Tirem as crianças da sala.
É serio.
Não porque contenha violência ou conteúdo ilícito, mas porque a mais nova animação da Pixar tem apenas o visual de ser um filme voltado para crianças. Mesmo se tratando de ser um filme sobre uma criança.
Em muitos momentos, Boyhood, do ano passado, veio à cabeça. Um filme incrível, sobre a descoberta da vida e das influências que formarão um dia, uma pessoa adulta.
E aqui, se não falamos sobre oito anos de Mason, falamos de uma semana de Riley. E Riley é uma menina que, supostamente, assim como todas as outras pessoas, é controlada por cinco emoções distintas: Alegria, a Tristeza, o Medo, a Nojinho e a Fúria. E essas emoções entrarão em conflito quando a família de Riley se muda do interior, para San Francisco e a menina terá de se adaptar a uma nova realidade, especialmente quando algumas emoções desejam ter mais participação no dia-a-dia da personagem.
Pixar sabe como poucos, explorar as emoções de seu espectador. Consegue emocionar sem ser apelativo. Mas mais do que isso, consegue manipular seu público em doses homeopáticas, usando a animação, para falar sobre o mundo real como poucos conseguem.
A grande sacada do filme se dá pelo fim da primeira hora de projeção, quando tudo parece tão maluco, que começa a fazer sentido. Para evitar spoilers, basta dizer que é quando um personagem inusitado se torna muito importante na trama e como isso influencia as outras sensações, em especial a alegria.
A alegria de Riley, e a sua. É quando se percebe que esse não é um filme sobre Riley. Mas um filme sobre você. Sobre eu. Sobre pessoas. E em um momento da vida onde tudo isso se aflora em uma grande colisão de sentimentos. Tudo é confuso, excitante, assustador e enfurecedor. Ao mesmo tempo, em certas ocasiões. E como toda a dinâmica destes sentimentos formam caráter. Como a personalidade vai se definindo através de momentos inesquecíveis. Sejam eles bons ou ruins.
E por fim, o humor. Sim, há muito humor em DivertidaMente. E se não é um humor escrachado, tem boas tiradas com cenários conhecidos do público, contrapondo momentos de pura inspiração. É a Pixar sendo Pixar e conseguindo colocar todas as emoções no posto de controle.