Eu vou falar logo de cara: esse filme é FANTÁSTICO! Eu tenho ouvido coisas ótimas sobre ele. E eu queria muito, MUITO mesmo assisti-lo. E valeu a pena esperar, porque "Whiplash - Em Busca da Perfeição" me deu tudo que eu esperava. Eu não me senti tão emocionado e tenso com nenhum filme de 2014. E você pode achar que tocar bateria não é nada tenso ou emocionante, mas esse filme fez uma apresentação parecer algo desesperador.
Miles Teller no papel principal, eu nunca achei que diria isso, mas ele está se tornando um ótimo ator. Ele sempre foi aquele mesmo adolescente em todos os filmes que ele fez, mas em "Whiplash - Em Busca da Perfeição" ele dá uma ótima e emocionante performance. E J. K. Simmons... holy shit, ele está em chamas nesse filme! Ele foi, com certeza, o personagem mais desagradável que eu vi em filmes em um bom tempo. Mas ele é aquele tipo de desagradável que a gente não consegue não gostar de ver na frente da câmera, sabe? Porque a performance é incrível, o script dele é incrível, a forma que ele dá vida ao script é incrível. E o personagem dele levanta uma questão muito interessante sobre os seus métodos. Se ele conseguiu do Andrew o resultado que ambos queriam, os métodos dele ainda são questionáveis? Os fins justificam os meios? Fica aí o alimento para a mente.
Além disso, o filme levanta interessantes pensamentos sobre gostar muito de alguma coisa e a dificuldade de expressar o quanto nós gostamos daquilo. E foi isso que fez com que eu me identificasse tanto com o Andrew. Música é a paixão dele, e ele não consegue expressar para a sua família a importância que ela tem na vida dele. Para eles, parece superficial, parece apenas um hobby. E quando eu era pequeno, era difícil expressar o quanto eu gostava de filmes, livros, games e séries. Era difícil expressar o quanto eu preferia estar em um mundo fictício, ao invés de ficar preso na realidade. Era frustrante as pessoas não entenderem que eu assistia o mesmo filme várias vezes pelo simples fato de que, para mim, não era apenas imagens, e sim um lugar especial para o qual eu podia ir e esquecer o tédio da realidade.
E é essa a maior questão que o filme levanta. Hoje em dia, é muito difícil você falar que gosta de algo muito mais do que como uma simples forma de entretenimento. É difícil falar que você gosta de algo como uma forma de arte. As pessoas não aceitam facilmente quando você vê em algo muito mais do que as outras pessoas veriam. As pessoas não aceitam ou acham fútil, superficial e sem noção alguém ser devoto ou fascinado por uma forma de arte.
Voltando ao filme em si, algo que eu gostaria muito de dizer é que "Whiplash - Em Busca da Perfeição" é brilhantemente dirigido. O uso de foco nesse filme é o que torna ele tão emocionante. E a escolha do Miles Teller para o papel do Andrew foi perfeita, porque ele realmente toca bateria desde pequeno. E se outro ator que não soubesse tocar bateria estivesse no lugar dele, o personagem não teria sido tão perfeito. E Damien Chazelle, diretor do filme, fez um ótimo trabalho em fazer com que nós nos apegássemos no Andrew, nos colocássemos no lugar dele, sentíssemos as emoções que ele estava sentindo.
Em muito tempo, eu não me senti tão tenso quanto eu me senti durante as apresentações do Andrew, principalmente a última. E o final desse filme literalmente me deixou sem palavras. Como eu disse, o uso de foco em "Whiplash - Em Busca da Perfeição" é o que o torna tão emocionante. E a última troca de olhares do filme, segundos antes do fim, foi um dos momentos mais satisfatórios que eu já tive em filmes. Em uma simples troca de olhares, o diretor e os atores nos mostram tudo que nós queríamos e esperávamos. A sensação de realização que eu tive naquele momento foi impagável.
O único problema que eu tive com o filme foi... nenhum. É muito raro eu falar isso, mas "Whiplash - Em Busca da Perfeição" é, coincidentemente, um filme PERFEITO. Eu não tenho nenhuma reclamação a respeito desse filme, nenhuma mesmo. E é por isso que ele recebe uma muito mais do que merecidíssima nota 5 de 5.