É tocante e marcante quando um filme consegue calar nossas falas críticas, e nos toca de forma tão intima e com uma ação de tirar o fôlego, que mesmo após horas passadas em se assisti-lo, sua cabeça ainda está em êxtase. Acredito que essa é a sensação que muitos terão ao ir ao cinema, sentar na poltrona e dedicar as menos de duas horas e meia a contemplar um filme que te leva para fora de sua mente e te submerge num cenário apocalíptico e ao mesmo tempo de esperança. Tocando em assuntos sociais indiretamente, como o preconceito, a depressão, a política imoral de nações desenvolvidas, e até na famosa trama do assassinato do presidente Kennedy, colocando novamente os EUA na banca dos réus, mas não fugindo do caráter heroico e de aventura como todo filme de mutantes traz, o roteiro se encaixa numa trama que continua Primeira Classe e O Confronto Final, unindo o cenário de 1973 e 2023, e misturando diferentes núcleos em perfeição somente presenciada até hoje em Os Vingadores e se torna a grande história que era esperada no terceiro filme, e que desagradou aos fãs, mas agora renasceu sua crença na Fox como produtora a altura de interpretar e moldar ao cinema o grande e complexo universo dos mutantes. O que deixa muitos com uma sensação de quero mais são principalmente as cenas de caráter pessoal e de drama, o que não foi conseguido em Homem de Ferro 3, que era aprofundar o herói e mostrar seu lado humano, aqui agora é feito em êxito, pois mostra todos vulneráveis não somente às sentinelas, mas a si próprios, pois todos agora se sentem impotentes, tanto no futuro, como no passado. No futuro, por não terem mais escolha, a não ser a fuga e a recolha aos becos de um mundo destruído, e no passado, por todos terem naufragado em suas desilusões e erros próprios. E a chave da esperança era justamente a união de dois núcleos separados pelas fronteiras do tempo, o que é vencida pelo próprio poder mutante. A relevância do poder mutante está ai, como o grande fator que trará luz novamente a dois mundos corrompidos pelas trevas de erros cometidos pelos personagens principais, mas se tirado o caráter heroico, o filme facilmente é remodelado para um filme sem super-heróis. Está ai o segredo não somente do novo X-men, mas também foi onde Capitão América 2 conseguiu seu sucesso de critica internacional: investir na história e usar o caráter heroico como complemento, mas não como show de pirotecnia barato e que só agrada a um público seleto do cinema. A marca desse filme é conseguir trazer esperança e traduzi-la nos seus mais diferentes sentidos. Podemos sim mudar o mundo, uma atitude pode ser o suficiente para que tudo seja diferente, nós somos individualmente a chave que todos esperamos e que somadas fazem algo que só Deus pode calcular os seus efeitos. Esse é o resultado desse filme, mostrar que nos achamos tão impotentes, ainda quando especiais, e nos afundamos facilmente numa desilusão que não cabe existir, pois são elas que trazem os resultados mais negativos, mas devemos sair do conforto da depressão e da descrença na humanidade para que realmente o presente se molde e o futuro seja melhor que o imaginado. É assim, pregando uma mensagem construtiva, fazendo um enredo impecável, e uma história dramática, aventureira e com pitadas de humor e mostrando aquela que será a cena mais marcante do Verão estadunidense de 2014 (a de Mercúrio), esse sim é até o momento o melhor filme desse ano. E um pequeno complemento muito válido: Bryan Singer deve ser aclamado por algo que fez não somente na história, mas também no universo X-men. Conseguir apagar erros do passado não é somente um caráter feito dentro do filme, mas também fora dele, pois apagou de vez de nossa memória o terceiro filme X-men, muito decepcionante, mas que foi totalmente excluído pelo desfecho de Dias de um Futuro Esquecido, o que foi um truque muito bem usado, ou seja, apagar os erros do passado não é só um poder dos mutantes usado na história, mas também um poder desse filme, pois para agrado dos fãs, fez com que O Confronto Final passasse a não existir mais e corrigiu um grande equivoco da Fox, o que foi brilhante. E por isso, e muito mais, dedico meus aplausos é essa grande obra.