Ótimo filme que, apesar de usar uma temática bem desgastada e muito explorada ultimamente, consegue explorar o suspense desde os seus primeiros minutos.
A introdução dos personagens é bem rasa e, com isso, não nos trás um apego aos mesmos, a não ser a relação fofa entre pai e filha. Essa introdução pífia que serve apenas como base do roteiro para justificar uma viagem (em direção ao desconhecido), meio sem sentido, dos personagens.
Logo após o início, o filme imerge em uma ação desenfreada, comete um clichê clássico, mas logo se acerta e passa a ter uma condução bem densa e imersiva.
Acompanhamos toda a clássica metamorfose do homem em animal e isso nos é apresentado meticulosamente e nos causa uma certa aflição, pois, apesar do personagem não ter tido uma construção profunda, seu entrosamento afetivo com seu par é ótimo. Então, quando começamos a vê-lo perder a sanidade, começamos a sentir um certo pesar tanto por ele quanto pela relação.
O medo nesse filme nem é tanto pela ameaça externa (que fica em segundo plano), mas sim pela própria transformação que ocorre com o personagem. Sabemos o que vai acontecer, só não sabemos quando. O perigo está tanto dentro quanto fora. Mas o que nos prende é no que está dentro.
O filme nos deixa em clima de tensão desde o seu início, ele tem um clima pesado e agoniante. O flerte com o gore explícito também ajuda a aumentar a sensação de desconforto.
Sobre atuações, elas não funcionam bem se analisadas de forma individual, mas funcionam melhor no conjunto. A Julia Garner é a mesma de sempre, inexpressiva e sem sal.. Lembrando o estilo Ryan Gosling/Jake Gyllenhaal, onde todos os seus personagens parecem os mesmos. Porém, ela não compromete o filme.
Podemos também destacar a fotografia belíssima fotografia. Porém, a ambientação não é boa. Em diversos momentos vemos os personagens indo e voltando para o mesmo lugar e isso irrita as vezes. A iluminação também é muito escura, claro, o que ajuda a aumentar a tensão e também pelo fato do filme se passar na maior parte do tempo à noite e sem fonte de luz, a não ser a da lua. Mesmo assim isso me incomodou um pouco, mas nada que comprometesse. A visão sensorial do lobo é algo pra se destacar também.
Um bom filme que retrata de forma digna a folclórica temática. Nota