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cinetenisverde
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1.122 críticas
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4,0
Enviada em 17 de janeiro de 2017
Um faroeste estilo grande aventura parecido com Bravura Indômita, mas que promete ser mais cruel, selvagem e sem muitas firulagens além do fato da viagem envolve o transporte de diversas mulheres transtornadas. Se hoje em dia há poucas pessoas dispostas a cuidar de malucas, imagine no velho oeste.
Tommy Lee Jones tem sempre bom gosto em suas direções e principalmente escolhe projetos com muito conteúdo sobre a gene dos EUA. Nesse trabalho seus bons conceitos aparecem novamente - como já o tinha feito muito bem em Três Enterros - mas é necessário certa paciência ao espectador para acompanhar a personagem de Hilary Swanck sempre num tom linear durante praticamente o filme todo, creio que o roteiro poderia ser um pouco mais enxuto ou ágil. Esse compasso arrastado prejudica um pouco o avanço da narrativa. De todo modo é tocante o foco da trama ambientada no velho oeste, que convenhamos não está tão distante de nossa realidade.
Dívida de honra, top western, super estreia no Telecineplay. Casos diferentes de demência em pleno faroeste sem recursos. Bem trágico, mas tem uns toques suaves de comédia pelo caminhar do filme.
Um filme que faz pensar. The Homesman trabalha de uma maneira muito inteligente a loucura, trazendo tanto os socialmente taxados como loucos quanto personagens do cotidiano, como o caso da personagem principal, Mary Bee Cudy, exemplar cidadã de uma minúscula cidadezinha e obcecada por encontrar um casamento, além de diversos outros personagens. Dá para assistir ao filme tentando encontrar as diversas faces da loucura em todos os personagens, com cenas tão bem elaboradas, é fácil percebermos que de "louco todo mundo tem um pouco". As três loucas levadas para tratamento, motivo da viagem de Cudy, são personagens que enlouqueceram depois de acontecimentos trágicos em suas vidas, e marcam o filme de uma maneira bastante graciosa. É amável ver Briggs ser seguido pelas meninas quando ele ia embora, também bastante forte a cena dele pedindo hospedagem e alimento para elas (com o evento que acontece ao anoitecer). Vale a pena assistir The Homesman mais de uma vez, o filme apresenta personagens bastante pensados que abrem à interpretação de uma loucura singular, para uma crítica a diversos estereótipos que vemos em nossa sociedade e, o melhor, para uma crítica a nós mesmos, de duas maneiras distintas: como nos percebemos e como percebemos os outros. Talvez a grande conclusão do filme seja a mesma de Simão Bacamarte em O Alienista, Machado de Assis, que após internar a cidade inteira em seu hospício, acaba ele mesmo se internando para pesquisar sobre a loucura!
Notoriamente, muitos astros do cinema acabam exercitando suas habilidades cinematográficas escrevendo roteiros, produzindo ou dirigindo filmes. Alguns desses indivíduos não se saem bem e desistem de imediato, outros, como Tommy Lee Jones, não só se deu bem como tem dirigido filmes de tempos em tempos.
Na nova aposta de Jones, ele atua como produtor, roteirista, diretor e ator, permitindo que essa miscelânea nos presenteie com uma obra dramática acima da média, com ótimos momentos e uma história belíssima por sua simplicidade.
Na película em questão, a ótima Hilary Swank interpreta Mary Bee Cuddy, uma jovem infeliz que não conseguiu casar e sempre foi rejeitada por conta de sua autoridade e autonomia, algo que os homens da época relatam claramente o incômodo. Insatisfeita com tais atitudes dos homens, ela se entrega a empreitada de transportar três mulheres com problemas mentais do estado de Nebraska para Iowa, sozinha e com recursos mínimos.
Durante o percurso, Cuddy encontra Georges Briggs (Jones, em excelente performance) a beira de perder a vida. Para salvá-lo, ela exige que o mesmo se junte a ela no transporte das mulheres. Bom, a partir desse encontro somos presenteados com diversas situações, sejam elas tristes ou engraçadas, sempre visando complementar a difícil tarefa abraçada pelo casal de protagonistas.
Hilary Swank carrega o peso dramático de sua personagem de forma exemplar, assumindo a delicadeza e a rigidez sempre que são exigidas. Ao encarar uma tarefa tão complicada, se esforça ao máximo para executá-la, mostrando que as mulheres não são monstros e muito menos malucas, mas as circunstancias que criaram tal situação e a atenção faz toda a diferença, já que notamos algumas mudanças com o cuidado oferecido ao trio feminino.
Tommy Lee Jones faz uso do recurso de flashbacks para contar o passado das mulheres transportadas, com sutilezas e deixando o espectador captar os permenores de cada uma delas, já que as motivações que as deixaram mentalmente instáveis são críticas e merecem cuidado na exposição. São poucos, devo admitir, mas é o suficiente para que sejamos complacentes com essas pessoas e seus sofrimentos.
No aspecto gráfico do filme, a escolha das locações não poderiam ser melhores, pois não somente a cidade onde tudo começa, mas todo o trajeto passa por cenários secos, cuja fotografia soa inspirada para mostrar a simplicidade das casas, vestuário e relevo por onde a dupla principal viaja. Isso permite compor uma história ainda mais crível e elevar o caráter de drama de forma estratosférica, dadas as dificuldades que o ambiente e a época criam no contexto.
THE HOMESMAN é um filme prazeroso de se ver, com uma aposta dramática convincente, ainda que Meryl Streep apenas "visite" a produção, temos umas duras horas envolventes e cativantes. Apesar de uma situação inesperada ocorrer no início do terceiro ato, deixando o espectador perdido, as ações seguintes são dignas de nota, mostrando como a tolerância e solidariedade são plenamente capazes de promover a redenção.
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