e a desenvoltura da própria Isabelle Carré. Ela é quem mantém o interesse do espectador, por mais que os 83 minutos por vezes soem longos, devido aos clichês típicos do gênero. Até mesmo a presença da ótima Carmen Maura é desperdiçada, já que sua personagem possui pouca importância dentro da trama. Vale uma espiada, em uma tarde chuvosa sem ter muito o que fazer.
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