Mesmo quem não é cientista ou familiarizado com as teorias brilhantes de Stephen Hawking conhecem a figura deste gênio. Um homem com uma mente extraordinária presa a um corpo frágil. Nunca li nenhum de seus livros, mas a fama de Hawking é algo excepcional. Este filme mostra Hawking ainda jovem na universidade, seus estudos envolvendo a teoria do Big Bang, buracos negros e a origem do universo; seu relacionamento com sua futura esposa desde as trocas dos primeiros olhares até o casamento e a geração de 3 filhos; e, claro, a terrível descoberta da temível esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa que aos poucos vai paralisando os movimentos de todos os músculos do corpo, não afetando o cérebro. O filme não se aprofunda nas teorias de Hawking, e foca mais na jornada pessoal do físico e em como a doença afeta sua vida e a de sua esposa. O elenco é muito bom. Embora eu particularmente não seja fã do ator Eddie Redmayne (já que ele fez bons filmes como Sete Dias com Marilyn e Os Miseráveis, mas suas interpretações sempre me pareceram apáticas, sem vigor), é inegável que sua dedicação e entrega a este filme seja realmente impressionante. Não acho que ele mereça tantos prêmios como tem recebido (incluindo aí o Bafta, o Globo de Ouro e o SAG), pois outras interpretações de atores mais consistentes como Benedict Cumberbatch e Michael Keaton tenham minha preferência, apesar de achar que não necessariamente essas premiações a Redmayne sejam injustas. Sua transformação aqui é deveras impactante. Mas percebe-se uma certa irregularidade, principalmente no começo do filme, já que sua performance só ganha força com o advento da doença de Hawking. Enfim, gosto pessoal. Já Felicity Jones brilha o tempo todo, e sua interpretação me pareceu bem mais regular. E será que só eu vejo uma similaridade física da atriz com a Anita de Mel Lisboa nos áureos tempos? Bem, isso é irrelevante. O que é interessante em sua interpretação são as nuances, o amor que ela sente por Hawking desde o primeiro olhar e como isso vai se desgastando com o tempo no decorrer da película, devido às grandes dificuldades e peso que recaem sobre ela por causa de suas escolhas. No mais, o filme tem qualidades técnicas claras, mas sofre do mal que ocorreu ainda mais claramente em O Jogo da Imitação. É um drama biográfico que segue a velha fórmula do cinema: bonito, impactante, mas que não mostra nada realmente novo, e não se aprofunda na genialidade das figuras retratadas. A Teoria de Tudo é um filme belíssimo, mas que não ousa fazer algo diferente, o que não necessariamente é ruim. E nesta fórmula, o roteiro teima em abusar do sentimentalismo, criando aquelas cenas grandiosas, de grande impacto emocional, mas que soam forçadas. Ainda assim, este filme é especial pela figura de Hawking, mostrando uma baita lição de vida. Digo isso porque embora ele sofra de um mal terrível, em grande parte do tempo ele consegue usufruir de sua vida cheia de limitações da melhor forma possível. Bom humor, empatia e ponderação fazem parte do seu estilo de viver, nunca perdendo essas características, apesar de todas as limitações físicas, e isso é no mínimo louvável. E o filme também o é por mostrar isso de maneira tão clara e bela.