Uma Boa Mentira, ou The Good Lie, é um filme baseado na história real dos refugiados da guerra do Sudão. Nos convida a uma imersão que, para mim, manteve meu desconforto (famoso coração na mão ), durante o primeiro e o segundo ato; já em sua parte final, traz um conforto incrível ao telespectador, com uma boa mentira.
O filme não abusa da situação de os irmãos serem refugiados para criar empatia com o telespectador; você realmente consegue criar uma identificação logo no início do filme, mesmo diante do caos vivido na guerra civil por crianças inocentes. Logo no início, são-nos apresentadas as personalidades, gostos e preferências, bem desenvolvidas ao longo do filme no que tange ao trio principal.
Apesar de ser de 2014, o longa é situado em 2001 e, em determinado momento, usa como plano de fundo as situações de imigração que se tornaram extremamente rigorosas após o 11 de setembro. Embora o filme não fique preso a situações políticas diretamente, não aborda de forma constante ou estruturada questões, por exemplo, a respeito da xenofobia. Ele nos mostra o choque cultural dos três irmãos recém-chegados ao país do Tio Sam, como cada um está se adaptando e lidando com os traumas do passado, mesmo de maneira legal e honesta. Por isso, considero esse filme muito importante para fazer um paralelo com os dias de hoje, dada a situação atual dos EUA e o controle de imigração e deportação de imigrantes.
Como disse, o aspecto político não ganha papel principal no filme, pois a ideia aqui parece ser dar um foco maior nas questões já citadas anteriormente, flutuando entre passado e presente, deixando em plano de fundo, na minha concepção, aspectos políticos. Mesmo assim, o filme deixa claro que, mesmo nesse cenário escolhido, isso ainda influencia e é o ponto de partida para a decorrência da trama e o desenvolvimento do drama.
Concluo achando um bom filme, mas senti falta de alguns personagens serem melhor desenvolvidos. Alguns são ignorados e aparecem simplesmente bem, diante de determinadas situações que não seriam tão superficiais ou tranquilas de serem digeridas; essas não foram exploradas nem aprofundadas pelo roteiro (roteiro esse que parece abusar um pouco de conveniências e facilidades narrativas no final, de forma bem escancarada).