Comédia pra todo mundo rir
Já era de se esperar... “Minha Mãe É uma Peça – O Filme” completou dois milhões de espectadores nesse último fim de semana. Eu fui assistir há duas semanas e, por mais que a sala 1 do Cineart do Boulevard Shopping, na capital, estivesse com o som muito baixo e a imagem bem ruim, deu pra sacar que esse tal de Paulo Gustavo não está aí pra brincadeira, não. E foi o próprio ator e autor da peça, que fez o maior sucesso no teatro e, agora, ganha os cinemas com tremenda velocidade, que divulgou a informação pelas redes sociais no último domingo. Só tenho uma interpretação direta e objetiva sobre todo esse furacão no humor nacional: ele só está colhendo o que plantou.
Paulo Gustavo, que tem 34 anos e nasceu em Niterói (RJ), começou a carreira fazendo pontas na Globo, sempre em cenas engraçadas, mas só começou a aparecer mesmo quando investiu pesado no humor tanto no teatro quanto em produções para internet e canais pagos. Foi com a peça “Hiperativo” e com o programa “220 Volts”, no Multishow, que ele apareceu ainda mais e começou a virar queridinho de famosos e anônimos. Nessa época, já dava para imaginar que ele esperava o momento certo para brilhar de vez. E não deu outra: o cara é um camaleão em cena, engraçadíssimo, cheio de trejeitos, com uma pegada de improvisações certeiras que não há um espectador de quem ele não consiga tirar uma boa risada. Agora, além de estrear o sitcom “Vai que Cola” e idealizar o reality show “Paulo Gustavo na Estrada”, ambos no Multishow, e se preparar para dirigir a colega Samantha Schmutz no teatro, ele já conta que o filme em cartaz terá uma sequência no fim do ano que vem. Haja fôlego!
Voltando o foco no filme, “Minha Mãe É uma Peça” conta a história de Dona Hermínia, uma supermãe, que mora com os dois filhos já bem grandinhos, mas que, como muitas mães, fica tentando controlá-los e protegê-los. Divorciada do marido, que a trocou por uma mais nova, ela descobre da pior maneira possível que os filhos a acham insuportável e, assim, vai morar na casa de uma tia, sem dar satisfação para ninguém. Como de praxe em comédias nacionais, o filme é abarrotado de clichês. Além da mãe superprotetora, tem a filha gordinha que não para de comer, o filho gay que não saiu do armário, a irmã certinha e implicante da protagonista, o ex-marido que casou com uma mulher mais nova e perua, a empregada atirada... Mas por que essas piadas, que já são esperadas e manjadas pela maioria do público, fazem sucesso assim mesmo?
Goste ou não do resultado, o cinema nacional brilha muito mais pela comédia. Foi assim com “Se Eu Fosse Você” e “De Pernas para o Ar”, nas duas versões dos dois filmes, que levaram, os quatro juntos, mais de 18 milhões de espectadores aos cinemas. Muitos classificam essas comédias como patéticas, outros como perda de tempo, já que tem muita coisa ruim por aí também, mas o certo é que o pastelão atinge em cheio os brasileiros, desde a época de “Os Trapalhões” e suas bilheterias gigantescas. Eu, particularmente, sou mais fã do humor de Guel Arraes, com seu “Auto da Compadecida” e “Lisbela e o Prisioneiro”; acho mais ágil, inteligente, divertido. Mas quem sou eu para questionar uma fórmula que dá certo há tantos anos e que, nos braços certos, como nos de Paulo Gustavo, o país inteiro pode ser abraçado, não é mesmo? O cara nasceu para a comédia e deve investir mesmo nessa linha. A voz de taquara rachada de Dona Hermínia fica na sua cabeça como sinos da igreja matriz martelando o som do meio-dia. E todo mundo gosta disso! Vai entender o povo brasileiro, que não tem lá tantos motivos para sorrir, mas tem a chance de gargalhar com o talento de um artista que só está começando a fazer cócegas na dramaturgia nacional.