Durante a II Guerra Mundial, a Alemanha utilizava uma máquina chamada “enigma” para criptografar as suas operações de guerra. Decifrar o enigma parecia uma tarefa quase impossível e era um ponto importante para a vitória dos países aliados no conflito. O filme “O Jogo da Imitação”, dirigido por Morten Tyldum, fala sobre a tensa corrida contra o tempo que se instalou numa pequena casa de campo em Bletchley Park, interior da Inglaterra; quando a Marinha britânica e o serviço secreto inglês contrataram uma equipe formada pelas mentes mais brilhantes do país visando decifrar os códigos de guerra utilizados pela Alemanha.
Liderando esta equipe estava o matemático Alan Turing (Benedict Cumberbatch). O seu pioneirismo e a sua visão estratégica – bem como a sua teimosia ao quebrar a cadeia de comando a qual estava submetido visando obter a aprovação para os seus projetos – foram os elementos fundamentais para que a Inglaterra pudesse desvendar os códigos por trás da máquina “enigma”, encurtando a II Guerra Mundial em mais de dois anos, levando ao triunfo dos países aliados.
Turing foi o criador por trás daquele que seria considerado um dos primeiros computadores do mundo e foi a sua máquina, que ele denominou de “Christopher” (em homenagem a um amigo dos tempos de colégio), que fez o que parecia ser impossível. “O Jogo da Imitação” é todo estruturado em cima de Turing e das características que fizeram dele a pessoa certa, no lugar certo, para a função certa. Metódico, inteligente e perspicaz, ao ponto de ter sua proatividade confundida com arrogância, Alan Turing é retratado, no decorrer do filme, como uma típica mente brilhante cheia de questões internas a resolver – especialmente no que diz respeito à forma como ele se relacionava com as pessoas.
Nesse sentido, “O Jogo da Imitação” vai além do retrato de um feito que, com certeza, mudou os rumos da história da humanidade. Ao chamar a atenção para a maneira como os homossexuais eram tratados na Inglaterra da década de 40 e 50 (Turing foi processado criminalmente em 1952 e foi tratado com hormônios femininos e castração química – que o levaram a se suicidar, em 1954), o filme lança uma importante reflexão em cima da maneira como eles foram tratados, especialmente após a II Guerra Mundial.
Em muitas maneiras, “O Jogo da Imitação” pode ser classificado como um filme acadêmico. Em primeiro lugar, por ter uma história baseada em fatos reais, num trabalho excelente do roteirista Graham Moore. Em segundo lugar, a direção de Morten Tyldum segue bem a cartilha dos filmes ingleses recentes que obtiveram um grande sucesso no Oscar, como “O Discurso do Rei” e “A Rainha”. Em terceiro lugar, o elenco, com destaque para Benedict Cumberbatch e Keira Knightley, cumpre bem o seu papel. Em quarto lugar, a parte técnica do filme consegue recriar com sucesso a atmosfera da Inglaterra durante (e pós) II Guerra Mundial. Não à toa, “O Jogo da Imitação” conquistou 8 indicações ao Oscar 2015.