Esse filme de 2015 não estreou nos cinemas do Brasil, mas graças à Netflix -- que não precisa de nenhuma cota idiota -- ele está disponível para espectadores caseiros. Se trata de um thriller travestido de drama, com todos os atores desconhecidos, algumas técnicas batidas e um certo gosto de estranheza que acompanha a tela pela maioria do tempo.
Bom filme sobre casal que perde o filho em um acidente e se separam. Ele vive atormentado e desconfiado, agora namorando outra pessoa. Eles e outros amigos e alguns desconhecidos são convidados pela ex-esposa para uma festa, onde relembrarão o passado e participarão de um estranho ritual. Tenso e suspense.
Alguns filmes bons acabam não tendo divulgação e atenção devidos, ficando posteriormente classificados como “underrated” (subestimados). The Invitation (no original; ainda sem título em português), da diretora Karyn Kusama, é um desses casos. Quanto menos informações o público tiver do enredo melhor será a experiência cinematográfica. Will (Logan Marshall-Green) era casado com Eden (Tammy Blanchard), mas após a morte acidental do filho pequeno deles, eles se divorciam e ela vai embora sem dar notícias. Dois anos mais tarde, ela volta a procurar o ex-marido, convidando-o mais sua namorada Kira (Emayatzy Corinealdi) para um jantar de reconciliação e reencontro com velhos amigos do casal. Além desses amigos em comum, o jantar reúne Sadie (Lindsay Burdge) e Pruitt (John Caroll Lynch), pessoas desconhecidas para Will. Acompanhada de seu novo marido, David (Michiel Huisman), Eden está totalmente diferente de como era antes, despertando em Will a suspeita de que os anfitriões têm planos sinistros contra ele.
The Invitation oferece ao público uma história com ritmo lento, projetando drama, suspense e mistério, além de ter um toque de paranoia que acaba por aguçar a curiosidade do espectador. Assim como o protagonista, nos sentimos cada vez mais desconfortáveis, vendo maus presságios em todos os lugares. A casa, os visitantes e suas atitudes passam a despertar dúvidas e questionamentos.
Cabe ressaltar as ótimas atuações de todo o elenco. Will (Logan Marshall-Green), imprevisível e desconfiado ao nível de quase se tornar paranoico, Eden (Tammy Blanchard) com um instinto melodramático, Sadie (Lindsay Burdge) extrovertida, desprendida e selvagem e Pruitt (John Caroll Lynch), com uma calma e frieza muito peculiar. Todos esses traços, juntamente com uma trilha sonora bem dosada e sem excessos, provocam a sensação de tensão carregada em um ambiente onde todos parecem suspeitos. Afinal, existe uma conspiração ou tudo não passa de imaginação do protagonista?
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