Três anos após o renomado "A Origem", "O Confronto" trás questões parecidas, porém mais evoluídas por assim dizer sobre a humanidade que há em si. O filme inicia-se mostrando como se tornou a vida dos macacos vivendo em sociedade e apenas cerca de quinze minutos depois ouvimos uma voz humana no filme, não que seja chato, na verdade qualquer um que já viu o filme tenho certeza que poderia passar o filme inteiro sem humanos.
Os dois núcleos(macacos e humanos) são mostrados como um espelho. "Como assim?" você me pergunta. César(Andy Serkis) é o líder imponente, o macaco mais forte, inteligente e talvez mais racional do grupo gigantesco que ele lidera(
realmente gigantesco pois não importa as duzias de macacos que morram, seu numero sempre parece o mesmo ou aumenta
), temos Koba(Toby Kebbell) o macaco que a partir de um ponto do filme se torna vilão(não que isso já não fosse esperado), Maurice(Karin Konoval) em minha opinião é o macaco mais interessante pois parece ser o mais humano(o mais próximo aos macacos apresentados no longa de 1968). Do outro lado temos Malcolm(Jason Clarke) que assim como César acredita na vida pacifica entre macacos e humanos, liderando a equipe de cientistas do filme, Dreyfus(Gary Oldman), parece-se com Koba ao querer a guerra entre as raças mais do que tudo, e assim funciona o espelho.
Porém, se o núcleo dos símios é aproveitado da forma mais intrigante possível, o dos humanos parece ser quase esquecido, mostrando mais Malcolm por ser o protagonista(mas nós não ficamos sabendo muito sobre ele, porém detalhes que parecem ser esquecidos com o tempo são expostos), como eu já expliquei com o espelho, ele parece-se muito com César, até pelo modo de vida, com sua namorada e seu filho, do mesmo jeito que César tem sua parceira e seus dois filhos. Gary Oldman não ganha muito destaque no filme(como já era esperado por muitos, inclusive eu), porém ele só realmente ganha importância no filme na cena final(literalmente no final) e não vale a pena desenvolve-lo. Trazer o núcleo de Dreyfus com seu filho infectado pela gripe símia explica parte da raiva que ele sente,
mas ele é completamente irrelevante até a cena que ele ajuda a matar Koba com a sua bomba que não serve para nada
.
As questões sociais trazidas são talvez as mais interessantes desde um documentário que traria Nelson Mandela ou Martin Luther King como cânone. Na questão de(como diz César no desfecho) todos serem iguais, a humanidade acaba com tudo e os macacos aparecem para reinventa-lo, porém eles caminham para o mesmo futuro que os humanos, será que no fim todos perdem a sua humanidade e não há diferença entre humanos e símios em geral? César parece muito com um filosofo ao trazer estas questões nas entrelinhas em uma de suas ultimas falas.
César poderia ter morrido neste filme sem problemas,
não do jeito que quase aconteceu, que foi aceitável se ele tivesse realmente morrido
, mas na minha opinião o arco dele já está acabado, e eu não veria problema em ver uma continuação com um de seus filhos ou outro símio como protagonista.
"Macaco jamais matará macaco", no filme de 1973 essa é a frase mais ouvida no filme, ela é trazida a tona algumas vezes durante este,
e no final até César burla essa regra quado mata Koba dizendo que ele não é macaco, o que parece ser parte de desistir de sua "humanidade", mas se ele não tivesse feito aquilo, Koba não teria parado e vem-se a velha do questão do bem comum
. As semelhanças com os filmes originais começam a ser notadas neste filme e eu ainda espero que o desfecho final desta nova saga do planeta dos macacos seja o enterro da estatua da liberdade, e acredite, estão caminhando pra isso. Neste filme já vimos a divisão entre raças, os chimpanzés são os lideres, inteligentes e responsáveis, os gorilas, brutamontes, são os guardas e os orangotangos como Maurice são os filósofos, ensinam as crianças e etc.
A captura de movimento é absolutamente sensacional, o filme abre e ficha com uma visão dos olhos de César e eu duvido que alguém consiga apontar uma parte daqueles olhos que não pareça real, quando o exercito de macacos liderados por Koba marcha sobre San Francisco é inacreditável ver tantas pessoas em uma só imagem de captura de movimento.
"Planeta dos Macacos: O Confronto" traz questões sociais e cenas de ação que batem de frente com "Tranformers: A Era da Extinção", também por conta do sucesso de público dos dois e pelo segundo ter sido lançado antes e o primeiro ter de correr atrás.
Muitos compararam o filme a "Dark Knight" que é um filme que funciona sozinho, você também pode ver "O Confronto" sem se preocupar se viu o primeiro filme, porém a comparação entre os dois é quase que incontestável, do mesmo jeito que Harvey vai perdendo sua humanidade e se transformando em duas caras em "Dark Knight", o mesmo acontece com quase todos em "O Confronto", sorte de Gary Oldman estar nos dois. Uma pancada de semelhanças pode ser achada entre os dois filmes como coringa e Koba por exemplo.
O filho mais velho de César, Olhos Azuis é assim como Maurice um dos mais interessantes e também o personagem mais explorado do filme, é incrível como consegue-se construir tanta coisa com tantos poucos detalhes em um filme só. Olhos Azuis é o tipico filho que vai assumir o posto do pai e precisa aprender para se tornar "o homem da casa", mas ele acaba sendo meio que persuadido por Koba durante o filme e precisa tomar decisões interessantes de se ver.
Eu espero que mais de um filme ainda seja produzido, pois não tem como terminar essa história com só mais um capítulo, eu quero ver a origem da zona proibida, o enterro da estatua, a evolução dorsal dos símios e mais.