Frankenstein
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Gabriel T.
Gabriel T.

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5,0
Enviada em 26 de outubro de 2025
Os vários pedaços da humanidade.

Em mais uma adaptação, a história do médico que dá vida a uma criatura feita de pedaços mortos, impressiona com a fidelidade ao livro original. Ainda assim, traz novas partes exclusivas para o cinema.
Frankenstein é uma obra atemporal.

Escrito magistralmente pela autora Mary Shelley quando tinha apenas 21 anos, o clássico ganha uma nova vida no cinema sob a direção do experiente e aclamado Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno, A Forma da Água).

Desde 1818 até agora, o clássico desperta admiração, horror e reflexões sobre o bem e mal, o arrependimento humano e os limites da ambição e do poder.

Na versão para o cinema de 2025, a produção foca em intensificar os elementos desses questionamentos para que o público descubra as respostas por si só.

Mas diferente das contas matemáticas, essas repostas não são absolutas.

As incertezas e a dualidade entre quem de fato é o herói e quem é o vilão, e quais motivações são justificáveis participam da obra tanto nas falas e ações das personagens quanto na própria composição artística do que vemos e ouvimos nos cenários e figurinos.

As cores contrastam entre o vibrante e o sombrio, os cenários entre a vida e desolação. O som vai da tranquilidade ao caos, e o elenco exibe diferentes facetas da humanidade com performances viscerais.

Ao contrário da visão do obstinado médico Victor Frankenstein que luta contra certas imperfeições que enxerga no mundo, é difícil encontrar uma imperfeição nessa nova versão do filme.

O envolvimento do público, ora cativado, ora enojado, é tão profundo que é fácil esquecer de respirar diante do que acontece em cena.

A produção expande motivações e personagens sem perder a essência do livro: a reflexão das ambições, conquistas humanas e suas consequências.

Ao mesmo tempo, diminui uma longa série de acontecimentos na literatura para intensificar o núcleo principal de drama e ação (para não dizer arrependimento e comoção) na trama do cinema.

Victor Frankenstein é interpretado em sua juventude com inocência e brilhantismo pela ótima performance de Christian Convery (Sweet Tooth), e em sua fase adulta, pela obcecada e intensa atuação de Oscar Isaac (Ex Machina e Star Wars).
O ator realmente encarna o papel de uma figura tão complexa.

Em muitos momentos, com sua presença física e concentração intelectual, Oscar parece realmente estar dedicado a busca de dar vida a uma criatura a partir de sua ciência inovadora enquanto rodam as câmeras.
A motivação do Dr. Frankenstein também é de grande destaque no filme.

Mesmo após séculos de leitura, muitos parecem não compreender o que realmente motiva o personagem, além de uma “loucura injustificável”. O novo filme esclarece e reforça esse ponto.

O cientista é genial, egocêntrico e audacioso, mas não apenas um louco desmedido.

Embora com algumas modificações na origem do personagem, o fator principal que inicia a trama tem sua semente plantada logo na infância de Victor Frankenstein.

A relação tão carinhosa com sua mãe é um alento na sua juventude, em que seu pai, por outro lado, implica com severidade nos critérios e na imagem de superioridade que seu filho deveria alcançar, mais do que o valor de quem ele realmente é.

Desperto para suas perseguições após a perda da vida de sua mãe tão querida, o jovem Victor se impõe o destino de vencer a morte.

E desde esse início da produção, Del Toro e sua equipe não perdem nenhuma chance para colocar em cena, mesmo que de forma sutil, os detalhes dessa forte conexão dos personagens com aqueles que os criaram no passado.

Victor está sempre com um adorno em vermelho vivo remetendo às roupas que sua amada mãe costumava vestir.
E nos momentos derradeiros, começa a repetir as mesmas ações cruéis que tanto desaprovava que seu pai fizesse, especialmente naqueles a quem deveria amar e cuidar.

Ao finalmente dar vida a sua Criatura após tanto esforço e vontade, o Criador se vê perdido. Como uma criança que ganha o brinquedo que tanto pedia, ele não sabe mais o que fazer com ele e nem mais o que perseguir.

Em uma representação de muitas figuras e momentos da humanidade, Frankenstein só se arrepende de seus feitos inovadores e terríveis após eles estarem, enfim, concluídos e impossíveis de serem alterados ou cancelados. Um caminho sem volta da tecnologia e de como ela afeta o próprio Homem.

Carregando em si as críticas e altos padrões com que seu próprio pai o machucou na infância, Frankenstein anula qualquer carinho real para o inocente ser pelo qual é responsável por ter trazido a vida de forma tão medonha.

Jacob Elordi (Euphoria) comove e espanta com uma Criatura/Monstro mais fiel ao livro de Mary Shelley do que vemos em muitos anos nas telas.

O personagem inicia com gestos delicados e desajeitados. Com toda sua pureza e simplicidade, como de um recém-nascido, logo se torna uma força brutal.

O monstro possui violência e compaixão humana superiores à soma dos pedaços que o formaram.

Tamanho abandono e a ausência do mínimo afeto e da humanização que deveria dar a sua Criatura afloram a raiva do cientista crítico e decepcionado, e logo, também seu medo pela tentativa de revolta do homem feito com pedaços de outros a quem ele aflige.

O longa de Del Toro faz uma mudança brusca em relação ao livro, em como introduz o ponto de vista da Criatura na história. E como muitas das mudanças criativas que ele aplicou, só dão mais significado e empatia pelo homem recém-criado.

Desde o livro de 1818, o “monstro de Frankenstein” nunca foi um ser de puro mal sem compreensão, ou mesmo sem inteligência. Ainda que cometendo crimes bárbaros, sua humanidade e sentimentos de bondade são até maiores do que em muitas pessoas “inteiras” que vemos por aí.

Contudo, o filme de 2025 dá mais tempo para o público compreender a formação de sua índole, como ele aprendeu sobre o mundo, sobre os homens e toda as suas ações boas e cruéis que eles fazem uns com os outros.

Recebendo o tão desejado carinho e ensinamentos por alguém que não consegue se espantar por sua aparência e natureza tão diferentes, a Criatura passa de uma experiência frustrante a seu Criador, para se tornar um homem com vontade de conhecimento sobre si próprio e sobre como ajudar aos outros pelos quais tem afeto.

David Bradley (da saga Harry Potter) junto com a Criatura de Jacob Elordi entrega algumas das cenas mais emocionantes do longa.

E como todo novo integrante da humanidade, a Criatura logo descobre (ou relembra) além das maravilhas e bondade carinhosa, o lado vil do ser humano, seu preconceito e da natureza em que ele está inserido e modificando.

A trama segue cobrindo aspectos do sentimento de solidão, desilusão com os outros e com si próprio.

A obra atravessa temas como inveja, ciúme, o vício de desafiar a morte e a eterna vingança entre inimigos que deveriam se apoiar.

Sempre com ambientes e estética inebriantes, e um ritmo de ação de um filme impactante e poderoso como seus personagens, Frankenstein (2025) é mais do que um conto de uma criatura morta trazida à vida pela ciência. É sobre as facetas da humanidade em todas as suas variações.

Com uma adição muito inteligente de Cristoph Waltz (Bastardos Inglórios e Django Livre) no novo personagem Harlander, a trama ganha ainda mais rostos que mostram que a obsessão do Dr. Frankenstein na verdade é algo compartilhada por muitos outros. Cada um com suas respectivas necessidades e ambições pessoais.

Mia Goth (Pearl e MaXXXine) segue com uma adaptação da figura da Elizabeth que desperta fortes emoções tanto no Criador quanto na Criatura, com sua virtude um tanto quanto desmedida e sedutora para um trio de personagens.

Victor Frankenstein tem toda sua excentricidade individual, mas também os comportamentos replicados de seu pai.

Seu “Monstro” tem toda a doçura de uma alma nova, abandonada e bem cuidada por um amigo idoso improvável, mas também o uivo brutal dos lobos com que teve que lutar com força sobre-humana na natureza, além da posse da mesma determinação interminável do cientista que fez.

Se no livro de Mary Shelley não ficou claro para alguns, o filme de Del Toro reforça que somos todos Frankenstein, tanto o Criador quanto a Criatura. Produtos dos indivíduos que participam de nossa criação, carregando os atributos daqueles que um dia amamos e dos que desprezamos no início de nossa formação.

Assim como a Criatura de Frankenstein, montada a partir de muitos corpos, o filme da Netflix nos envolve com as visões e lados da humanidade, nunca unânimes ou únicos. Um prisma de ações, cobiças e emoções que se modificam, se arrependem e buscam redenção enquanto há tempo.
Edila Paiva
Edila Paiva

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5,0
Enviada em 30 de outubro de 2025
Suspense,drama, fotografia impecá gatilhos psicoló do melhores filmes dos últimos anos.
Gabrielle
Gabrielle

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5,0
Enviada em 31 de outubro de 2025
Impecável, o filme me deixou maravilhada do início ao fim, Oscar Isaac como sempre dando um belo show de atuação
Ricardo L.
Ricardo L.

63.049 seguidores 3.148 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 29 de dezembro de 2025
Guillermo Del Toro em ação e agora mais romântico e cheio de mistérios! Elenco ótimo e performances elogiadas, com um roteiro numa pegada mais cult, claro seu 2º ato perde forças e se reintegra no final! Mais uma boa obra do mestre!
Nelson J
Nelson J

50.822 seguidores 1.938 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 9 de novembro de 2025
Filme longo e arrastado sobre um Super Frankenstein que só falta voar. Tem sensibilidade sobre o existir, ms bem entediante.
Daniel Novaes
Daniel Novaes

7.742 seguidores 868 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 3 de janeiro de 2026
Triste, pesado, lúdico, intrigante... baita filme, fotografias épicas, cenário idem. Um filme que encanta, prende e faz refletir.
Thiago Petherson
Thiago Petherson

163 seguidores 242 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 20 de novembro de 2025
Muito bom filme. Como sempre, Del Toro sendo bem autoral. Fotografia e ambientação com sua assinatura.
Oscar Isaac entrega uma ótima atuação Assim como Jacob Elordi e Mia Goth também estão bem.
Christoph Waltz OK dessa vez (não entrega algo estupendo, como de costume, mas também não decepciona).
Bela adaptação de Frankenstein.
Luiz Cappellano
Luiz Cappellano

62 seguidores 98 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 10 de novembro de 2025
Frankenstein (2025) é um filme gótico baseado no romance de Mary Shelley de 1818, embora seja ambientado entre as décadas de 1850/1860 (vide figurinos). Trata-se de uma produção estadunidense de 2025, produzido, escrito e dirigido por Guillermo del Toro, que diz que este filme era o sonho de sua vida: “A criação de Mary Shelley me acompanha ao longo da vida. Mesmo sendo a minha Bíblia, eu quis me apropriar da história, contá-la em outro tom, com outra emoção”, conta del Toro. "Eu queria fazer esse filme antes mesmo de ter uma câmera ou saber dirigir."
Ao invés de um filme de horror/terror, sendo bastante fiel a Mary Shelley (cuja voz escutamos reverberar nas falas da personagem Elizabeth), o que Del Toro nos traz é pura crítica social, o retrato de uma época: a era vitoriana explicitamente jogada na nossa cara, com as ruas imundas e lamacentas, os "mercadores da morte" (capitalistas que financiam as guerras), a propagação da sífilis e as suas mazelas, bastando evidenciar a fala do personagem Harlander ("uma noite com Vênus e o resto da vida com Mercúrio! ") para entendermos a impotência e ineficácia da ciência da época em combater a doença...
Uma obra de arte, com fotografia, figurinos (prestem atenção à utilização do "verde Paris", produzido a partir do cobre e do arsênico, que era o top da moda da época) e cenários belíssimos, iluminação primorosa e até citação dos pintores impressionistas (mais uma fala de Harlander, que ao comentar sobre a cor, coloca que se vemos um azul marinho ao meio dia ele se aproxima do roxo e se observarmos este mesmo azul marinho á noite ele se torna preto).
Me causou profunda comoção a situação existencial do ser sem nome, um homem grande e todo "remendado", com um lindo rosto e uma alma pura como a de um recém nascido. Ele tem uma delicadeza, sabedoria de vida, sensibilidade e lirismo que estão completamente ausentes em Vítor Frankenstein, o verdadeiro monstro (como verbalizado por pelo menos três personagens: Elizabeth, que é a porta-voz de Mary Shelley, Willian, o irmão de Vítor e a própria criatura) que o criou por pura vaidade, para demonstrar poder e sabedoria, apenas para, uma vez criado, maltratá-lo, surrá-lo e até tentar acabar com ele.
NerdCall
NerdCall

46 seguidores 406 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 11 de novembro de 2025
Guillermo del Toro sempre deixou claro seu desejo de adaptar Frankenstein para o cinema. Desde os primeiros anos de sua carreira, o diretor mexicano manifestava fascínio pela obra de Mary Shelley e pela dualidade entre o criador e a criatura — temas que dialogam diretamente com seu estilo visual e emocional. Ver esse projeto finalmente sair do papel é como testemunhar a realização de um sonho antigo, não apenas para ele, mas também para o público que acompanha sua filmografia repleta de sensibilidade e imaginação. E o resultado, embora irregular, reflete com honestidade a paixão do cineasta por esse universo.

Há uma beleza inegável no filme. Del Toro imprime emoção em cada gesto e cada olhar de seus personagens. Sua versão de Frankenstein não é sobre o medo do monstro, mas sobre a solidão de ser humano. O cineasta resgata a essência melancólica da obra de Shelley — a dor de existir e a busca por aceitação — e a reinterpreta com sua sensibilidade habitual. Mesmo quando a execução tropeça, a intenção artística é clara e genuína.

Em resumo, Frankenstein de Guillermo del Toro é um filme que vive entre a grandiosidade e a imperfeição. Não alcança toda a potência que promete, mas é difícil não admirar o esforço e o sentimento por trás da obra. É uma produção que, apesar das limitações técnicas e dos excessos narrativos, permanece fiel à alma do diretor: um contador de histórias apaixonado por monstros, que encontra na escuridão um espelho da condição humana. O que antes era apenas o “e se del Toro fizesse Frankenstein?” agora se torna realidade — e, mesmo com falhas, é um sonho digno de ser visto.
Diogo Codiceira
Diogo Codiceira

20 seguidores 732 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 20 de novembro de 2025
Frankestein é um terror/drama que contou com a direção e roteiro de Guillermo del Toro. Na trama, acompanhamos um cientista Victor Frankenstein (Oscar Isaac) brilhante e ambicioso, que procura realizar pesquisas pra evitar a morte. Com ajuda financeira de um ex-médico Harlander (Christoph Waltz), Victor consegue traz uma criatura monstruosa à vida. Porém, tal criatura (Jacob Elordi) coloca em risco à vida de Victor. Convenhamos que a obra literária de Frankenstein, de Mary Shelley era algo que faltava para del Toro fazer no cinema. A narrativa do filme segue linhas temporais diferentes e visões distintas tbm. Inicialmente temos o presente, na região polar, em que Victor é encontrado ferido por uma embarcação que está presa no gelo e acaba contando toda a sua história ( da infância até tal momento em que foi encontrado). A parte 2 do filme é contada pela visão da criatura que invade o barco e conta a história para o Capitão Anderson (Lars Mikkelsen) que é o ouvinte de ambas as narrativas. A trama segue a cartilha da obra, mas adicionamos o tempero macabro em diversas cenas que é bem típico de del Toro. Precisamos destacar o bom elenco, e aqui acrescento a belíssima Mia Goth, que tem uma repulsa por Victor e uma ingênua atração pela criatura. Por falar nisso, a atuação de Jacob Elordi como a criatura foi muito boa. Outro ponto do filme é que a criatura em nenhum momento é taxada como monstro, mas vítima da insensibilidade do seu criador. Tal ato nos faz refletir quem é o verdadeiro monstro no filme. Outro ponto a se pensar é: quando a criatura não ficou mais dependente de Victor, o seu criado, soube se virar sozinha e parou de adora-lo. Mas quando viu o seu criador frágil, resolveu perdoa por entender que é capaz de errar ( e errou ao brincar de Deus).
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