O co-diretor Wagner Assis é responsável por uma obra de transcedental importância para a cinematografia ocidental: Xuxa popstar. Esse fato ajuda a entender o que acontece com a seguir. Bem, o coitado do Machado de Assis teve sua obra mal e porcamente adaptada (pelo que conversei com o meu sobrinho, Pedro, a coisa tende mais para o porcamente do que para a adaptação propriamente dita). Camilo (Luigi Baricelli) é um bon-vivant. Tem as mulheres às suas mãos. Numa boate ele encontra uma mulher misteriosa (Giovana Antonelli) que o convida para ir ao seu apartamento. Lá a moça pega um revólver e obriga-o a ingerir vários comprimidos de ecstasy. Por aí vocês já podem ver que o roteiro não tem pé, que dirá de cabeça. Coube ao destino ser o médico Vilela (Ilya São Paulo) salvar a vida de Camilo, amigo seu de infância. Vilela, por sua vez, está noivo de Rita (Deborah Secco), uma jovem mineira que veio para o Rio de Janeiro com "sérios" problemas respiratórios. Vilela pretende se casar com Rita quando for indicado ao cargo de direção do hospital em que trabalha. A mística Rita, que coleciona todas as previsões de seu signo num caderno, além de dar especial valor a formas místicas de previsão do futuro, vive uma paixão intensa com o amigo de infância que o seu noivo ajudou a salvar a vida. Rita faz terapia com a dra. Antonia (Sylvia Pfeiffer), colega de hospital de Vilela. Não se contentando com a análise, Rita procura o auxílio de uma cartomante para prever o futuro. A trama apontava para um final trágico no sentido grego do termo. Entretanto, o lado infantil surreal vence e todos têm uma segunda chance nessa melancólica mal-adaptação da obra de Machado de Assis, que deve ter revirado no túmulo com certeza ao ver seu trabalho vilipendiado.