A Segunda Guerra Mundial foi, e é tema de muitos livros e filmes. Muitas obras de Hollywood retratam o período de forma similar: as bombas sobre Londres, invasão de Paris, reuniões secretas e discussões políticas. Mas os clássicos exploram histórias de superação - O Pianista, de amor - Casablanca, e de coragem - A Lista de Schindler; histórias que ultrapassam as loucuras de Hitler e nos emocionam por não constarem, justamente, nos livros de História.
Dessa forma. os britânicos nos brindam com um clássico adaptado do livro de Andrew Hodges: O Jogo da Imitação, que conta a história de Alan Turing - um pioneiro na computação - e de como ele desenvolveu uma maquina que fosse capaz de decifrar o código da maquina nazista Enigma. Para Alan, a unica forma de desvendar os segredos da Enigma era criando outra maquina, por isso o título da fita.
A sua história foi encoberta pelo governo inglês até o fim dos anos 90, por ser confidencia de Estado. Mas suas invenções foram estudadas e aperfeiçoadas para chegar no pequeno Smartphone que você tem em mão. Além da contribuição tecnológica vale ressaltar que a Christopher (nome dado por Turing à maquina) encurtou a Guerra em 2 anos e salvou mais de 14 milhões de vidas.
Christopher era, também, o nome de um garoto mais velho que estudava com Alan quando esse era jovem. Graças a sua afinidade para decifrar códigos, Turing se via excluído dos outros meninos, mas não de Chris, que parecia atender suas necessidades geniais. Nessa época Alan percebe algo que vai mudar sua vida para sempre: a atração por garotos. A homossexualidade era crime na Inglaterra até 1967 e Alan foi condenado, recebendo a absolvição real apenas em 2013.
Por isso o diretor foca na solidão depressiva em que vive Alan após o fim da Guerra, e o sofrimento que ele passou ao optar por castração química, para não se separar do amor de sua vida e sua criação: a maquina Christopher. Todo drama vivido por esse gênio complexo (todo gênio é) foi muito bem interpretado por Benedict Cumberbatch que entende os sentimentos do homem que salvou milhões, mas que ninguém foi capaz de salva-lo. Cumberbatch, meu ator favorito na atualidade, está impecável e além da indicação merece o Oscar pela vívida atuação.
A trama desenrola muito bem, não só por se tratar de uma história emocionante e impressionante - desculpe o lirismo - mas também pela bela escolha de elenco: os britânicos da película dão show, além de Keira Knightley que impressiona e concorre ao Oscar merecidamente.
Como disse no início, são as "pequenas" histórias que fazem da História o que ela é: a vida de milhões de seres complexos que juntos compartilham um universo de sentimentos e experiencias, então vamos agradecer Alan Turing por permitir que milhares de pessoas compartilhassem suas emoções, mesmo ele não podendo compartilhar as suas: Muito Obrigado, Alan.