Inteligência Símia.
Quando os estúdios da Fox resolveram recomeçar do zero a franquia Planeta dos Macacos, pouco se esperava, em termos de conteúdo, do novo filme. Entretanto, 2011 marcou o lançamento de uma nova geração de símios no cinema, inteligentes e treinados para reagir quase como humanos. Isso serviu como base para o excelente Planeta dos Macacos: A Origem e para sua contnuação direta, ainda melhor.
Muitos anos após "A Origem", a sociedade foi devastada pelo vírus ALZ-113, também conhecido como "febre símia". Poucos pólos conseguiram se imunizar da contaminação, isolando-se em locais com forte poder bélico. É essa a montagem que abre o filme, localizando o espectador com os corridos entre o primeiro e o atual, passando pela devastação que o vírus foi capaz de causar ao longo de dez anos.
Na atual realidade, o macaco Cesar (Andy Serkis) lidera um gigantesco grupo de símios, animais estes que vivem reclusos e sem qualquer tipo de contato com seres humanos. Esse afastamento finda quando um grupo liderado por Malcolm (Jason Clarke) chega a floresta a procura de recursos para ativar uma represa local. O confronto gerado pela ocasião inicia os rumos da narrativa, pois mostra que os macacos estão além daquilo que os humanos conhecem.
O choque proporcionado pela ocasião deixa os humanos na defensiva, tanto pelo volume de animais encontrados quanto pelo receio do retorno do vírus que matou grande parte da humanidade. Sua contraparte, os macacos, também ficam sob alerta, já que a possibilidade de sofrer nas mãos humanas tornou-se, em tese, real. Esse conflito de interesses e medos rege a essência do enredo, pois ambos os lados procuram alternativas para se defender, seja através do diálogo ou da força bruta, vai sempre prevalecer a lei do mais habilidoso.
Na liderança dos humanos está Dreyfus (Gary Oldman), um homem cujo passado está repleto de perdas familiares, algo que se constata quando a cidadela que "governa" receba energia elétrica novamente. Um de seus mais prolíferos liderados é Malcolm, que responde pelo diálogo e conquista da confiança dos macacos; casado com Elmira (Keri Russell), uma mulher que se esforça pára manter os laços afetivos entre ela, o marido e enteado; além de alguns outos que pequena importância no enredo.
Voltando aos símios, Cesar é um líder cujo respeito é inabalável, ele prega que macacos não matam macacos e isso deve prevalecer sob qualquer circunstância, porém, quando isso é quebrado, o responsável pela afronta não é digno da lei em questão. Essa constante causa uma notória reflexão sobre o respeito entre os seres vivos da mesma espécie, haja vista que os macacos se fortalecem pelo desejo de prosperar e se manterem vivos, sempre defendendo sua raça com respeito mútuo. Outro ponto que chama a atenção é o sentimento demonstrado pela família no reino animal, Cesar possui "mulher" e dois filhos, dos quais é capaz de tudo para o bem estar deles, chegando inclusive a confrontar ideologias e aceitar ajuda de humanos, algo fenomenal pela forma como é tratada na telinha.
Evidente que as surpresas do filme não residem apenas na parte narrativa, pois os quesitos técnicos também são de cair o queixo. A começar pelos efeitos visuais, a Weta Digital mais uma vez clama pela atenção com seus toques digitais foto realistas ao extremo, os macacos são simplesmente impressionantes, desde comportamentos, pelos e interação com o ambiente, fazendo uso soberbo da iluminação e chuva com notória habilidade de perfeição. Sem contar a captura de performance que faz Andy Serkis mais uma fez ser digno do Oscar por seu Cesar "humano" capaz de transpirar sentimento a cada segundo presente em cena.
PLANETA DOS MACACOS - O CONFRONTO, do diretor por Matt Reeves, é mais uma prova das capacidades narrativas de um filme de ação fora do contexto tradicional. Há profundidade e complexidade na luta entre a natureza e os humanos, no qual fica nítido que de ambos os lados há quem defenda o diálogo ante a brutalidade para imperar a lei do mais forte. O sentimento que paira nessas divergência faz toda a diferença, elevando a produção ao reconhecido status que ganhou nos cinemas. Uma pérola!