Filmes de super-herói estão ficando cada vez mais comuns, só esse ano tivemos uns vinte e a maioria deles seguem a mesma formula e pouco se esforçam para apresentar algo novo e diferente, acredito que por medo do publico não querer ver nada fora da zona de conforto e já que todas as outras comédias deram certo não faz sentido fazer algo que fuja disso. Thor: Ragnarok é um grande exemplo, depois de um filme em 2015 chamado O mundo sombrio (que já não era tão sombrio assim), os produtores da Marvel estúdios resolvem chutar o balde e trocar o sombrio pelo cores, muitas cores e dar um tom totalmente diferente dos outros filmes do Cabeludo Nórdico.
Thor é aprisionado em um planeta distante e precisa fugir de lá o quanto antes para impedir que sua terra natal seja destruída por uma vilã sinistra.
E quem que eles chamaram para comandar essa nova roupagem do personagem? Ninguém menos que Taika Waititi, diretor da diferente comédia romântica Loucos Por nada (2007) e do super engraçado O que fazemos nas sombras (2014), é um cara que sabe dirigir comédias e aqui ele se sai muito bem fazendo um humor bobinho e divertido que consegue tornar até as piadas mais sujas um pouco mais leves e acessíveis. Sem contar que ele se mostra bem a vontade dentro desse universo blockbuster e consegue criar uns ângulos muito interessantes. Como a câmera que filma os personagens através do reflexo do chão e as sequências de ação que são bem orquestradas focando muito nos movimentos dos personagens que estão saindo bastante no soco aqui. Com um bom uso de efeitos especiais e embalados por uma música da Led Zeppelin, quer algo melhor que isso?
O primeiro ato do longa é muito acelerado, todas as pontas soltas do filme anterior são resolvidos em um piscar de olhos. Da a impressão que eles estavam pensando em seguir uma linha e resolveram mudar de rumo, ficou um tanto forçado e isso afetou também a parte mais emocional do longa. Simplesmente não sentimos a dor de alguns personagens como não sentimos o fato de uma civilização estar a beira da destruição. Claro, esse segundo se perde muito por conta de todo esse universo rico que é Asgard não ser nada explorada nos filmes anteriores fazendo o publico estar totalmente nem ai pra iso, triste. Mas levando em conta que a proposta do longa não é sentimentalismo, da pra entender o motivo esses elementos mal explorados. Ainda assim seria legal de ver mais do povo daquela terra isso poderia ter diminuindo muita das piadas mais forçadas que mais causam sorrisinhos forçados do que gargalhadas. E não pensem que estou me contradizendo, o filme é sim engraçado, mas na tentativa de jogar piadas o tempo todo, acabam que nem todas funcionam.
O elenco não poderia estar melhor, Chris Hemsworth está muito bem como Thor e tem um química muito bom com o Hulk (Mark Ruffalo), os dois juntos formam uma dupla cômica impagável. Tessa Thompson faz uma guerreira forte e badass convincente, e o filme chega a flertar com uma quedinha entre ela e o Thor, mas nada que chegue a desenvolver, ainda bem porque um romance aqui teria quebrado o clima. Tom Hiddleston como Loki continua carismático, já estava com saudades dele.
Cate Blunchett como a Deusa da morte Hela está canastrona, mas no bom sentido.Pensem em uma mistura de Rita Repulsa do último filme dos Power Rangers ( se Elizabeth Banks estivesse melhor) com Cruela dos 101 Dálmatas e a Malevola da Disney e juro que isso é um elogio, Cate sabe onde esta pisando e salva um personagem que poderia ter sido um fracasso nas mãos de outra atriz.
Nem sentimos a ausência da Natalie Portman, vamos combinar que sua personagem era um desperdício de talento.
Thor: Ragnarok não sai fora dos padrões da Marvel. Mas o fato do filme ser assumidamente uma comédia blockbuster nos faz ignorar qualquer falta de aprofundamento em situações que poderiam enriquecer mais a trama, tornando assim um filme engraçado e muito empolgante.