“O Juiz” não tem apenas o objetivo de recuperar o prestígio do “filme de tribunal”, mas recuperar a antiga fórmula de se fazer filmes e isso o longa conseguiu com louvor. Não se trata apenas da tensão de um julgamento na tela, é mais que isso, é o bater do martelo mostrando que não blockbusters devem voltar a ter seu espaço.
Sendo a primeira produção da Team Downey (empresa de Downey Jr. e sua esposa, a produtora Susan Downey), “O Juiz” é um bom caminho para abrir portas em Hollywood. Tocante, o filme realmente te faz pensar e se emocionar com a história de Hank Palmer e sua família. Quem nunca teve problemas de relacionamento com um familiar que atire a primeira pedra, certo?
Advogado de uma firma importante, Hank retorna à sua pequena cidade natal para ajudar seu pai, o juiz local, que está sendo acusado do assassinato de
sua mãe.
Para Hank, o “advogado infame e sem respeito pela lei”, isso era o pior que poderia acontecer. Encarar
a perda de um ente querido, as desavenças do passado, o abandono de namorada e amigos, a doença do pai,
enfim, o passado todo vindo à tona de uma só vez. Hank havia criado suas proteções, muros entre ele e a realidade e agora tudo se vê no chão, não é à toa que temos um drama na tela do cinema.
Entretanto, o filme não é só tristeza. À parte da lição de vida, é interessante destacar os alívios cômicos do filme. Talvez algumas pessoas venham até mesmo a pensar que isso é coisa recorrente em filmes com Downey Jr., como "Beijos e Tiros" ou até mesmo filmes da Marvel, como "Homem De Ferro 3". Mas não é uma proteção criada pelo ator, o alívio cômico tem um papel importante aqui, afinal, ninguém quer sair do cinema em profunda depressão.
Com interpretações incríveis e até mesmo cenas fortes – destaque para Jeremy Strong e Robert Duvall – "O Juiz" vem mesmo para surpreender. Robert Downey Jr. está mais uma vez incrível e não será surpresa ver este filme concorrendo ao próximo Oscar. Sejamos justos, mesmo que não saia vencedor, o longa merece ser reconhecido pela Academia.
Se vale uma dica, diria aos que tem problemas com a família que assistam com seus entes queridos. Quem sabe o filme não vira o começo de uma reconciliação e uma convivência melhor.