Sensacional, o diretor mexicano extrapola emoções e densidade psicológica, descrevendo os conflitos de um ator da Broadway. Critica a industria de filmes americanos e a banalização da sociedade por meio da internet e também mostra a dificuldade do ser humano em manter a sanidade. Recoloca o cinema americano em alto nível em um mercado com ótimos filmes europeus sendo feitos. Nota dez para o protagonista e para o diretor e corram para o espetáculo.
Excelente filme no qual critica os bastidores do teatro e com isso do entretenimento, nos passando uma realidade que não é percebida pelo publico comum com todas as relações difíceis entre os seus participantes. Michael Keaton, Naomi Watts, Emma Stone e Edward Norton estão muito bem nesse filme que segue na medida certa. Agora quase não percebi Zach Galifianakis sem aquele jeito de doido de Se Não Beber não Case.
Um dos filmes mais interessantes dos últimos tempos, BIRDMAN merece todos os aplausos que vem obtendo. Diálogos afiados, edição brilhante, trilha perturbadora e atuações impecáveis. Michael Keaton está arrasador no papel do ex-ator de filmes 'blockbuster' que quer se provar ator sério na Broadway. São as duas pontas da discussão arte/entretenimento: o embate entre o cinema-espetáculo e o prestígio de uma peça de teatro. Estão no filme todas as nuances da dúvida do ser-estar e do viver-representar. Além do herói que persegue o ator, está a crítica de teatro que lhe diz que ele não é um artista/ator, mas apenas uma celebridade que desfila seu ego pela telona. Há momentos de humor afiadíssimos em sua crítica ao mundo do entretenimento e há momentos em que a câmera parece invadir situações de ternura e despojamento das personagens. Estão todas elas lá: o ator que se leva a sério demais como um artista brindado pelo talento, a filha que padece de lembranças de um pai que lhe pareceu ausente, a ex-esposa terna e compassiva, a amante-atriz reclamona, a atriz insegura e também em busca de reconhecimento. No emaranhado proposto pelo diretor, nos enternecemos à espera da ruptura total do ator com o mundo fictício e do almejado encontro dele com a realidade que lhe trará alguma estabilidade emocional. A todo instante, o filme parece dizer que representar é mais difícil quando o viver é perigosamente instado a nos perseguir.
Demorei um pouco para entender a verdadeira mensagem que 'Birdman' quis passar, talvez pelo seu ritmo frenético e intenso. O que tenho a dizer sobre essa produção, em uma palavra, é: interessante. O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu traz uma visão diferenciada e crítica do mundo das artes cênicas norte-americanas. Confesso que teve partes em que eu ficava muito confuso com o longa, talvez pela complexidade de entender um personagem-título igualmente confuso, auto-questionador e esperançoso pela retomada de sua famosa carreira. O filme é realmente um alerta para a indústria hollywoodiana e da Broadway, onde ainda é possível fazer uma obra de qualidade que tenha mais do que apenas "super-heróis" com colãs, cenas de ação e artistas mimados pelo público. A arte é apreciada pela sua forma como é desenvolvida, e ela surgiu da filosofia, onde o questionamento, o diálogo e a mensagem por trás da produção é a verdadeira obra-prima, onde se conseguem os louros. Em termos técnicos, a fotografia e a edição são admiráveis, a trilha sonora é repetitiva e não é um ponto alto do filme e o roteiro é bom, porém apresenta falhas. Michael Keaton (Riggan Thomsom) parecia estar apenas mostrando a sua vida pessoal (já que a história dele e do personagem que interpreta são parecidas) e com certeza a sua indicação ao Óscar de "Melhor Ator" foi merecida, Emma Stone faz bem suas participações (não vi nada de especial para ser indicada ao Óscar), Edward Norton sempre cumprindo suas tarefas e bem feitas, Naomi Watts fez mais do mesmo (e esse mesmo é bom) e, pra mim, a surpresa foi o simpático Zach Galifianakis, conhecido por personagens cômicos (como em 'Se Beber, Não Case!'), Zach tira de letra um personagem mais "dramático" do que está acostumado. Uma crítica aos profissionais atuantes no ramo da arte dos Estados Unidos, isso define bem 'Birdman'. Apesar da beleza do longa, acredito que algumas partes fazem o espectador soltar aquela velha expressão: "WTF ?" e isso torna o longa um tanto quanto confuso. Vale destacar que sua duração poderia ser um pouco reduzida. A história do Homem-Pássaro, no fim, consegue deixar a mensagem que planeja desde sua abertura e vale a reflexão. Gostei !
Sem dúvida o filme mais original e surpreendente do ano. Merece o Oscar, no mínimo, de Melhor Filme. Elenco afiado, direção fantástica, roteiro belíssimo.
"Birdman (ou a inesperada virtude da ignorância)" é excelente. Por mais difícil que possa parecer se for considerado apenas o plot (aparentemente) simplório, é excelente. Heterodoxo, mas longe da loucura. Ao revés, são do começo ao fim, e são o suficiente para tecer críticas ácidas a vários segmentos. Sóbrio do começo ao fim, partindo de um fio condutor (o mundo artístico e, mais especificamente, a tentativa de um ator de um único sucesso de crescer novamente - ainda que de forma tardia - na carreira), são inúmeros os temas abordados, em especial, as críticas (desde a relação entre pais e filhos até problemas sexuais dos casais). A crítica principal se refere à arte (cinema e teatro) e, de uma forma ainda mais nuclear, o que realmente catapulta um artista para o sucesso (assistam e descubram). Certamente foi a habilidade de encaminhar o conjunto que rendeu à obra a indicação (merecida) ao Oscar de melhor direção (a Alejandro González Iñárritu). E também o de melhor roteiro original. Não menos merecida foi a indicação a Michael Keaton (melhor ator) e Emma Stone (melhor atriz coadjuvante). Keaton soube interpretar de forma magnífica o papel porque sua vida é bastante similar à do protagonista. Sim, uma indicação merecida de uma excelente atuação que talvez represente sua volta ao topo. Mas o prêmio não deve ser destinado a ele, e sim a Eddie Redmayne (que já o venceu no Globo de Ouro). Keaton foi ótimo, Redmayne, histórico. Emma Stone tem o trunfo de aparecer como nunca antes vista. Distante do estereótipo de fraqueza e delicadeza quase entediante de Gwen Stacy, desta vez ela interpreta uma personagem com personalidade marcante. Também está diferente Zach Galifianakis: finalmente ele conseguiu abandonar o Alan de "Se beber, não case" para atuar em outro papel. Regular sem ser brilhante, merece o destaque por enfim sair do cômico - não que o filme não seja cômico, pelo contrário, rende boas risadas. Edward Norton, outro sumido e de qualidade sempre questionada, também foi indicado a receber uma estatueta, como melhor ator coadjuvante. Não bastasse ter ótimo elenco, ótimo roteiro e ótima direção - o que provoca entretenimento durante e reflexão após ser assistido -, "Birdman" também foi indicado a 3 outras estatuetas, de caráter técnico. O Oscar de melhor fotografia (melhor dizendo, a indicação) pode ser questionado(a) em razão de não ser tão original e demasiadamente sombria. Mas os concorrentes também não são geniais. A edição de som peca por ser muito repetida (em especial, bateria), mas não sem qualidade. Todavia, é a mixagem de som que se destaca, executada com absoluta perfeição. Trata-se de um filme bastante rico. A única crítica que a ele pode ser dirigida é o fato de ser um pouco monótono, principalmente por querer atingir muito mais a razão que a emoção. Não custa destacar que monótono não é sinônimo de chato: as atuações e as piadas certamente dão um up. Sem contar o grand finale, requisito básico de qualquer obra-prima como esta. Para amantes do cinema, obrigatoriamente deve ser visto.
Excelente! Uma observação introspectiva do homem...à libertação do ser! Fantástico! Nasceu como clássico! Parabéns por tudo no filme. Detalhes sutis como o Magestic (o fantasma da ópera), soam como um martelo no filme. Perfeito!
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