O filme Matrix é uma tentativa de desconstrução das nossas concepções do que seja a realidade. Onde somos jogados em um mundo fluido, e ao mesmo tempo determinado pela nossa incapacidade de atuar efetivamente nele. A realidade é somente uma palavra apropriada e reapropriada por indivíduos que tentam agrupar certos elementos em uma mesma linha explicativa. No filme o nosso engano é a nossa certeza, a convicção de estarmos em um mundo não problemático e seguro. A nossa volta, conexões nos fazem atribuir significados positivos a mecanismos que são responsáveis pelo nosso aprisionamento de certo modo desejado e protegido, pela nossa vontade atrofiada no medo de vivermos em um mundo que não teríamos a menor possibilidade de prever com 99% de acerto o que vai acontecer amanha. Matrix é a revelação do obvio,do obvio que temos medo de encarar porque temos a ilusão que é mais seguro saber quase exatamente o que vai acontecer amanha e depois e depois e depois até o fim de nossos dias. No nosso caso o mistério não está no futuro, já que o nosso modo de viver sempre vai nos levar a um futuro previsível. O mistério está onde justamente não queremos lançar o olhar, no espaço onde a nossa covardia não nos permite admitirmos que tivemos a coragem de não termos coragem.
Este é um clássico para quem adora filmes de ficção científica. Em 1999 com recursos tecnológicos, hoje sabemos, que eram limitadíssimos para se fazer um bom filme de ficção, é compensado pela história fantástica dos personagens. Vale a pena ver, curtir a história, os personagens, e admirar todo os recursos cinematográficos de uma era de tecnologia em transição para se filmar uma ficção.
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