O primeiro filme com os Vingadores reunidos foi considerado por muitos como um marco. Um elenco estelar reunido, centenas de milhões de dólares investidos na produção que se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema. Um sucesso retumbante que pedia sequências, e eis que a primeira chegou. Muito estardalhaço e barulho, contudo, como o título daquela famosa comédia shakespeariana já predizia – Muito Barulho por Nada. Bem, “nada” talvez seja um pouco de implicância. Poderia dizer então muito barulho por tão pouco. Aliás, barulhenta seria uma boa palavra para definir literalmente este filme, com o tanto de pirotecnia visual e, principalmente sonora, que infesta o filme de tal maneira que pode causar transtornos e/ou vertigens aos mais sensíveis. Mais uma vez os efeitos visuais impressionam, mas os efeitos 3D em si, decepcionam. E o mote do filme parece mais uma vez algo que vem acometendo o cinemão hollywoodiano há décadas: correria, histerismo, urros, piadas rasteiras, canastrice, mesmice, clichês de sobra e afins. Tudo isso reunido mais uma vez com o objetivo claro de caçar muitos níqueis (o que certamente vem conseguindo). Mas ok, o filme tem seus méritos sim. A reunião de um elenco de estrelas talvez seja a melhor delas. Alguns bons atores, como Mark Ruffalo (Hulk), Stellan Skarsgård (Dr. Erik Selvig), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Scarlett Johansson (Viúva Negra), Paul Bettany (Visão) e Don Cheadle (James Rhodes), em atuações sem brilho para ser sincero, mas que trazem um selo de qualidade importante, contrastando com atores que variam entre o razoável e o ruim, mas que têm carisma, como Robert Downey Jr. (Homem de Ferro), Chris Evans (Capitão América), Chris Hemsworth (Thor), Jeremy Renner (Gavião Arqueiro) e James Spader (Ultron). Mais uma vez repito: sei que esse tipo de filme não exige grandes interpretações, mas quando elas existem (o que não é o caso deste filme) elas sempre abrilhantam um pouco mais a falta de um roteiro convincente, como é o caso do deste filme. A ideia até me pareceu interessante, mas o desenvolvimento da história é enfadonho e simplório. Ultron tinha tudo para ser “o vilão”. Só que o impacto e imponência do mesmo vão se definhando conforme a história avança (percebe-se aqui então quanto o Loki de Tom Hiddleston faz falta ao filme). Porém tenho que convir, o filme tem também muitos bons momentos, alguns poucos explorados como o clima entre Hulk e a Viúva Negra, que, aliás, como disse uma amiga que viu o filme comigo, exibe um ‘girl power’ diferente e bem vindo ao investir no romance – e que ganha um ‘plus’ com a voz rouca e encantadora de Johansson. Outros bons exemplos de momentos interessantes vêm por parte dos novos personagens inseridos à trama, Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson) e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), e na mescla de truculência e benevolência do Capitão América (talvez o heroi mais “mocinho” e clássico do filme) em contraste à arrogância e artificialidade de Tony Stark, que faz com que haja uma interessante tensão entre os dois icônicos personagens. O filme é sim um agradável entretenimento, com muitos exageros, mas que cumpre sua função a contento, embora tivesse potencial para ser muito mais elaborado, sombrio, denso e humano que o resultado final. A impressão que fica é de se tratar de mais um filme de heróis, sem se destacar entre eles, mesclando momentos chatos com bom divertimento, mas resvalando em dois adjetivos temidos: esquecível e descartável.