É um filme com algumas cenas visualmente belas. A caracterização do monstro me agrada muito, suas cores pálidas, os movimentos de um corpo que é um remendo de cadáveres que tenta se posicionar no mundo., e a atuação surpreendente de Jacob Elordi, que deu o tom da voz, do olhar e dos movimentos perfeito para a proposta do personagem.
Também a personagem da Mia Goth é muito interessante, e sua atuação me agrada muito. Mas senti que a primeira parte do filme promete um desenvolvimento da personagem dela que não se cumpre, e sua morte parece não provocar absolutamente nada de substancial na trajetória emocional dos 2 personagens principais, visto que o movimento que eles já haviam iniciado anteriormente apenas continua escalando.
Outra coisa bem estranha é o arco de redenção dos personagens:
o pedido de perdão
surge inesperadamente do personagem do Victor, que até então não demostrava nenhum sinal de que seria capaz de atitude tão nobre, fazendo a cena perder o peso que deveria ter. Ficou faltando alguma parte da história que justificasse aquele momento.
O victor é um personagem interessantíssimo na infanciaa, mas na vida adulta se torna muito plano, uma caricatura de um homem transtornado por uma obsessão.
Ele, um ser humano nascido de uma mãe amorosa, é o verdadeiro monstro,
sugere seu proprio irmão
. E o monstro, uma quimera de cadáveres, tem uma humanidade admirável que nos comove, e que promete se estender para a eternidade. Ou seja, sua monstruosidade consiste apenas em não poder morrer, mas isso sustenta um monstro? Os monstros mitológicos nascem de diversas formas, frequentemente a partir do caos, da ira dos deuses, de combinações proibidas pelos deuses mas fruto da teimosia dos mortais, e sempre representam um perigo, e sua ira é irrefreável. É preciso lutar para derrotar os monstros. Neste filme, Guilhermo Del toro destrói a noção de monstro, dilui o sentido do perdão numa água insossa, apenas para construir esteticamente o Monstro com o qual ele sonhava, e que não assusta a ninguém.