Frankenstein
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4,4
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Joao Vitor
Joao Vitor

16 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 10 de novembro de 2025
Que filme. Que obra. Que mensagem. Que passagem. Que ensinamento. Que momento. Que reflexão que ele nos deixa.

Eu não lembrava direito do que se tratava Frankenstein. Tinha na cabeça apenas a ideia do monstro, do ser costurado, do horror. Mas o que Guillermo del Toro faz aqui é diferente — ele te obriga a olhar mais fundo, a ver além da carne, além do grotesco, e perceber que, dentro daquela criatura, existe tudo aquilo que ainda é humano.
Frankenstein é o monstro mais humano de todos. Ele ama. Ele sente raiva. Ele sofre. Ele perdoa. Ele deseja apenas algo que todos nós desejamos: não estar sozinho.
E o mais cruel é que esse desejo nunca lhe é concedido. Ele nasceu já condenado à solidão — não por ter vida eterna, mas por nunca ter sido aceito.

A criação de Victor não é apenas um experimento científico. É o reflexo da alma corrompida do próprio criador.
Victor Frankenstein é, de todas as figuras do filme, o verdadeiro monstro.
Não porque mata. Mas porque usa, deseja, consome e abandona.
Ele herdou a doença do pai — não uma enfermidade física, mas algo muito mais letal: a doença da ambição, da necessidade de controle, da crença de que o mundo é um brinquedo em suas mãos.
Victor é um homem sem limite, sem piedade, sem empatia. E é justamente isso que o torna trágico.
Ele é a representação do que acontece quando o amor é substituído pela obsessão.

Quando perdeu a mãe, perdeu também o último laço que o conectava à pureza.
E naquele momento, nasceu o vazio que ele passou a tentar preencher criando vida.
Mas o que ele criou foi um espelho — um ser feito de retalhos, rejeitado, desprezado — assim como o próprio Victor por dentro.

Há um detalhe que del Toro faz questão de deixar claro: Victor não compreende o amor, mas tenta reproduzi-lo.
Ele tenta reconstruir o que perdeu, mas não entende que o amor não é algo que se fabrica — é algo que se vive.
Quando se envolve com Elizabeth, ele acredita estar sentindo algo real, mas o que sente é apenas um eco do que um dia foi.
Elizabeth vê isso. Ela enxerga o quanto Victor já estava partido, já estava corrompido.
Ela não o ama — ela o compreende. E, de certa forma, o lamenta.
Porque sabe que ele nunca poderia lhe dar o que ela mais queria: liberdade.

A criação de Frankenstein nasce, então, como um grito.
É o desejo de Victor de brincar de Deus.
Mas, ao mesmo tempo, é a materialização de sua própria ruína.
E quando a criatura desperta, ela nasce com medo. Com fragilidade.
Ela é como uma criança — pura, confusa, assustada — mas que em segundos é rejeitada.
Rejeitada pelo próprio pai, que a chama de monstro e tenta destruí-la.
E ali, naquele instante, é como se o universo inteiro repetisse a mesma história:
o pai que abandona o filho, o criador que teme a sua criação, o homem que foge daquilo que mais se parece consigo mesmo.

Elizabeth, quando o vê, entende o que ninguém entendeu.
Ela vê nele o que há de mais puro, mais sincero.
Ela reconhece nele o reflexo da própria prisão em que vive.
Frankenstein, para ela, é liberdade — porque ele não carrega as máscaras do mundo.
E é amor — porque é capaz de sentir, mesmo sem ter aprendido o que é amar.
Ela o aceita.
E ele, pela primeira vez, se sente visto.
Mas o egoísmo de Victor destrói isso também.
Destrói o amor, destrói a vida, destrói tudo ao redor.

O mais comovente, porém, é o que vem depois: quando Frankenstein encontra abrigo com o velho da cabana.
Um homem cego, mas que enxerga mais do que todos os que têm olhos.
Ele o acolhe, o chama de amigo, o escuta.
É nesse momento que o monstro sente algo que o criador jamais lhe deu: afetividade verdadeira.
É um dos momentos mais belos da história — a cena em que o que não é visto é, finalmente, compreendido.
Frankenstein aprende o que é bondade. Aprende o que é ser aceito.
Mas o mundo, mais uma vez, o arranca disso.
A maldade humana o empurra de volta pra solidão.

Mesmo assim, ele não se revolta.
Ele busca seu pai, não pra matá-lo, mas pra pedir companhia.
Não quer vingança. Quer partilhar a vida que foi condenado a viver.
Quer uma parceira. Uma alma pra dividir o fardo da eternidade.
É um pedido tão simples — e tão humano — que chega a doer.
Mas Victor, ainda cego pelo próprio ego, destrói até isso.
Mata Elizabeth. Mata o irmão. Mata tudo o que o rodeia.
No final, só resta ele e sua criação — e o eco das consequências de sua própria arrogância.

Victor morre como viveu: sufocado por si mesmo.
Mas Frankenstein, o “monstro”, faz aquilo que nenhum humano faria:
Ele perdoa.
Ele dá ao seu criador uma morte tranquila, mesmo com o coração despedaçado.
E continua vivo.
Condenado a caminhar sozinho pela eternidade.
Mas carregando dentro de si o que há de mais nobre: a capacidade de sentir, de compreender, de amar.

No fim, quem realmente é o monstro?
Aquele que foi criado a partir da morte, ou aquele que escolheu viver sem alma?

Guillermo del Toro nos entrega aqui uma obra de humanidade, ego e redenção.
Um filme sobre o fardo de ser consciente, o peso de existir e a necessidade de ser amado.
E quando as luzes se apagam, o que fica é a pergunta que mais dói:
será que o monstro é ele — ou somos nós?
NERD BRAZIL
NERD BRAZIL

3 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 10 de novembro de 2025
Uma obra prima da Netflix um filme desse era obrigatório ser apresentado nos cinemas!
A fotografia do filme é linda impecável o drama a história é bem escrita os personagens bem apresentando que filme extraordinário!
Alana Cristina
Alana Cristina

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de novembro de 2025
Há anos eu não assistia a um filme tão impactante e tão bom. Finalmente algo que realmente me surpreendeu. Super recomendo - gostei demais do filme. Parabéns ao cineasta, atores e elenco.
Nelson J
Nelson J

51.064 seguidores 1.989 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 9 de novembro de 2025
Filme longo e arrastado sobre um Super Frankenstein que só falta voar. Tem sensibilidade sobre o existir, ms bem entediante.
Gabriel S.
Gabriel S.

3 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 9 de novembro de 2025
Del Toro consegue entregar Dark Fantasy, drama, violência de uma forma singular.
Em Frankstein mais uma vez ele faz isso.
É um filme maravilhoso.
Talita Soares
Talita Soares

2 seguidores 15 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 8 de novembro de 2025
Lindo, sensível, melancólico e poético. Del Toro em seu estado puro de arte. Fotografia esplêndida, figurino impecável, direção majestosa, maquiagem irretocável e belas atuações… uma atmosfera que impressiona a cada cena. Vemos um clássico nascendo.
Marina Crozetta
Marina Crozetta

17 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 8 de novembro de 2025
Eu achei o filme Frankenstein de uma delicadeza muito grande.
Ele fala sobre coisas em que eu acredito: sobre a pureza das pessoas, sobre ter um coração bom, sobre como a aparência não significa nada.
Fala também sobre o valor da amizade e sobre a vida em si: sobre quando você tem todos os motivos pra viver e só quer desistir, ou quando tem todos os motivos pra desistir e, ainda assim, só quer viver.
É um filme humano, sensível e profundo, que mostra o quanto a essência vale mais do que qualquer forma. O livro é nota mil, o filme não é fidedigno, mas também merece a mesma nota!
Urbana Videos
Urbana Videos

2 seguidores 38 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 7 de novembro de 2025
Que filmaço. Digno de Oscar. Direção e roteiro impecáveis. Ótimas atuações, te prende do início aí fim. Vagem cada minuto assistido. Finalmente um filme clássico surgiu.
SR SINCERO
SR SINCERO

3 seguidores 80 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 7 de novembro de 2025
Um baita de um filme ! Superou e muito as minhas espectativas, melhor filme do ano pra mim . Ótimas atuações de Oscar , Jacob e Mia e de todos os outros ! Filme muito bem dirigido e com um roteiro cativante do início meio e fim !! Com essa qualidade eu assistiria até 4 horas de filme !! Recomendo muito , assistam !
Denise Rodrigues
Denise Rodrigues

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5,0
Enviada em 7 de novembro de 2025
É sensível
É profundo e lindo.
Algo bem filme ao livro, sem dúvidas um filme que deveria ser visto por todos
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