Com o tão recente (e muito bem feito) live action de Mogli feito pela Disney, encarei como uma atitude corajosa da Warner e Netflix encabeçarem um projeto tão conhecido e ainda fresco na cabeça da maioria, mas as semelhanças entre os dois filmes param no nome porque o novo filme do Mogli com certeza não foi feito para a criançada.
Filmes originais Netflix raramente me agradam, mas dessa vez eles acertaram em cheio em diversos aspectos. A começar pela escolha de transformar essa versão em algo mais sombrio e menos dócil. Os animais, feitos por computação gráfica possuem trações e aspectos mais grotescos, reais, duros, diferente da versão feita pela Disney, que contava com um designer mais leve, suave e infantil. Trazer aos animais essa realidade já nos distancia completamente das versões que conhecíamos e mostra originalidade.
Entretanto, às vezes, os animais (por serem feitos inteiramente em computador) pareciam falsos, mas não pelo designer antes citada, mas por falta de recursos da produção, ou por terem dado a alguém não tão cuidadoso a tarefa de editá-los. Claro que isso não caracteriza o CGI do filme algo ruim, longe disso, é muito bonito visualmente, mas em algumas cenas peca por falta de cuidado ou de um pouquinho mais de dinheiro envolvido. Isso, com certeza, não atrapalha nem um pouco a imersão no filme e dá pra seguir tranquilamente sem dar muita importância para isso.
A história segue muito bem amarrada e nos mantém atentos ao filme desde os primeiros minutos, apresenta bem os personagens que precisa, não perde o fôlego quando os problemas começam e faz tudo isso de forma natural e coesa, sem que nos faça sentir quando termina o primeiro ato e começa o segundo. É tão natural que o primeiro e segundo ato parecem apenas um, e apenas quem está analisando detalhadamente os aspectos do filme é que vão notar quando termina um e começa outro.
A escolha do elenco também não poderia ter sido melhor, apesar de a atuação de Cate Blanchett, ou melhor, a personagem dela, Kaa, não me cativar, mas não pelo personagem, mas sim porque os movimentos me pareciam pouco naturais. Mas não sei dizer se foi por má entrega da atriz ou pelo CGI posto sobre ela depois. De qualquer forma, todos mandam muito bem, até mesmo o ator mirim que interpreta o Mogli, apesar de que em algumas cenas as expressões dele serem mais exageradas do que deveriam. Nisso, questiono-me até se não foi uma dificuldade da direção em fazer o garoto reagir de determinadas formas, mas de uma forma branda, equilibrada, nem morna demais, nem exagerada demais, mas isso, também, facilmente passará despercebido, pois as cenas onde há exagero, são cenas em que o garoto está com raiva, ou seja, podemos apenas fingir que ele estava com raiva demais e tudo bem.
O filme também faz bom uso das câmeras, e chamo atenção para a cena onde Mogli está na caverna de Kaa, onde a câmera gira conforme a cobra se enrola nos troncos e acho ainda, que aquela cena daria um belo plano sequência. A trilha sonora funciona bem, apesar de às vezes ser inserida de uma forma que não deveria ou ainda numa cena que não precisava.
Dessa vez a Warner fez um excelente trabalho, utilizando da forma certa uma história já tão conhecida. Cativou, criou tensão nos momentos certos, me fez torcer pelos personagens e ainda me deixou com a sensação de não querer ver o filme acabar tão cedo. Com poucos erros compensados pelos outros acertos, dessa vez eu tiro meu chapéu!