Desde que anunciaram Dakota Johnson e Jamie Dornan como Anastasia Steele e Christian Grey eu tinha CERTEZA de que não daria certo. Ele porque acho que não tem o carisma que o irresistível Sr. Grey deveria ter. E ela porque, primeiro, tem cara de “velha” (de quase 30, digo, mas jamais de 21) e segundo porque, vamos combinar, a moça é muito fraquinha. Com ele eu devo confessar que me surpreendi – talvez por realmente não ter esperado muito, acabei achando a atuação dele bastante satisfatória. Well done, Mr. Grey. Mas ela… Se fosse compará-la à Bella Swan de Kristen Stewart, não sei, sinceramente, dizer qual é pior. Não que a personagem do livro ajudasse muito – ela é, realmente, meio monga no livro -, mas Dakota conseguiu deixá-la ainda mais sonsa. Sem contar que, em todas as cenas mais “picantes”, o personagem de Dornan mal encostava nela e ela já estava se derretendo toda, gemendo e jogando os cabelos pra trás enlouquecidamente. Não, amiga, não é assim que as coisas funcionam. Sem contar que você era virgem, lembra? Pois é.
Essa é outra questão que deixou muito a desejar: a cenas de sexo. É claro que ninguém vai achar que tá indo ver a Emmanuelle em ação novamente e é, de fato, intencional (tanto no livro quanto no filme) que a história seja mesmo voltada pra essa mulherada mais recatada e cheia de pudores que encontrou nessa trama um escape pros seus desejos reprimidos. Mas, ah, faltou uma pimenta ali, viu?
Não se pode negar que é tudo muito bem produzido – até mesmo as cenas de sexo são muito bem feitas e apesar de não serem tão ousadas quanto poderiam/deveriam ser, ficaram visualmente muito bacanas. Se não fosse a atuação sofrível de Dakota Johnson, talvez fossem até mais interessantes.
A trilha sonora é outra grande falha do filme. Gente, com tanta música sensual dando sopa por aí, faltou muita criatividade pros responsáveis pela trilha (cadê Portishead, meu Deus??). Os cenários, é claro, são perfeitos, e a fotografia é até bem interessante, com vários closes e planos de câmera que mostram muito, sem mostrar nada.
Não tinha como fazerem um filme bom baseado em um livro ruim. O fato é esse. E o filme é bem fiel ao livro. Então, apesar de ter seus altos e baixos, "50 tons de cinza" acaba sendo aquilo que poderia ser: um filme, por um lado, até entretenedor, mas, por outro, um tanto patético.