Dívida de Honra
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Felipi V.
Felipi V.

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4,0
Enviada em 3 de abril de 2015
Se em “Três Enterros / The Three Burials of Melquiades Estrada” (2005), Tommy Lee Jones, utilizava o Texas para discutir a forma como os Estados Unidos tratam os estrangeiros mexicanos. Em “Dívida de Honra / The Homesman”, de 2014, ele usa o faroeste para polemizar o tratamento histórico dado a importância feminina para a construção da América durante o período. Mesmo que o filme não cative facilmente por falta de cenas de ação, com certeza, em uma época como a nossa, em que o feminismo é cada vez mais forte, este é um filme de um ator/diretor preocupado com as demandas do seu tempo, tanto que apesar de o longa-metragem não ter sido selecionado para concorrer ao Oscar, ele figurou na Seleção Oficial do Festival de Cannes de 2015.

A trama é baseada no romance homônimo de Glendon Swarthout, publicado em 1988, que se passa num pequeno vilarejo da cidade de Nebraska, no Texas. Três mulheres da comunidade apresentam quadros psicológicos graves e violentos, fazendo com que parem de falar, ameacem as pessoas com maldições ou até mesmo assassinem seus filhos recém-nascidos. Quando decidem enviar as mulheres para tratamento no estado vizinho, Iowa, diante da hesitação dos homens da cidade, Marie Bee Cuddy (Hilary Swank) se oferece para levá-las na viagem de mais de uma semana, mesmo sendo uma mulher sozinha. Durante os preparativos para a viagem ela se depara com um homem de idade avançada e maltrapilho, Georges Briggs (Tomy Lee Jones), que foi deixado sobre um cavalo para ser enforcado, salvando a sua vida com a condição de que ele a acompanhasse na jornada.

Discutir a formação da nação norte americana, através da figura feminina não é a abordagem mais comum em filmes sobre o velho oeste, ainda que elas tenham ganhado um pouco mais de espaço a partir das produções “revisionistas”. Ainda assim, na maioria deles, as mulheres são apenas personagens coadjuvantes, que pouco influenciam nas ações dos homens. Entretanto, desde que os filmes sejam tecnicamente deslumbrantes, o público do gênero está mais interessado em ver histórias de vingança, com homens atirando uns nos outros - portando suas Colt e Winchester, do pensar sobre a violência doméstica e machista da época. E é por isso que as produções mais focadas nas discussões do que na aventura, são menos assistidas e comentadas.

Dívida de Honra retrata essa discussão satisfatoriamente, com suas personagens levadas ao extremo da depressão, mesmo a mais forte delas. E como não se deprimir em uma época que além da violência masculina generalizada, elas tinham que conviver com a escassez de alimentos, o calor escaldante do deserto, o frio congelante do inverno e a mortalidade dos filhos por causa das condições precárias. Se na sociedade moderna as doenças mentais são abundantes, como seria no séc. XIX? E é esse o grande mérito do filme, retratar as dificuldades e os dramas sofridos por elas é rediscutir a visão glamorosa e injusta que este tipo de cinema perpetuou por muito tempo.

Este é o segundo longa-metragem de Lee Jones para o cinema, que dirigiu outros dois para a TV, “Os Bons e Velhos Companheiros / The Good Old Boys” (1995) e “The Sunset Limited” (2011). Este segundo, um ótimo telefilme produzido para a HBO, baseado em um livro de Cormac McCarthy, que tem outros livros adaptados, como “Onde Os Fracos Não tem Vez” (2007) e “A Estrada” (2009). Mesmo com pouca experiência, como diretor, ele demonstra aptidão e competência adquiridos em sua longa carreira de mais de setenta filmes como ator.

Além da fotografia empoeirada que confere verossimilhança à obra, o elenco foi bem escalado para representar cada personagem. Swank combina muito com a mulher forte e à frente de seu tempo, que não representa o padrão, tanto de beleza como o de personalidade, para a sua época e por isso tem dificuldades para encontrar um parceiro e uma colocação que a satisfaça naquela sociedade ultrapassada, principalmente por conflitar com seu grau de instrução. Tommy é o homem que já não encontra espaço em um mundo em transição, onde os seus hábitos já não são mais aceitos, mas que guarda valores, que apesar de conflituosos, se tornam necessários em qualquer tempo. E o “casting” conta ainda com uma pequena participação de Maryl Streep, além de a filha dela ser uma das atrizes coadjuvantes que aparecem na maior parte do filme.

Apesar de The Homesman encaixar-se no termo “revisionista”, não é um longa-metragem comum dentro do seu próprio gênero, por isso pode causar estranheza em quem procure o modelo clássico de “western” e soar monótono em alguns momentos. Ainda que apresente alguns clichês característicos de faroestes, não vem acompanhado da ação e a violência explícita que a maioria das produções contemporâneas trazem e que geralmente agradam os espectadores, sendo na maior parte do tempo sustentado por diálogos e ações relativamente realistas. No entanto, para quem assisti-lo levando em consideração seu contexto histórico, pode ser positivamente surpreendido pelo seu conteúdo reflexivo, crítico e por vezes trágico, obtendo uma experiência cinematográfica bastante satisfatória.
Socorro Rezende R.
Socorro Rezende R.

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2,5
Enviada em 29 de março de 2015
Em débito com Mary Bee
Filme interessante por tudo que ele mostra: a paisagem, o ambiente inóspito, a opressão feminina que leva à loucura algumas mulheres, a religião, os costumes, os valores de de um lugar e de uma época.

Some-se a isso as atuações de Tommy Lee e Hilary Swank que estão incríveis. A personagem de Hilary vai de encontro àquele universo machista e covarde. Sua força domina a história, quando de repente o desfecho inusitado quebra o espectador e sua expectativa.

Sabe-se que esse elemento surpresa é um requisito que torna a narrativa inusitada, mesmo assim faltou sensibilidade, faltou justiça à Mary Bee e a mulher que ela representa.
Luiz R.
Luiz R.

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3,5
Enviada em 22 de março de 2015
Grandes atuações de tommy e hilary, demais.................
Peter B.
Peter B.

87 seguidores 127 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 22 de março de 2015
Filme não é tão empolgante , mas não chega a ser um desastre total.
Carlos V.
Carlos V.

4 seguidores 7 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 20 de março de 2015
Muito bom esse filme. Roteiro, direção, fotografia e elenco perfeitos
José Alberto C.
José Alberto C.

15 seguidores 10 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 29 de dezembro de 2014
Filme denso. Em alguns momentos visceral. Mostra a loucura humana em uma terra desolada e o que os ditos sãos fazem em busca de seus próprios sonhos. Não eh um western tradiciona. Fala da alma humana
claudio m.
claudio m.

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2,5
Enviada em 16 de outubro de 2014
O filme é muito bom, no entanto o roteiro sofre uma solução de continuidade no crescente que vinha tendo justamente na parte da jornada de Mary Bee Cuddy e Briggs, francamente , a essencia da estoria se perde totalmente nessa parte.
Como diversão há coisas no roteiro que não o menor sentido , spoiler:
morte de Mary Bee Cuddy não faz muito sentido e obriga o espectador a pensar além da trama apresentada para que seja justificada, fica sem sentido spoiler:
e o final com Briggs retornando na balsa também é totalmente desencessário a não ser para provar que o ser humano não vale nada, mas isso é mostrado o tempo todo desde o inicio. Daria cinco estrelas para a fotografia apenas.
Gustavo L
Gustavo L

8 seguidores 9 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 14 de outubro de 2014
Um belo filme, sobre a vida de uma mulher que pensa em primeiro no próximo e um homem que pensa apenas em si mesmo. Com passagens tristes e ao mesmo tempo de superação. Recomendo.
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