Mogli - O Menino Lobo
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4,3
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Daniel M.
Daniel M.

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4,0
Enviada em 28 de novembro de 2016
Jon Fraveau faz um trabalho primoroso na direção desse filme, mt bem filmado e fotografado, efeitos especiais de primeira linha que não engolem o filme, trás a sensação de que vc está realmente dentro de uma selva. Além de personagens carismáticos e cativantes, o menino Mogli foi feito pra esse filme, ele sustenta mt bem a história, o urso Balú é maravilhoso e não fica restrito a ser apenas um alívio cômico, e o tigre Sherikan me arrisco a dizer que é o melhor vilão desse ano. Quando o filme necessita de momentos mais dramáticos ele da uma decaída, tbm senti falta de uma melhor sintonia na amizade entre Balú e Mogli no final do filme, mas não é nada que estrague o conjunto como um todo. E claro o clássico "Somente o Necessário" completa essa fábula encantadora.
Nikolas r.
Nikolas r.

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4,0
Enviada em 16 de maio de 2016
A Disney acertou nos efeitos, mas a obra de Rudyard Kipling foi melhor exposta na telona nos anos 1940. Quem assistiu o original, saberá . A história de Mogli é muito utilizada como referência às leis da sobrevivência no Escotismo, porém apresentada na versão desenho animado. Quando eu emprestei meu dvd com a versão de 1942 à um Grupo de Escoteiros, foi um sucesso. Eles não sabiam que havia um filme sobre Mogli. Hoje o cinema está infantilizado.
ROSA I.
ROSA I.

3 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 1 de maio de 2016
Gostei muito do filme achei MT top o enredo e os personagens só queria q tivesse sido outro ator do mogli ao invés daquele
Pedro S.
Pedro S.

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5,0
Enviada em 8 de setembro de 2017
Melhor Filme De 2016,Efeitos Ótimos, Dublagem Nacional e Internacional Perfeita,Para Quem Não Assistiu Tenho Uma Dica "ASSISTA"
Lucas  C.
Lucas C.

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3,5
Enviada em 3 de setembro de 2016
O filme tem uma história nostálgica, varias cenas tem influencia da animação. A historia se base-a na obra original, mas tem suas novidades. Muito bom o filme, mais uma vez a Disney mexendo na nossa infância
Danilo B
Danilo B

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4,0
Enviada em 16 de abril de 2016
Mogli o menino Lobo
Disney, Disney você me mata do coração, pelo amor de santo cristo vai fazer filme bom lá em hollywood. Esse filme não é só o live-action do grande sucesso em desenho animado de 1967 é uma aventura totalmente nova, o desenho se tornou algo real e palpável.
Os animais feitos por computação gráfica são o espetáculo do filme, que decidiu usar os movimentos mais simples dos mesmo, os pelos são extremamente bem cuidados, a floresta toda é muito bem cuidada cada pedaço é muito preciso, a historia gira em torno do fato do filhote de homem estar no meio dos animais, criado por lobos Mogli se aventura na floresta sem contato nenhum com humanos criado como lobo, o filme retrata muito as regras que os lobos seguem e até mesmo os animais como o equilíbrio é importante até nos momentos difíceis.
Claro que o filme tem suas escorregadas como por exemplo a falta de explicação de como Mogli sabe todas as línguas dos animais? Os animais falam a mesma língua? E o por que alguns não falam? Isso o filme não explica e nem se preocupa em falar sobre isso não tendo importância na historia.
É incrível como uma historia do século 19 ainda nos encanta essa não será a única aventura na floresta que a Disney vai apresentar esse ano lembrando que ainda teremos o live-action de Tarzan outro grande sucesso.
Não deixe de curti Mogli o menino lobo aqui no Buriti Rio verde é um filme incrível para toda família pois as crianças vão se encantar com os animais e os adultos se lembrarem da nostalgia que o filme lhes trás.
walksxi
walksxi

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4,5
Enviada em 20 de abril de 2016
Fiquei pensando seria tão emocionante e eletrizante se tivéssemos uma abertura tão marcante que nem foi Tarzan (1999). Mas em Mogli: O Menino Lobo (2016) isso não acontece. Por quê? Bem, acredito que a chave pra esse pergunta é a trilha sonora. Nas animações ela anda numa linha tênue com as feições e gestos que dribla de um jeito que o faz mágico. Pois não há limites. Não há pretensão. E o que acontece no filme live-action é ao contrário. Existe limitações, é tudo muito real. Esse realismo digital, é o porto forte desses longas. Não digo que todos os filmes recapitulados de animações são ruins. Não mesmo, existe vários bons, mas o que acontece é que não conseguem trazer essa sensação mágica e cativante das animações. Mas não sou de todo mal, teve uma cena que logo me veio a cabeça; ''Put your faith in what you most believe in, Two worlds, one family,Trust your heart'' vontade de gritar foi imensa.

Aventura começa com uma empolgante perseguição de lobos atrás do garoto pela selva. Mogli é um filhote de homem, todos em sua matilha o veem dessa maneira. Mas ainda sim o consideram um lobo, parte do bando. Já que o criaram desde de pequeno. Só repudiam seu jeito homem de ser. Muitas das vezes é repreendido, - esse não é o jeito que Lobos fazem - o que o deixa se sentindo impotente. Uma matilha de Lobos é muito hierárquica e valorizam muito a lealdade e instinto familiar, que muitas das vezes é visto com frieza. Tudo para manter a alcateia em segurança.Com tudo isso
, não é de admirar que matilhas de lobos por todo o mundo tenham sobrevivido e continuado juntas por milhares de anos.

Mas os lobos aqui são romantizados. Não me surpreende já que é um remake de um desenho infantil da Disney de 1967, o último longa que o Walt Disney dirigiu. Que foi baseado no livro The Jungle Book do autor inglês Rudyard Kipling. Já Mogli: O Menino Lobo (2016), tem direção de Jon Favreau diretor da trilogia 'O Homem de Ferro'

O enredo é bem construído e tem um desenvolvimento interessante que nós prende atenção. Longa é absurdamente digital, o realismo é imenso e remete muito bem a selva, o tom escuro deixa tudo mais vivo, selvagem e instigante. Dizem até que é o novo Avatar, em questões visuais.

Mogli (Neel Sethi) não está sozinho nessa aventura, ele é fragilizado e ingênuo é um garoto da selva, que nela busca autoconhecimento. Com isso temos a pantera Bagheera (Ben Kingsley) que se encarrega de proteger ele desde de pequeno, sendo sua mentora. Balu (Bill Murray) um urso bem característico, com personalidade bem humana, há quem se identifique. Balu é tão importante pra Mogli que o mesmo dá á ele uma nova visão da selva, e o funcionamento dela. Raksha (Lupita Nyong'o) é uma mãe mas antes de tudo, membro de uma matilha, o amor maternal genuíno dela para com o Mogli não pode ser questionado. Shere Khan (Idris Elbab) temido e orgulhoso, um tigre que carrega cicatrizes causadas por caçadores, promete eliminar o que ele considera uma ameaça, ele não desistira enquanto não tiver o Mogli, o filhote de homem. Nessa aventura cativante o menino-lobo se encontra com especies perigosas e de grande ambição como a cobra e sedutora Kaa (Scarlett Johansson) e o Rei Loiue (Christopher Walken) que é tão magnifico que chega a assustar.

O homem é visto pelas especies dominantes da savana africana como o que -destrói tudo o que toca- , por isso a opressão que Mogli sofre. Homem nada mais é um caçador que está no topo de todas as especies. São temidos pela sua Flor Vermelha, o fogo, que o faz onipotente. Pois ela quando usada se alastra em quilômetros e devasta tudo. Uma ótima critica, ao ego do ser humano. Algo interessante, bem ilusório abordado no longa é que o fogo e a seca da água são os únicos motivos que cessam os instintos de caça dos animais. Pois sobreviver, e ter aguá é mais importante que a caça, o hábito de se alimentar.

O que mais me emocionou no filme foi os Elefantes, sim adoro esses primatas, não tenho como esconder esse amor. Esses seres majestosos são vistos no filme por todos como uma espécie magnífica que merecem até reverenciamento. Teve uma cena em especial que me deixou estarrecido. Não direi pra não estragar esse momento que espero que vocês tenham.

Não deixem de ver Mogli: O Menino Lobo no cinema, o elenco está impecável. Aventura introspectiva do garoto é cativante e muito bela visualmente. Permita-se!

Nota: 8,5/10
bilbo
bilbo

1 crítica Seguir usuário

3,5
Enviada em 30 de maio de 2016
Mogli o menino lobo é um bom filme que é resultado dos últimos sucessos da Disney em live-action como:Malévola,Cinderela,etc...Ele é um reboot do desenho original muito bem feito,a tecnologia que é usada no filme é de arregaçar os olhos,ele é um filme ótimo para ver em família,porém o que perde um pouco de seu brilho é que algumas horas a história fica repetitiva e vários personagens não são bem aproveitados,um exemplo é a cobra kaa que é dublada pela nossa viúva negra que basicamente não tem nem 10 minutos em tela.
Um destaque é a dublagem original,vários atores famosos foram convidados para a dublagem e o resultado é muito positivo,já os dubladores brasileiros eu achei que ficou apenas razoável,mas poderia ser bem melhor.
este é um filme para ver em 3d no melhor cinema da sua cidade,pois a profundidade fica igual o Mogli-animal.
Wallace Guilherme
Wallace Guilherme

1 crítica Seguir usuário

1,5
Enviada em 20 de fevereiro de 2020
Os Livros da Selva é uma coletânea do universo criado por Rudyard Kipling (1865 - 1936) que foi publicado separadamente. Os dois Livros somam o total de quinze contos. Este filme adapta (ou ao menos tenta adaptar) de uma forma bastante recortada alguns contos que têm Mowgli como protagonista (importante ressalvar que não são todos os contos de Os Livros da Selva que têm o menino lobo como protagonista, alguns sequer se passam na Selva, ex: A Foca Branca, conto de número 4 na edição Clássicos da Zahar). Eu percebi inspirações no conto "Os irmãos de Mowgli", o primeiro do universo do Kipling, "A Caçada de Kaa", que narra o sequestro de Mowgli pelo Bandar-logo, o Povo Macaco, e "Como surgiu o Medo", o conto mais mitológico em minha opinião, que narra o período de seca da Selva que os animais chamam de Trégua da Água. Em minha crítica, irei estabelecer algumas comparações do filme com a obra original do Kipling com objetivo de defender a opinião de que: enquanto um filme de animação, é um filme muito bem produzido, dirigido e criado, porém, enquanto adaptação cinematográfica de uma obra literária, deixou tanto a desejar, de tal forma que me faz acreditar que trata-se mais de uma adaptação da animação da própria Disney de 1967 do Wolfgang Reitherman do que uma adaptação da obra de Kipling, como veremos mais à frente. Para estabelecer essas comparações, utilizarei o meu exemplar de Os Livros da Selva: contos de Mowgli e outras histórias, da editora Zahar, publicado no ano de 2016, traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
Nota IMPORTANTÍSSIMA: compreendo e sou da opinião de que cinema e literatura são artes distintas e que possuem linguagens diferentes; também concordo que nenhuma adaptação é 100% fiel à obra literária, nem mesmo o tão renomado O Senhor dos Anéis; porém, quando usa-se o nome de um autor como fonte e principalmente sua obra como inspiração, é necessário o devido respeito à propriedade intelectual e criadora, não somente por questões jurídicas, mas por questões éticas. Sob esta premissa, vamos às comparações.
ATENÇÃO: Como trata-se de uma análise do filme, recomendo que a crítica seja lida somente por pessoas que já assistiram o filme. Se você também leu o livro e é um admirador da obra do Kipling e do que ela representa, será uma leitura ainda mais profunda.
O filme tem uma animação muito bonita; não entendo de cinema em termos técnicos, mas sem dúvidas trata-se de uma película bastante agradável de se assistir. Fora a animação de altíssima qualidade, as cores, personagens e músicas fazem do filme bastante agradável de se ver e rápido de assistir também. Incomoda-me em um filme que possui uma proposta infantil (a recomendação aqui no Brasil é para maiores de 10 anos de idade) hajam os famigerados Jump-scare. Imagine você sentado na sala assistindo com seu filho uma cena do Mowgli em um pasto verde e calmo e de repente BAM! Um tigre salta de trás da tela rugindo e fazendo um estardalhaço enorme. O recurso de jump-scare é, até mesmo em filmes adultos como no gênero de terror e suspense, considerado um recurso de baixa qualidade e previsível. Contei ao todo dois jump-scares no filme.
Em uma das primeiras cenas do filme vemos Mowgli, já na idade de menino (idade esta que permanece durante todo o filme. No último conto do Kipling, "A Corrida da Primavera", ele já possui dezessete anos), assistindo uma assembléia dos lobos, que discutem se sua presença na alcateia deve ou não ser tolerada. Aqui já podemos perceber uma mudança drástica na história original: nos livros, Mowgli simplesmente aparece onde a alcateia Seonee vive, não levado por Bagheera como no filme retrata um pouco mais a frente. Akela e o lobo que criou Mowgli são dois lobos diferentes, não o mesmo: este último aparece nos contos com o nome de Pai Lobo apenas. Akela em hindi significa solteiro, solitário, o que não faz sentido colocá-lo como pai de Mowgli e dono de uma família. A intimidação do tigre Shere Khan provoca aos lobos foge do nosso autor britânico da mesma forma: enquanto que no filme o tigre não apenas mata Akela com um único golpe mas domina toda o bando, nos livros ele é intimidado pelos caninos.
"[...] Shere Khan talvez tivesse enfrentado Pai Lobo, mas não desafiaria Mãe Loba, pois sabia que, ali onde estava, ela tinha a vantagem do terreno e lutaria até a morte. Por isso voltou atrás, rosnando ao deixar a boca da caverna [...]" (KIPLING, p. 33).
Bagheera e Shere Khan travam uma batalha durante a escolta de Mowgli em retorno para a vila dos homens; nos livros, essa luta nunca aconteceu.
Ao encontrar com os elefantes, a pantera negra pede para que Mowgli se ajoelhe e o informa da importância desses terríveis elefantídeos na criação e manutenção da Selva. Esse aspecto deve ser parabenizado por ter sido incorporado no filme: Kipling retratou os elefantes como a força criadora da Selva, e sendo Hathi, O Silencioso, o mais antigo deles. Embora a curtíssima cena tenha deixado implícito a importância dos elefantes, senti falta do personagem de Hathi, que é de suma importância em todos os contos que ocorrem na Selva.
"[...] Quando Hathi, o elefante selvagem, que vive cem anos ou mais, viu uma longa e esguia faixa de rocha seca bem no meio do rio, entendeu que estava olhando para a Pedra da Paz e, na mesma hora, ergueu sua tromba e proclamou a Trégua da Água, como seu pai antes dele havia proclamado cinquenta anos atrás." (KIPLING, p. 185).
"[...] Shere Khan foi embora sem ousar rosnar, pois sabia, assim como todo mundo, que, no final das contas, Hathi é o Senhor da Selva" (KIPLING, p. 191)".
O antagonismo inexistente de Kaa: a temível Píton é apresentada no filme como uma vilã que, após revelar a história de Mowgli para ele, tenta devorá-lo. Este personagem também foi desconstruído e teve sua personalidade alterada, assim como vários outros, que comentarei mais à frente. Nos livros, a píton é vista como um animal sábio e astuto, mas que respeita Mowgli como o Senhor da Selva que ele se tornou. A primeira vez que ele é mencionado na obra é no conto "A Caçada de Kaa", aquele citado mais acima, que retrata o sequestro de Mowgli. Percebendo sua incapacidade de perseguir o Bandar-Log, o Povo Macaco, Baloo e Bagheera decidem pedir ajuda à píton em troca de alguns cabritos. Após relembrar Kaa de que o Bandar-log costumava chamá-lo de perneta, minhoca amarela, a pantera e o urso acabam convencendo a píton a se unir à eles na caçada aos macacos para resgatar Mowgli. O antagonismo de Kaa no filme pode ter várias explicações (que infelizmente só nos seriam acessível diretamente pelo diretor ou roteirista), porém, me parece que colocar uma cobra como vilã é um reforço de um esteriótipo medíocre. A cobra malvada. Não, sr. Favreau, isto não existe no universo de Kipling. Muito embora astuto e um caçador destemível, Kaa não apenas ajuda nesse conto em específico como também em "Cão Vermelho", quando auxilia Mowgli na batalha contra dos lobos contra os cães vermelhos, chamados de dholes (inclusive, é nesse conto que Akela morre devido à feridas causadas na batalha contra os dholes, diferentemente da sua morte estúpida no filme com uma só mordida de Shere Khan, o que nos demonstra uma ideia bastante frágil de um lobo alfa que deveria estar a frente de sua alcateia e portanto, se o mais forte entre todos os lobos. Akela morre com pelos brancos como neve, ressaltando sua idade avançadíssima). Neste conto, Kaa fornece a Mowgli ideias de como combater e sair em vantagem contra os dholes, além de protegê-lo no rio durante o seu percurso e ser também ativo no plano de Mowgli para emboscar os dholes na toca das abelhas, etc etc.
Nem é preciso informar que não, Baloo não salvou Mowgli de ser comido por Kaa em Os Livros da Selva. Ainda no primeiro conto, "Os irmãos de Mowgli", o Conselho da Alcateia está decidindo o destino do filhote de homem. A Lei da Selva, código de ética e moral que rege a todos os povos livres com exceção do Bandar-log, intercede a favor de Mowgli:
"Pois bem, a Lei da Selva dispõe que, em caso de disputa do direito sobre um filhote a ser aceito pela alcateia, pelo menos dois membros, além do pai e da mãe, devem interceder ao seu favor." (KIPLING, p. 35). Adivinhe quem fala por Mowgli além dos seus pais lobos? Isso mesmo. O velho Baloo, encarregado de ensinar a Lei da Selva para os filhotes, fala em nome do menino. Sendo assim, falta apenas mais um voto. Baloo era o único fora da alcateia que tinha direito de falar no Conselho; sendo assim, restava convencer um lobo entre a alcateia para que Mowgli fosse aceito.
Porém, não foi isso que aconteceu: Bagheera intercede e, não podendo votar por não ser parte da Alcateia Seonee, argumenta em cima da Lei da Selva:
" - Ó Akela, ó Povo Livre - ronronou -, não tenho voto na assembléia de vocês, mas a Lei da Selva diz que, não se tratando de um caso de morte, se existe uma dúvida quanto a um novo filhote, a vida dele pode ser comprada por um certo preço. E a lei não diz nada sobre quem pode ou não pagar esse preço. Estou certo?
[...] - Agora, além do voto de Baloo, acrescento um touro, e um bem gordo, que acabei de matar a menos de um quilômetro daqui, para que o filhote de homem seja aceito de acordo com a lei. Seria possível?" (KIPLING, p. 35 - 36). Oferta esta que o Povo Livre aceitou prontamente. Concluímos, portanto, que Baloo não apenas conheceu Mowgli desde sua chegada na Alcateia Seonee, mas foi o responsável, junto com Bagheera, por sua aceitação na alcateia. Esta alteração no roteiro do filme pode ser explicada pelo fato de que a linguagem do cinema requer algo mais dinâmico e rápido que os detalhes da literatura. Foi a forma do Favreau contar como Mowgli chegou na Selva e introduzir Baloo no filme, dois coelhos em uma cajadada só, como dizem por aí.
"E foi assim que Mowgli entrou para a Alcateia dos Lobos de Seeonee, ai preço de um touro e graças às palavras favoráveis de Baloo." (KIPLING, p. 37) A ausência nos filmes desse aspecto da história faz com que a obra tenha um déficit e deixe de retratar uma parte bastante importante nos contos de Kipling: as reflexões filosóficas por trás do conto, tais como: o valor de uma vida entre os lobos, o conceito de moralidade (certo e errado), o valor de um homem, a questão da Lei da Selva sendo usada na prática (o que no filme não passa de uns versos engraçados que são recitados em uma decoreba), etc.
A mudança da personalidade de Baloo no filme é o que mais me irrita nessa adaptação: nos contos de Kipling, Baloo é o professor da lei da selva, como citei mais acima, e no filme, quando ele pergunta a Mowgli se os lobos cantam, o menino responde negativamente e recita para ele a Lei da Selva (dialogo que acontece no minuto 40 do filme, aproximadamente) , Baloo responde "Aí, isso não é uma canção. É um monte de regra!" FAVREAU, AMADO??
Transformar o professor da Lei em um urso trapalhão reforça o fato de o filme ser uma adaptação do filme da Disney, como citei mais acima, e acabou empobrecendo o roteiro no que diz respeito aos conceitos profundíssimos que Kipling introduz através de Baloo, desde a importância da sociedade e união (no conto "A Caçada de Kaa"), as lições que acompanharam a educação do garoto desde que ele tinha entre onze e quinze anos e até mesmo os detalhes da própria Lei da Selva, que no filme os lobos simplesmente recitam aos quatro ventos, e nos contos é aprendida desde filhotinhos pela boca do próprio Baloo.
No conto "Tigre! Tigre!", após Mowgli decidir sair da alcateia e ir para a vila dos homens, realmente Shere Khan influencia os filhotes e habita a Pedra do Conselho, como mostrado no filme, mas esse reinado sobre os lobos dura apenas algumas páginas, ao passo de que quando Mowgli retorna para a Selva (a sua estadia na vila dos homens também foi omitida no filme), acaba dando um jeito no tigre, mas isso trataremos mais a frente.
A cena de Mowgli salvando o filhote de elefante também não existe nos contos. Também me incomoda a incapacidade de falar dos elefantes, visto que todo bicho na selva, na obra de Kipling, tem essa capacidade. Os elefantes são inteligentes como todos os outros e seu líder, Hathi, como já dito mais acima, não apenas era o mais inteligente de todos, mas o verdadeiro Senhor da Selva e criador da própria.
As engenhocas de Mowgli realmente são importantes nos contos, como no filme mostra, mas a motivação do sequestro não foi a Flor Vermelha, tão desejada pelo Rei Louie. Essa cena é tão distante da obra e das intenções do Kipling que merece, mais que todas as outras, ser tratada com mais detalhes:
Primeiro, O REI LOUIE NÃO EXISTE! Uma das características mais importantes do Bandar-log é sua incapacidade de ser organizados socialmente, por isso não têm líder. No filme, criar um personagem e colocá-lo no cargo de líder do Bandar-log acaba desconfigurando o mesmo e também o desconstruindo, o que aconteceu aconteceu com vários personagens, como vimos acima.
“- Escute, filho de homem - rugiu o urso, e sua voz ressoou como o trovão numa noite quente. - Ensinei a você a Lei da Selva inteira, que vale para todos os Povos da Selva, menos para o Povo Macaco que vive nas árvores. Eles não têm lei. São marginais. Não têm fala própria, mas usam palavras roubadas que ouvem por aí enquanto espiam e esperam no alto dos galhos. Os costumes deles são diferentes dos nossos. Eles não têm líder. Não têm lembranças. São bravateiros, fofoqueiros e fingem ser os maiorais e estar sempre prestes a desempenhar grandes feitos na selva, mas é só uma noz cair no chão que desatam a rir e se esquecem de tudo. Nós da selva não queremos nada com eles. Não bebemos onde os macacos bebem, não vamos aonde os macacos vão, não caçamos onde eles caçam, não morremos onde eles morrem. Alguma vez você me ouvir falar do Bandar-log até hoje?

- Não - respondeu Mowgli num sussurro, pois a floresta ficou muito quieta quando Baloo terminou.

- O Povo da Selva os mantém longe das bocas e das cabeças. Eles são muitos, maus, sujos, despudorados e desejam, se é que se concentram em algum desejo, ter a atenção do Povo da Selva. Mas nós não prestamos atenção neles nem quando atiram nozes e porcarias em nossas cabeças." (KIPLING, p. 54).
Segundo: a motivação do Bandar-log em sequestrar Mowgli não era para ter a flor vermelha, isto é, o fogo, e se espalhar pela floresta, mas sim simplesmente ter a atenção do Povo da Selva e usar as engenhocas de Mowgli ao seu favor. Nesse trecho que se segue, vemos mais uma vez a incapacidade de terem um líder, por isso a impossibilidade de existir um Rei Louie, dentre outros defeitos bastante característicos do povo macaco:
“ [...] Eles viviam no topo das árvores, e, como os bichos raramente olham para cima, os macacos e o Povo da Selva nunca se encontravam. [...] Estavam sempre a um passo de ter um líder, suas próprias leis e seus costumes, mas nunca chegavam a fazê-lo, pois sua memória não durava de um dia para o outro [...]. Nenhum dos bichos conseguia alcançá-los, mas, em compensação, nenhum dos bichos lhes dava atenção, e foi por isso que ficaram tão contentes quando Mowgli foi brincar com eles e ouviram como Baloo tinha ficado bravo.
Nunca aspiraram realizar coisa alguma - no fundo, o Bandar-log nunca aspira a nada -, mas um deles teve o que lhe pareceu uma ideia brilhante e contou os outros que Mowgli seria muito útil para a tribo, porque sabia amarrar gravetos para protegê-los do vento; então, se o capturassem, poderiam obrigá-lo a lhes ensinar como fazê-lo” (KIPLING, p. 55). O conto “A Caçada de Kaa” inicia-se com Baloo repassando algumas lições para Mowgli até perceber que ele esteve com o Povo Macaco. Durante um sermão (o diálogo citado acima que começa com “escute, filhote de homem”), Mowgli é sequestrado pelos macacos, Baloo e Bagheera tentam correr atrás dele, mas acabam pedindo ajuda a Kaa, como citado mais acima. A mudança na personalidade do Bandar-log, a criação de Rei Louie e a mudança no roteiro original da história no que toca à motivação do sequestro dos macacos é o pico do distanciamento entre o filme e sua obra inspiradora. No entanto, gostaria de confessar aqui que o Rei Louie era o meu personagem favorito na animação de 1967 e a musiquinha dele é realmente contagiante, haha!
A motivação para manter o Rei Louie nessa versão do filme me parece mais uma demonstração de que trata-se de uma adaptação do filme da disney de 1967, e não da obra do Rudyard Kipling. A minha crítica em relação a permanência do Rei Louie é justamente por se tratar de uma das características do Bandar-log a falta de líder. No prefácio desta edição de Os Livros da Selva que tenho em mãos, o tradutor relata o simbolismo profundo por trás do Bandar-log, o que no filme ficou ofuscado, escondido e, ouso dizer, inexistente:
“ Nessa estrutura social, há o nível mais baixo de todos. Nele estão justamente os parentes mais próximos dos humanos, considerados incapazes de aprimorar a organização interna de sua sociedade. Com evidente ironia, Kipling identifica o Povo Macaco com a antítese de um real esforço de construção do bem-estar coletivo. [...]” (Apresentação, p. 10) o parágrafo segue-se citando o sermão de Baloo, também citado por mim acima várias vezes, aquele mesmo que começa com “escute, filhote de homem”, onde Baloo explicita com todas as letras.
A cena terrível de Baloo praticando psicologia reversa em Mowgli para que ele pense que não é amado e parta para a vila dos homens de uma vez por todas é de revirar o estômago para todo leitor de Kipling. Baloo tem uma relação não apenas de amizade com Mowgli, mas também de respeito mútuo e servidão, visto que nos últimos contos Mowgli é visto como o Senhor da Selva por todos os animais, até mesmo o próprio Hathi, o mais antigo deles. Nos contos, Mowgli decide para a vila dos homens após perceber que não era mais bem-vindo na alcaeteia seeonee (isto porque Shere Khan influenciava os lobos menores e os atiçava contra Mowgli e, tendo seus pais morrido, somente Akela estava alí para interceder por ele, e sendo já um lobo idoso, não tinha muita voz contra os muitos lobos jovens fantoches do tigre), retornando apenas para dar um jeito no Shere Khan, que estava dominando a alcateia (eu vou chegar lá, calma!), e esta parte da obra também contém um simbolismo bastante profundo, mostrando a dualidade do homem entre seus instintos animais e sua civilidade que, de certa forma, acaba castrando estes mesmos instintos. Podemos interpretar de várias formas os dos “Mowglis” que aparecem nos contos de Kipling, como a dualidade presente no homem de sua razão e suas emoções, representados pelo Mowgli na Selva, sobrevivendo através de seus instintos, e o Mowgli na vila dos homens, submetido à fala dos homens, vivendo como homens nas regalias da tecnologia (não ipods ou tablets, e sim uma simples cama e uma cabana. Lembremos que tecnologia vem do grego techne, que significa arte, e logos, que significa ciência. O conceito significa, entre outros, técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular e/ou técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular). Toda essa reflexão acerca da dualidade do homem, dos dois mundos - a Selva e a vila dos homens -, tudo isso é omitido nos filmes. A cena de Mowgli na vila dos homens tem uma duração de menos de 30 segundos.
O filme força mais uma batalha inexistente: desta vez, Baloo contra Shere Khan. Mais uma vez, essa luta não existe nos contos. Sendo Baloo um urso velho e gordo, muito embora seja o mestre da lei, não possui a competência de lutar com um tigre. Ele não caça, pois se alimenta de mel e plantas. A única cena de luta que existe na obra de Kipling envolvendo o urso se encontra no conto “A Caçada de Kaa”, quando ele ajuda a cobra e a pantera a lutar contra as centenas de milhares de macacos. À propósito, esta cena também foi omitida nos filmes, o que daria uma batalha épica, e substituída por uma cena estúpida onde Baloo bajula o inexistente Rei Louie para distrair os macacos.
Mowgli prepara uma tocaia, já no fim do filme, utilizando suas engenhocas e a famosa flor vermelha para matar Shere Khan. Favreau, passou bem longe de novo!
No conto “Tigre! Tigre!”, quando Mowgli se encontra na vila dos homens trabalhando como pastor de búfalos, ele usa destes búfalos para encurralar Shere Khan em um defiladeiro utilizando da ajuda do velho Akela e os lobos seus irmãos para tocar o búfalo contra Shere Khan. O tigre, que havia acabado de se alimentar e por isso estava preguiçoso e preferia não lutar, acabou caindo no desfiladeiro ou morrendo pisoteado (Kipling deixa a forma de morte de Shere Khan na ambiguidade). Outro detalhe que foi omitido nos filmes e possui um simbolismo profundo foi o fato de Mowgli ter retirado a pele do tigre e posta na Pedra do Conselho, onde o lobo alfa da alcateia se posta durante os Conselhos, o mesmo lugar onde Shere Khan estava quando dominava a alcateia na ausência de Mowgli. Podemos refletir bastante sobre o que isso pode significar, levando em conta que Shere Khan é a retratação do Mal na obra de Kipling.
A representação de Shere Khan foi um dos dois personagens que, na minha opinião, mais se assemelharam aos originais. Mowgli dos livros é um garoto divertido, engenhoso, e ao mesmo tempo brincalhão e bastante curioso. Devido a sua educação, cresceu mais que as crianças da cidade e de uma forma mais forte e saudável. No filme, ele não passa de uma criança entre lobos; insegura, cabisbaixa e bastante incoveniente; não vemos nenhum relato explícito do humor de Mowgli, humor este que chega ao nível de fazer piadas com Kaa e o próprio Hathi, o Senhor da Selva.
A mãe-loba de Mowgli teve uma boa representação, porém, senti falta do simbolismo do seu nome, Raksha, que em sânscrito significa “pedir proteção” e, ao mesmo tempo, no budismo trata-se de um demônio, que podemos interpretar como o instinto de proteção da mãe, inato e instintivo, presente em todas as espécies, e ao mesmo tempo, na sua qualidade implacável, forte e até mesmo cruel quando se trata de proteger seus filhos. O simbolismo da mãe loba foi omitido no filme, fazendo dela apenas mais uma personagem.
Shere Khan é um tigre manco, e por isso somente mata gados (KIPLING, p. 29), característica essencial para a construção do personagem e também foi omitida no filme. Shere singifica tigre e khan significa chefe no idioma hindu e persa.

No mais, gostaria de reinterar, mais uma vez pois nunca é demais, que concordo com a opinião de que o cinema e literatura são linguagens diferentes e que devem ser respeitadas como o tal, mas, novamente, a partir de um momento que um filme possui a intenção e premissa de ser uma adptação cinematográfica, há coisas que devem ser levadas em conta somente por uma questão de ética e respeito para com a obra do autor. Novamente, deixo meus elogios à direção de arte do filme e qualidade de animação, mas no que toca ao roteiro e à adaptação, eu colocaria esse filme no topo da lista de frustrações, ao lado de Percy Jackson e o Ladrão de Raios.
É um filme excelente para assitir com a família e as crianças certamente vão adorar.
Lembrem-se, como diria Platão, uma vida sem criticas não vale á pena ser vivida.
Forte abraço à todos.

Wallace Guilhereme.
Contato: shimonbenabe@gmail.com
Marcela B
Marcela B

1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 9 de dezembro de 2018
Detestei o filme, não trouxe NENHUMA mensagem de esperança, igualdade, fraternidade ou qualquer coisa boa, só coisas ruins. Ok o Netflix querer fugir do original, mas pelo menos trouxesse algo de bom. O filme é triste, não consegui assistir até o fim, porque não parava de chorar de tristeza, não de uma emoção boa. Enfim fiquei triste com o Netflix que conseguiu estragar o meu filme e o meu Badoo
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