Fazia muito tempo que não entrava em cartaz um filme tão impecável quanto "A teoria de tudo". Praticamente, apenas elogios.
O maior elogio vai para a grande estrela, Eddie Redmayne, em atuação incomparável, espetacular e incomparavelmente espetacular. O ator, que já havia mostrado um talento a ser destacado em "Sete dias com Marilyn" e "Os miseráveis", ultrapassou as barreiras da ótima atuação, passando para um trabalho memorável. Não querendo tirar o mérito dos demais concorrentes, mas, francamente, se Redmayne não ganhar o Oscar de melhor ator (ao qual já foi indicado, com justiça inquestionável), será uma decepção gigantesca (para com a Academia). Detalhista do começo ao fim, o ator dedicou-se em especial para o aspecto corporal da personagem (interpretando o gigante da física Stephen Hawking), deixando o emocional para os momentos em que foi necessário, cirurgicamente inseridos no ótimo roteiro adaptado. Ainda mais impecável que a obra como um todo foi o ator. Sensível, a colega Felicity Jones (que também concorre a um Oscar), um pouco mais discreta (mas com enorme qualidade, é preciso ressaltar), conseguiu dar a Jane um perfil coerente, em especial considerando a instabilidade da personagem na trama. A Jane do início não é a mesma daquela do final, e a atriz foi bastante feliz nas sutilezas da mudança, nem um pouco brusca. Aliás, tudo soa natural no decorrer da história. Mas o grande destaque na atuação ficou com Eddie Redmayne - não custa reiterar -, em trabalho que merece exaltação proporcional à qualidade imensurável.
A trilha sonora também concorre ao Oscar, no entanto, mais merecida teria sido uma premiação a melhor fotografia, que é magnífica, em especial no início. O problema acaba sendo a quebra de ritmo a partir do momento em que o protagonista descobre sua doença (a bem da verdade, isso não demora): no início, veloz e belo, depois, muito mais lento e sombrio. A introdução é tão fugaz que a atenção se faz ainda mais necessária. Provavelmente o único defeito, mas um defeito pequeno diante de obra de tanto destaque.
Não é possível afirmar com certeza que "A teoria de tudo" vai ganhar o Oscar de melhor filme. Eddie Redmayne é favorito como melhor ator (sim, ele de novo), as outras quatro premiações (filme, atriz, roteiro adaptado e trilha sonora), porém, são mais incertas. Não obstante, trata-se de um filme inesquecível. Não apenas pelo fato de registrar parte da difícil vida de uma grande personalidade da comunidade científica (desta vez, "sem" mencionar o brilhantismo do ator que deu vida ao protagonista, para não ser repetitivo em demasia), isto é, não apenas por consistir em uma interessante cinebiografia, nem tampouco por se tratar em um drama emocionante. O que o torna inesquecível é o grau de comprometimento de toda a equipe (direção, roteiro e elenco, em especial) para concluir uma obra fiel ao real, mas com a delicadeza necessária para comover - uma comoção autêntica, sem apelar para o exageradamente dramático (existe até comédia no roteiro!). Dito de outra forma: o filme é inesquecível porque é irrepreensível em todos os aspectos. Uma obra-prima sem igual. Entra para a história de Hollywood.