Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância): Críticas - Página 10
Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)
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Alvaro Triano
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5,0
Enviada em 19 de janeiro de 2015
Estrondosamente metafórico, surreal e sarcástico. Assim descrevo o novo trabalho do mexicano Alejandro Gonzalez Iñárritu (Babel, 21 Gramas e Biutiful). “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” é um filme altamente autoral, assim como Alfonso Cuarón (outro diretor mexicano), Iñárritu sabe muito bem o que está fazendo e onde quer chegar com seu projeto. Sua crítica tem alvo certo à indústria do entretenimento de massa, passando também pelas evoluções tecnológicas (Mídias Sociais), o diretor pondera e destila uma carga pesada de dramaticidade combinada com a leveza do alivio cômico de certos diálogos muito bem amarrados na trama. Seu objetivo principal e mostrar o quanto somos sedentos pelos “Holofotes” da fama, o quanto o ser humano necessita de reconhecimento para poder evoluir e passar para o próximo nível de sua existência. Para isso utiliza-se de elementos verrosimeis como a própria escalação de Michael Keaton (Fantástico), na pele do Homem-Pássaro ou Birdman, um ex -super-herói que foi sucesso nos anos 90, porém se recusou a fazer um quarto filme da franquia, caindo no ostracismo e tentando se reerguer através de uma peça teatral para a Broadway. No elenco Riggan Thomson (Keaton) decide contratar Mike Shiner (Edward Norton), Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough), além do seu agente Brandon (Zach Galifianakis) para conduzir a peça, no entanto, começa a sentir o peso da fama no encalço de Mike, o que se torna um problema para um ator sessentão e longe da calçada da fama como ele. Se já não bastasse isso, Riggan tem que lidar com o relacionamento conturbado com a filha e uma voz misteriosa que sussurra em sua cabeça dia e noite – Birdman (seu alter-ego). Fecha-se o circo da teatralidade e Birdman é muito mais que um filme onde “a vida imita a arte ou a arte imita a vida”, não apenas pelo fato de Keaton ser um ator sumido de Hollywood, ou ter interpretado um herói ícone da cultura pop nos anos 90 (Batman), mas pelo simples fato de Iñárritu saber conduzir sua câmera nervosa pelos diversos sets em planos sequências espetaculares não convencionais. O diretor dá uma verdadeira aula de narrativa, através de um roteiro escrito por ele, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris e Armando Boa, com sacadas metalinguísticas e metafóricas ao longo de toda a trama e subtrama que o filme perpassa, além da trilha sonora envolvente de Antonio Sanches que chega a se materializar no longa, por meio de personagens secundários. Dentre as diversas sacadas do filme, podemos destacar a cena onde o Birdman se manifesta (metaforicamente) andando, voando e sussurrando por trás de Keaton é estupidamente antológica, com várias sequencias de ação rolando (explosões e seres fantásticos travando batalha) em um único plano sequência. O final do filme é bem lúdico e fecha muito bem as metáforas pontuais de Iñárritu. Michael Keaton, liiteralmente, ganha asas no filme, fazendo uma atuação de peso e destaque. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é um grande concorrente ao Oscar 2015, um filme coeso, dinâmico e inteligente, uma verdadeira “Ópera Teatral” de Alejandro Gonzalez Iñárritu.
Está ai um bom exemplo de direção impecável, atuações muito boas, um roteiro interessante, MAS que a estória em si não me fixou, não me teve. Enfim... as vezes isso acontece.
Belíssimo filme, retrata bem o lado não glamouroso de Hollywood, ainda põe em xeque se o ator é bom mesmo, ou só na moda, atuação de Michael Keaton, Edward Norton, Emma Stone e até Zach Galifianakis muito boa.
SENSACIONAL.... "QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF" DO INÍCIO DO SÉCULO XXI + BIOGRAFIA DE MICHAEL KEATON, NOSSO ETERNO BATMAN + CRÍTICA AO CINEMA NORTE AMERICANO...E TUDO ISSO COM O EXCELENTE TRABALHO DE KEATON, O VERDADEIRO GANHADOR DO OSCAR
Admito que, ansioso não me definia na espera deste filme. Baixei-o faz alguns dias, assisti os 15 minutos iniciais quatro ou cinco vezes, pois sentava para assistir e algo não me chamava atenção, ou melhor, algo me chamava atenção para longe da frente da TV.
Se você pegar a sinopse oficial do filme ou ler algo sobre o filme, simplesmente para se orientar sobre, eu duvido que goste. E para piorar você pega os primeiro 15 minutos e aqueles diálogos extensos são unicamente exaustivos. Mas não poderia eu ser o único a achar o filme mais comentado desse Oscar horrível (ler página SOBRE), acabei por dar uma chance para o Homem Pássaro.
Passado os primeiro 15 minutos e os primeiros diálogos, o filme se mostra muito interessante do ponto de vista da história e da produção. A história se mostra muito mais complexa que apenas a história de um ator decadente buscando voltar à fama.
A busca excessiva pela fama acima de qualquer coisa, ou ser expressivo ao ponto de ser lembrado nos remete aos dias atuais bem claramente. E, ainda, exercer essa busca através da arte fica bem explicito a critica que o filme nos traz. Essas primeiras questões começam a ficar claras no decorrer do filme, e acaba por nos remeter a outras questões como: O que é arte? O que é relevante? Que máquina é essa que usa a arte para vender entretenimento?
Enfim, o filme ressalta sua importância num mundo onde se faz e se vive muito como Riggan ou Birdman. Agora a produção, do que poderia ser um simples filme, o diretor Iñarritu torna em um filme muito peculiar. Com um plano sequencial e com poucos corte, o diretor nos transporta para dentro do filme, e isso fica mais claro quando a voz na cabeça de Riggan começa atormentá-lo, parece que você é a voz, falando sem parar, se movendo ao redor de Riggan freneticamente. Simplesmente fascinante quando qualquer personagem começa a caminhar pelos corredores do teatro e a iluminação vai mudando de tom, tornando cada cena única, agora coloque a cereja no bola, aquela bateria nervosa no fundo musical.Agora mistura tudo isso com a atuação de Edward Norton ou mesmo do Zach Galifianakis, mostrando que sabe fazer mais que comédia.
Esse filme vale muito a pena assistir, pois, além de se tornar relevante em questão de assunto, por ser tão atual, a produção, seja na filmagem ou na fotografia, são excelentes e ficaram muito lindo nesse filme.
Michael Keaton está arrasador como o ator decadente que, como todos nós, vive a grande angústia de fingir socialmente para ser acolhido e amado. Sua vulnerabilidade latente encontra em Edward Norton um "duplo" que, justamente no seu contrário, confirma essa necessidade de aceitação: se Keaton é inseguro, Norton é vaidoso, arrogante e cheio de si, mas em certo momento confessa que o palco é o único lugar em que ele não interpreta (exatamente porque, estando protegido pelo personagem, não será criticado por ser ele mesmo). Inarritu elabora seu grande "plano-sequencia" passando por corredores e camarins nos bastidores do teatro, num vigoroso simbolismo da mente labiríntica do protagonista, que parece a todo tempo estar em busca de uma saída para os tormentos de seu ego (vale salientar que o diretor abusa no uso de espelhos, objeto de vaidade que permite ao observador, a um só tempo, se contemplar e também se confrontar com suas imperfeições). O final, embora excessivamente hollywoodiano, é catártico e coerente com o resto da narrativa, ao sugerir que o grande sucesso na vida não é receber os aplausos do público e da crítica, mas sim fugir da prisão de ter que provar a todos que, de fato, pode-se ser tudo aquilo que se finge.
A história é uma metaliguagem do universo da fama e a busca dela na hora de representar no teatro e cinema. Riggan, um ex-herói do cinema - o "homem pássaro", investe a todo momento em algo diferente do que fazia, mas o passado o chama para a zona de conforto, o reconhecimento e poder de antes. A fantasia funciona como sombra para o drama que é mudar e não decair, mesmo sendo algumas vezes a qualquer custo. Em determinada cena, o spoiler: curativo em Riggan tem a mesma forma da máscara do herói, mostrando como aquilo o persegue, como uma luta interna que, em seguida, tem fim.
Tudo é pano de fundo para a relação crítica e arte, do que se faz e é avaliado, até que ponto necessitamos disso para ter sucesso e ser feliz, sugando e causando certa dependência. A resposta, acredito, está na maneira de mudar. Ser eficaz está na maneira de fazer e não no que fazer. Aqui o filme mistura bem isso, sem desistir de um ou outro, há de certa forma um retorno do sucesso.
Birdman é sim merecedor de todas as indicações do Oscar e afins. Direção impecável (quase vertiginosa às vezes) e a atuação de Michael Keaton, como o protagonista Riggan Thomson, casa muito bem com os ótimos Edward Norton, Emma Stone e Naomi Watts.
Ao lado de The Grand Budapeste Hotel, ganha filme, empata direção e fotografia, perde arte.
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