Existe uma dualidade muito interessante no decorrer de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”, filme dirigido por Bryan Singer. Como o próprio subtítulo do longa deixa implícito, estamos diante de uma obra que lida, diretamente, com a relação das suas personagens com o tempo – leia-se o passado, o presente e o futuro – e a maneira como os nossos atos acabam sendo fundamentais para os seres em que nos tornamos e, mais ainda, para o mundo que teremos ao nosso redor.
Se tem uma coisa que podemos tirar dos filmes que formam a franquia “X-Men é que a vida dos mutantes nem sempre foi fácil. Ser minoria, ser diferente não é fácil. Ainda mais quando você é dotado de poderes que assustam os humanos – que, verdade seja dita, dificilmente sabe lidar com o que lhe é novo e desconhecido. É nessa situação que os mutantes que compõem a formação definitiva dos X-Men se encontram.
O futuro deles se tornou um lugar triste, desolado e sombrio; com eles sendo caçados pelos humanos que, um dia, estiveram ao seu lado. A grande pergunta que move “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” é aquela que reflete sobre esta realidade e que tenta vislumbrar um caminho diferente pros mutantes, em que eles possam fazer algo para impedir o que está acontecendo com eles nesse momento.
Utilizando os poderes que lhes transformam em seres peculiares, vemos Wolverine (Hugh Jackman) ser transportado para o passado, de forma a tentar unir forças com o Professor Xavier (Patrick Stewartk/James McAvoy), Erik/Magneto (Ian McKellen/Michael Fassbender) e Raven/Mística (Jennifer Lawrence), para tentar impedir que os acontecimentos ocorridos aqui, nessa linha de tempo, tenham influência direta no futuro desses personagens, salvando-os, de uma certa maneira, de uma guerra mortal entre os humanos e os mutantes.
O grande desafio de filmes como “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”, que possuem uma gama de personagens interessantes, interpretados por atores de certo talento (como, além dos já citados, Ellen Page, Nicholas Hoult, Halle Berry, Anna Paquin e Evan Peters, numa participação de destaque), é tentar oferecer para eles um bom material com o qual trabalhar. Nesse sentido, o roteiro escrito por Simon Kinberg é perfeito, pois aproveita o que de melhor eles têm para transmitir em tramas interessantes para todos esses personagens.
O resultado é um filme que nunca consegue desviar a atenção da plateia do contexto geral que a obra aborda, que é aquela discussão clichê sobre o nosso presente (e não o passado, como o Professor Xavier quer nos fazer crer) como um lugar repleto de possibilidades, em que as nossas decisões são fundamentais para nos mostrar também as inúmeras possibilidades do futuro. Além disso, “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” retrata que, dentro de nós, sempre temos a chance de fazer aquilo que é correto e de mostrar a quem está ao nosso redor que podemos conviver de uma forma pacífica e tolerante, com respeito, acima de tudo, às nossas diferenças.
Sem dúvida alguma, um filme que, desde “X-Men: Primeira Classe”, filme dirigido por Matthew Vaughn, mostra o caminho inteligente pelo qual essa franquia está determinada a seguir, com filmes reflexivos e que não subestimam a inteligência do espectador.