"Era uma vez no Oeste" é um filme que nos faz sentir o peso da existência. Assim como nosso corpo físico sente a força da realidade, a fita de Sergio Leone faz o nosso espírito sentir o peso da existência. E ela pesa, como pesa! Mas Leone, com a espectacular trilha sonora composta pelo gênio Ennio Morricone, desarma-nos, deixando-nos sem reação. É como se algo estivesse esmagando-nos e não conseguíssemos reagir, lutar. Só podemos sentir. Só duas vezes na minha vida senti de forma tão concreta o peso da existência. Uma foi lendo o romance "Os Miseráveis", de Victor Hugo. Outra foi assistindo ao filme "Era uma vez no Oeste", de Sergio Leone. Este filme é perfeito. Merece nota máxima em todos quesitos. Sergio Leone e Ennio Morricone, grandes artistas que eram, sabiam que a arte que enleva é aquela que toma como matéria-prima o particular e o universaliza. Foi o que fizerem com o western, um gênero tipicamente americano: pegaram ao tão particular e o universalizam, pondo-o na categoria da arte que enleva.