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Um dama pesado e muito bom. Emmanuelle Bercot, em atuação magnífica, vive Tony, uma mulher que após um acidente vai se recuperar numa espécie de estação de tratamento de fisioterapia e começa a rememorar seu casamento desastroso com Giorgio (Vincent Cassel) muito bem no papel. O realismo passado pelos atores te deixa um pouco angustiado e com raiva das situações, mas é exatamente esse realismo que torna o filme muito bom. Ainda existe a participação de Louis Garrel, num bom papel coadjuvante.
Filme francês grandioso que trata da relação de um casal. Os protagonistas com atuações geniais e merecidas todas indicações de prêmios. Corram.
Ótimo. Mais uma excelente atuação de Vincent Cassel ("Irreversível", "O Apartamento"), aqui como um sedutor cafajeste contracenando com uma mulher apaixonada "cegamente". A relação leva a mulher à exaustão emocional. A diretora Maïwenn (do excelente "Polissia") foi extremamente competente ao descrever a lógica emocional de cada personagem.
Uma história cheia de exageros sim, desde as brigas em vários lugares do casal até ao amor deles que parecia destruí-los e nunca acabar, mas na minha opinião não foi de forma nenhuma cansativo ou exagerado no drama ou na duração. Eu gostei e achei muito realista, os protagonistas são muito naturais na tela, da pra acreditar na relação, no amor, o início, meio e fim, porque tudo segue esse processo.
CONTÉM SPOILER
O filme é um soco no estômago,
Eu diria até cruel e brutal. O eterno dilema entre: querer amar e não querer sofrer.
A busca por uma paixão que te tire da solidão, e então encontrar-se totalmente só, no escuro.
Georgio captura a atenção de Tony desde o início. Tudo flui com muita facilidade, em uma entrega total, quase como sonho, como almas destinadas. No ápice da paixão ele pede a ela um filho, algo que nunca quis com outra mulher. A gravidez representa o momento mais entregue e vulnerável da mulher. É justo nesse momento que pequenas incongruências começam a aparecer. Sinais sutis, a preocupação de Georgio com a ex namorada. E vai escalando para atos de desrespeito confusos na cabeça da protagonista, como se os hormônios da gravidez estivessem a enlouquecendo. Agora ela luta pela família idealizada. Ela já deu a ele praticamente tudo, por que não suportar mais um pouco? Chegando ao cúmulo de pega-lo na cama com outra mulher, com o filho pequeno nos braços. Tony não luta somente pela família, pelo sonho do casal feliz, ela luta pelo Georgio que a conquistou, um Georgio que nunca existiu.
Uma paixão completamente destrutiva, mas qual o momento de parar de lutar por amor, se ainda se ama? Como se a única real razão para abandonar o amor, fosse simplesmente o deixar de amar. Tony tem a sensação de lutar sozinha, e ela passa mensagem a quem assiste.
A personagem toca a alma de mulheres que vivem o luto da quebra do amor idealizado na gravidez. A dor que dilacera, enquanto a semente desse amor ainda cresce por dentro, e quem carrega é a mulher.
Na cena do termino, quando Tony finalmente toma coragem de pedir o divórcio, usa a linda jaqueta azul que usou quando se conheceram. Azul, talvez a cor da esperança. Da esperança que o amor renasça, sem nunca ter morrido. Após sair do carro, consternada, ela berra. Georgio tem esse poder sobre ela. É a forma sútil como ele age. Em um momento dizendo que não deixará a ex, em outro dizendo que ama Tony. A constante inconstância. Que deixa zonzo quem assiste, e deixa a personagem em carne viva.
Gerogio não é um monstro por inteiro, e justamente por isso ele se torna o pior dos monstros. Ou seria Tony que permite que ele seja esse monstro, em nome de um amor doentio?
No momento atual do filme, a protagonista aparece “presa” em um centro de reabilitação para voltar a andar, uma analogia a estar presa nesta relação, sem poder seguir em frente.
Apesar de toda a dor, inconstância e ausência, quando em bons momentos, Georgio tem o poder de fazer Tony rir, de preencher o ambiente, de tornar ela e o filho, uma família completa. Como poderia Tony resistir há algo que a faz tão mal, e paradoxalmente, tão bem?
A personagem vive o dilema de saber nunca amará novamente da mesma forma, e também de saber que nunca será realmente amada como deseja, ou merece por Georgio. Como sobreviver após o fim desse amor, ou como não deixar que esse amor te destrua?
Num piscar de olhos o tempo passa, são dez anos, e as coisas parecem não ter mudado muito. Tony porém passa a tomar consciência, quando Georgio tenta chama-lá para jantar e ela recusa. Ambos discutem, chegando a parte comovente em que Tony, finalmente, parece ter tomado ciência de tudo que realmente viveu, quando ele alega nunca ter batido nela, e ela retruca “abuso emocional não dói mais do que um soco?”
Na cena final, quando Tony já está de volta da reabilitação, a professora de Simbad pergunta “como está sua perna?” Ela diz “melhor, mas ainda manco” como fosse uma alusão ao “fim” do amor. Existe ainda a cicatriz. Então Georgio entra na sala, e o olhar da personagem revela que ela nunca deixou de ama-lo, nem nunca deixará. A delicada forma como ele olha para o relógio que ele deu, no braço dela, demonstra que ele sabe que ele continua ali, deixando marcas.
O filme é um soco no estômago,
Eu diria até cruel e brutal. O eterno dilema entre: querer amar e não querer sofrer.
A busca por uma paixão que te tire da solidão, e então encontrar-se totalmente só, no escuro.
Georgio captura a atenção de Tony desde o início. Tudo flui com muita facilidade, em uma entrega total, quase como sonho, como almas destinadas. No ápice da paixão ele pede a ela um filho, algo que nunca quis com outra mulher. A gravidez representa o momento mais entregue e vulnerável da mulher. É justo nesse momento que pequenas incongruências começam a aparecer. Sinais sutis, a preocupação de Georgio com a ex namorada. E vai escalando para atos de desrespeito confusos na cabeça da protagonista, como se os hormônios da gravidez estivessem a enlouquecendo. Agora ela luta pela família idealizada. Ela já deu a ele praticamente tudo, por que não suportar mais um pouco? Chegando ao cúmulo de pega-lo na cama com outra mulher, com o filho pequeno nos braços. Tony não luta somente pela família, pelo sonho do casal feliz, ela luta pelo Georgio que a conquistou, um Georgio que nunca existiu.
Uma paixão completamente destrutiva, mas qual o momento de parar de lutar por amor, se ainda se ama? Como se a única real razão para abandonar o amor, fosse simplesmente o deixar de amar. Tony tem a sensação de lutar sozinha, e ela passa mensagem a quem assiste.
A personagem toca a alma de mulheres que vivem o luto da quebra do amor idealizado na gravidez. A dor que dilacera, enquanto a semente desse amor ainda cresce por dentro, e quem carrega é a mulher.
Na cena do termino, quando Tony finalmente toma coragem de pedir o divórcio, usa a linda jaqueta azul que usou quando se conheceram. Azul, talvez a cor da esperança. Da esperança que o amor renasça, sem nunca ter morrido. Após sair do carro, consternada, ela berra. Georgio tem esse poder sobre ela. É a forma sútil como ele age. Em um momento dizendo que não deixará a ex, em outro dizendo que ama Tony. A constante inconstância. Que deixa zonzo quem assiste, e deixa a personagem em carne viva.
Gerogio não é um monstro por inteiro, e justamente por isso ele se torna o pior dos monstros. Ou seria Tony que permite que ele seja esse monstro, em nome de um amor doentio?
No momento atual do filme, a protagonista aparece “presa” em um centro de reabilitação para voltar a andar, uma analogia a estar presa nesta relação, sem poder seguir em frente.
Apesar de toda a dor, inconstância e ausência, quando em bons momentos, Georgio tem o poder de fazer Tony rir, de preencher o ambiente, de tornar ela e o filho, uma família completa. Como poderia Tony resistir há algo que a faz tão mal, e paradoxalmente, tão bem?
A personagem vive o dilema de saber nunca amará novamente da mesma forma, e também de saber que nunca será realmente amada como deseja, ou merece por Georgio. Como sobreviver após o fim desse amor, ou como não deixar que esse amor te destrua?
Num piscar de olhos o tempo passa, são dez anos, e as coisas parecem não ter mudado muito. Tony porém passa a tomar consciência, quando Georgio tenta chama-lá para jantar e ela recusa. Ambos discutem, chegando a parte comovente em que Tony, finalmente, parece ter tomado ciência de tudo que realmente viveu, quando ele alega nunca ter batido nela, e ela retruca “abuso emocional não dói mais do que um soco?”
Na cena final, quando Tony já está de volta da reabilitação, a professora de Simbad pergunta “como está sua perna?” Ela diz “melhor, mas ainda manco” como fosse uma alusão ao “fim” do amor. Existe ainda a cicatriz. Então Georgio entra na sala, e o olhar da personagem revela que ela nunca deixou de ama-lo, nem nunca deixará. A delicada forma como ele olha para o relógio que ele deu, no braço dela, demonstra que ele sabe que ele continua ali, deixando marcas.
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