Praia do Futuro
Média
3,1
253 notas

43 Críticas do usuário

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Edson ..
Edson ..

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4,0
Enviada em 15 de maio de 2014
Bom, parece que o novo filão agora, tanto na telinha quanto na telona, é usar e abusar de personagens gays!
O novo filme em que Wagner Moura aparece, menos agressivo (Tropa de Elite); sem ser delicado, é um filme bom, tem lá seus defeitos; uma fotografia péssima e o som quase inaudível, todavia o roteiro é muito bom, e a ambientação também é adequada.
O diretor nos apresenta um bombeiro militar, salva-vidas e que depois de uma tentativa frustrada de resgate acaba se envolvendo com um turista alemão e vai parar onde? Na Alemanha. Até aí tudo banal e até pitoresco. Com o desenrolar do filme, em que as personagens pouco falam, cria-se uma expectativa acerca do final, que chega com uma confissão muito interessante sobre as escolhas que cada um faz e suas consequências.
Wagner está muito bem, caracteriza um cara comum, sem ser caricato!
Querendo conferir, veja o trailer!
Phelipe V.
Phelipe V.

510 seguidores 204 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 13 de maio de 2014
Praia do Futuro sofre de alguns maus, e gostaria de dizer que eles são inevitáveis, mas não: prejudicam, um pouco, o filme. Mas o que respira, no fim, é o belíssimo trabalho de Karim Ainouz, mais uma vez, na direção, dessa vez em uma parceria mais que esperada com Wagner Moura, que tem uma fé enorme na trajetória de seu personagem e o agarra com unhas e dentes. Separar o filme em três partes, entretanto, pra simbolizar cada um dos personagens que são foco narrativa me parece muito mais uma decisão maketeira, pra estampar os títulos no pôster, do que algo que realmente acrescente a esse "caso".

Há aqui uma combinação técnica perfeita de todos os aspectos da cinematografia, desde montagem a roteiro, todos muito bem cuidados e pensados pra dizer bastante, com pouco. Ainouz é um diretor que ama a imagem, e tudo o que ela pode dizer sem a necessidade de grandes diálogos, e a explora até ao máximo, além de ser um exímio diretor de atores, como prova sua filmografia. Isso gera uma série de silêncios nos filmes, que, outrora tão bem incorporados à trama, como em seu filme anterior, O Abismo Prateado (sua obra-prima até hoje, em minha opinião), nesse novo projeto resulta em alguns momentos enfadonhos, que pouco ou nada acrescentam à narrativa, do tipo que faz o filme dar a impressão de alongamento em sua duração, quando na verdade não chega nem a duas horas de sessão. E, se a química entre Moura e Schick é perfeita, o roteiro, ainda que obviamente proposital, peca em pular, violentamente, passagens importantes do relacionamento dos dois, o que me incomodou um tantinho (como o início de tudo).

A entrada de Jesuíta Barbosa, por um lado, bastante pontual, ao trazer à trama de Donato um conflito do passado que ele tenta fugir a qualquer custo, por outro provoca uma ruptura com a estrutura do filme até ali, que se torna indeciso, sem saber sobre o que realmente quer falar. E, se a intenção a partir dali era dar um giro e explorar os efeitos que a ida de Ayrton a Berlim causaram no protagonista Donato, a relação entre Ayrton e Konrad podia ter sido melhor trabalhada, já que o segundo é o grande estopim de tudo, mas é bastante superficial. Jesuíta, aliás, está em sua atuação mais fraca, pouco acrescenta ao personagem. Além disso, o personagem, que está apenas há duas semanas no país, fala um alemão fluente de dar inveja a qualquer nativo, fato que é porcamente explicado, mesmo quando Konrad pergunta. Do lado de cá, o português improvisado do alemão na primeira parte do filme tem momentos que são muito difíceis de compreender, confesso que sequer consegui entender metade do que ele estava falando na cena do carro, por exemplo.

Ressaltando só os pontos que me incomodaram, parece até que não gostei, o que não é verdade. O filme é excelente, e esses pequenos probleminhas, ainda que tenha sentido a necessidade de comentar, não são praticamente nada diante da forma com que Karim Ainouz a dirige. Assumidamente, um diretor que mete a mão na fotografia, a desse filme tem muito dele, e a obsessão com o mar e com a cidade de Berlim gera planos que são obras-primas. Das diversas cenas que me deixaram sem ar, destaco a cena da balada em que Donato e Konrad dançam juntos uma música agitada, enquanto nós os acompanhamos com uma trilha incidental lenta, o que é uma escolha divina; a praia sem água que Donato "dá" ao irmão, que aliás, é absolutamente perfeita pra equilibrar a caloricidade da Praia cearense com o frio bucólico de Berlim; e o belíssimo final, enquanto acompanhamos, numa sequência longa, os três meninos pelas estradas Alemãs.

Aliás, no fim, Karim segue largando seus personagens em estradas, abandonando em uma jornada do qual não conhecemos o fim, e jamais chegaremos a ele, já que o que vimos até então, foi só um pedaço da história de cada um. E a cada final, em seus "filmes-realidade", assim como na vida, depois de erros, acertos, tentativas frustradas e fugas inevitáveis, resta a estrada. Metafórica ou física, mas sempre ela.
Israel C.
Israel C.

18 seguidores 3 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 8 de maio de 2014
Trecho da minha breve reflexão sobre "Praia do Futuro": "Neste filme, a linha narrativa é fluida, organizada, mas não tradicional. As imagens, e não o verbo, ditam o ritmo aqui. O foco nos movimentos, nas expressões de Donato (Wagner Moura), nos contatos, nos delírios, servem para captarmos cada grito ou silêncio da alma através da carne. Tudo é necessário de se realizar no presente-urgente-imediato. A longo prazo? Somente a dor."
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