O Mineiro e o Queijo - Crítica
Um patrimônio brasileiro ameaçado por lei
Nas belas paisagens do município mineiro do Serro, começa uma viagem que contextualiza para o resto do mundo, como era e qual é a atual situação da produção de queijo nas Gerais, da caseira à industrial. Com o recurso da narração em off, ou seja, quando um texto narrado por um locutor (Odilon Esteves), acompanha alguma ação em um filme ilustra parte da linguagem do documentário.
(O Mineiro e o Queijo, Brasil - 2011, HD, 72 min.) marca o sétimo longa-metragem do cineasta mineiro Helvécio Ratton, de “A Dança dos Bonecos” (1986), “Menino Maluquinho – O Filme” (1994), “Amor & Cia” (1998), “Uma Onda no Ar” (2002), “Batismo de Sangue” (2006) e “Pequenas Histórias” (2007).
Seguindo pela Serra da Canastra e o Alto Paranaíba, Helvécio apresenta diversas entrevistas com os produtores de queijo, historiadores, comerciantes, cooperativas, médicos veterinários, Ministério da Agricultura etc. Na década de 2000, os queijos comercializados na capital Belo Horizonte, tiveram que adequar-se as normas sanitárias por decreto lei. Alguns dos produtores concordaram com a lei, porque segundo eles a intenção não é ensinar a produzir queijo, mas utilizar a higiene no local de ordenha do leite fresco, conhecido também como leite cru.
A simplicidade na narrativa do roteiro usada no documentário aproxima-se com a simplicidade mostrada por Helvécio na fabricação do queijo. Sem ousadias ou novos experimentos. Em “O Mineiro e o Queijo”, o diretor opta por uma linguagem estética, que prioriza a discussão em mostrar os vários lados da proibição oficial da comercialização do queijo minas, para outros estados do Brasil. Atualmente, quase 30 mil famílias sobrevivem da fabricação do queijo artesanal em todo o estado. No entanto, tudo que envolve uma cultura de aproximadamente 300 anos está ameaçado.
O filme lança a seguinte pergunta: “O que é bom para os mineiros não é bom para o Brasil?”
“O Mineiro e o Queijo” é uma obra que traz informações, sobretudo para o espectador urbano, em sua maioria desconhecedora da cultura sobre a fabricação de um produto artesanal, aqui representado especificamente pelo queijo do interior de Minas Gerais.
Texto publicado originalmente em 2011
Sergio Batisteli é jornalista, criador de conteúdo do 'Blog do Sergio Batisteli - CineConecta'