Whiplash - Em Busca da Perfeição: Críticas - Página 6
Whiplash - Em Busca da Perfeição
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Marcio M
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4,5
Enviada em 20 de julho de 2015
Fui ver o filme esperando aqueles motivacionais sabe? rs Onde o protagonista luta e no fim tudo fica lindo a maravilhoso etc etc Acabei recebendo um choque de realidade dos grandes, o filme "te derruba" mostrado como as pessoas e a vida podem ser bem cruéis e como alcançar um sonho não é essa fábula bonita que contam por aí... Fazia tempo que não me empolgava com um filme dessa forma, me importar tanto com um personagem, semelhante ao que acontece com minhas séries preferidas. Ah, uma dica, se não gosta do som de bateria, nem tente ver o filme. ;)
Visceral, angustiante e acima de tudo espetacular, Whiplash é uma experiência excepcionalmente diferenciada Whiplash foi o melhor filme de 2014. Curto e grosso. Melhor que Birdman, muito melhor que Boyhood, melhor que qualquer outro filme. O problema é que poucas pessoas assistiram essa obra de arte incrível e por isso sinto o dever de prestar uma homenagem a ela aqui. Tudo nesse filme é feito com perfeição. As atuações são excelentes, a música é incrível, o roteiro é inteligente e a trama obriga o espectador a discutir e pensar sobre as ideias que o filme apresenta. A obra mostra a história de Andrew, um jovem que quer ser um baterista profissional e para isso, ingressa em uma escola para músicos supertalentosos. Na escola ele acaba sendo selecionado para tocar na banda principal cujo regedor é Fletcher (a incrível performance de J.K Simmons nesse papel o fez ganhar o Oscar), um professor obcecado com a perfeição que crê que a única maneira de fazer alguém atingir o melhor de si é levar essa pessoa até seu limite. A brutalidade de Fletcher e o efeito dela em Andrew (potente e surpreendente performance de Miles Teller) são retratadas de modo intenso no filme. Aberto para diversas interpretações filosóficas e contando com um dos melhores finais de filme de todos os tempos, Whiplash só pode ser descrito como uma obra-prima (esse foi inclusive, o termo que críticos mais usaram para descrever o filme). Uma exploração sobre educação é provavelmente o verdadeiro motivo de existência desse filme. Será que a única maneira de chegar a perfeição é ir ao seu limite físico e psicológico e só assim dedicar-se totalmente a algo, submeter-se a isso e apenas isso? Não existiriam maneiras mais simples ou maneiras menos dolorosas de atingir seus objetivos? Essas questões são exploradas nesse filme que pode e deve ser assistido por qualquer tipo de espectador. Esse é um filmes que causam uma enorme quantidade de impacto após sua visualização. A intensidade, potencia e brutalidade (algumas das cenas do filme sao simplismente inesqueciveis) dessa obra deixará marcas no espectador por um bom tempo.
Um filme que deixa você preso a perspectiva do protagonista, uma fotografia muito boa, roteiro excelente, e atuações impecáveis do Miles Teller e Simmons, faz você pensar muito sobre os objetivos que todos nós buscamos ao longo da vida, fora que a trilha sonora é demais!! Recomendo.
Filmes que envolvem música são frequentemente atraentes e contagiantes, mas apesar de boa trilha sonora, Whiplash não se apega inteiramente ao apelo musical e foca em outros aspectos. Um filme sobre aprendizado e superação corre o risco de ser caracterizado pelo clichê do resultado, mas Whiplash supera esse ponto, não pelo desfecho fugir ao clichê, mas pela construção, pela trajetória que ressalta a complexidade do comportamento humano e sobre como estimula (ao menos a mim) o espectador refletir sobre temas como vontade, limite e superação. A dupla de protagonistas entregam ao filme atuações primorosas e conseguem transmitir "verdades" sobre o que cada personagem esta fazendo, o anseio pela superação do aluno e a necessidade de perfeição do professor. Um filme intenso, tocante, por vezes revoltante, mas definitivamente fascinante ao se deixar envolver-se pela história e não buscar a todo momento prever a próxima cena. Numa análise superficial e linear é um filme como qualquer outro e previsível, mas ao se permitir empatia para com os personagens, Whiplash realmente vai além, deixa se ser apenas entretenimento e se torna arte.
Mais uma vez a “Psicologia do Insulto” adentra o cenário de Hollywood, dessa vez não mais na pele de R. Lee Erney de “Nascido para Matar” do saudoso Stanley Kubrick. O personagem de J.K Simmons vive um ditador da perfeição em “Whiplash – Em busca da Perfeição”, filme dirigido e roteirizado pelo estreante Damien Chazelle. O drama musical que envolve o longa é bem semelhante a outros trabalhos contemporâneos, digamos que “Cisne Negro” do Aronofsky chega bem próximo, no que tange suor, sangue e perfeição. No filme, Milles Teller vive o baterista de jazz Andrew Neiman, que estuda no conceituado conservatório musical, Shaffer, uma versão fictícia da Julliart School (Ela dança, eu danço), sua busca pela perfeição o faz abrir mão de tudo (inclusive namorada), e o leva direto ao temido professor Terrence Fletcher (J.K Simmons) que utiliza de métodos nada ortodoxos para forçar os alunos a alcançarem o ritmo perfeccionista em suas performances. Fletcher é o tipo de maestro que cria zonas de conforto para estabilizar seus alunos, e logo após, destila bombardeios de ofensa cataclísmicos, buscando a humilhação total em prol da superação artística. Sua missão é criar lendas do Jazz, nem que para isso tenha que esfolá-los vivos como porcos. Chazelle utilizou-se da bateria, de forma proposital, buscou em seus enquadramentos detalhar a claustrofobia e insanidade presente no músico e seu instrumento, são cenas de delírio e autoflagelação, onde o músico fica com os dedos calejados, mutilados de ensaios exaustivos. A perfeição só pode ser alcançada através da dor. O foco do diretor, desde o início é externar uma sociedade “Superprotetora” que zela pelo politicamente correto, daí contrapor “os tapas” que Fletcher destila em seu pupilo, como uma forma de protesto ao mundo atual. Whiplash vai além de um filme sobre um Jazz estereotipado, onde saxofonistas, trompetistas e pianistas são o centro das atenções, aqui é o calor pulsante e frenético dos pedais, bumbo e pratos que dão o swing as canções de “Caravan” de Duke Ellington e “Whiplash” de Hank Levy. Em seu gran finale, Chazelle demonstra o “por quê” de um roteiro bem amarrado no instrumento, com um solo primoroso e perturbador da virtuosidade que transgride a dor e a humilhação. Perfeito!
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