Noé
Média
3,3
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Sarah R.
Sarah R.

8 seguidores 1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 8 de abril de 2014
O diretor claramente não teve a intenção de seguir a bíblia como roteiro, desrespeitou a crença de muitos. O filme é muito entediante e o roteiro fraco. Entrei no cinema achando que o filme daria vida a verdadeira história de noé e saí de lá me perguntando de onde tiraram aquela história. Provavelmente do inferno.
arnaldo D.
arnaldo D.

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 8 de abril de 2014
Essa opinião da Dany C. não tem nexo , acho que ela não conhece e nunca leu a história de Noé na bíblia. O título deste filme tá mais pra "NÂOÈ"
GeorGe P.
GeorGe P.

22 seguidores 7 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 8 de abril de 2014
Uma visão pessoal e criativa do diretor baseada em alguns trechos da Bíblia. Causa uma certa surpresa para quem conhece a historia, mas recomendo sim!!!
ana luiza F.
ana luiza F.

1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 8 de abril de 2014
“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. A história do filme começa no sexto dia da criação da Terra segundo Gênesis. No princípio da humanidade, onde Adão e Eva surgem trazendo consigo o pecado e espalhando a maldade no mundo, através dos descendentes de seu filho : Caim. Tendo o outro filho, Abel, morto por Caim, Adão gerou mais uma criança: Set. Esta então passaria sua bondade através de sua própria linhagem, geração à geração, até o nascimento de Noé.
O longa não é somente mais uma história bíblica retratada nas telonas , Noé traz consigo uma visão mais profunda das ações morais humanas, que através do personagem principal demonstra o confronto de uma fé em Deus absurda , beirando ao fanatismo, com a fé na própria humanidade. Esse fanatismo é explicitamente expresso em cenas como a do dilúvio, uma das cenas mais marcantes do filme, onde Noé não deixa os outros humanos entrarem na arca e os escuta agonizando no lado de fora desta. As atitudes de Noé e de sua família foram, claramente, bem estruturadas e bem pensadas, onde cada um deles demonstrava suas fraquezas como um dos pecados da humanidade, a provar que esta nunca seria perfeita por completo.
Dirigido por Darren Aronofsky, o filme não segue os passos exatos retratados na Bíblia, entretanto, este não apresenta fatos críticos que fujam da mensagem e da história original. Entre as adaptações feitas por este, com certeza a que mais trouxe consigo impacto para história, foi a presença da esposa de somente um dos filhos de Noé, que refletiu em importantes atitudes dos personagens, criando assim uma história individual destes, em que viviam não somente para construção da arca. Outro ponto que merece destaque é a presença dos Guardiões, seres de luz, expulsos do Jardim de Éden junto com Adão e Eva, estes seres então vieram a Terra e tiveram sua luz contida pela rocha e pela lama. Estas criaturas foram de extrema importância no filme porém pecaram na hora de sua elaboração gráfica, que deu um ar fantasioso à história.
Quanto a atuação, o fime tem um bom elenco. Russell Crowe teve um ótimo desempenho exteriorizando o conflito interno de seu personagem e caracterizando seu desejo cego de seguir a vontade de Deus acima de tudo. Os atores mais jovens, Emma Watson, Logan Lerman e Douglas Booth também tiveram bom desempenho em seus papéis que eram caracterizados individualmente por diferentes das fraquezas mesma maneira, Jennifer Connelly teve bons momentos em seu papel como a esposa de Noé, que ganha mais importância no decorrer do desenvolvimento da trama.
No final, Noé é mais que somente uma obra bíblica adaptada, o filme traz o conflito entre as constantes falhas humanas e a vontade de seguir a Deus. Deve ser visto sem um olhar corrompido pela religião de cada um, sendo analisado então como qualquer outra ficção para os não cristãos. Ainda assim o filme os trará grandes debates sobre o fato mais importante deste: a humanidade nunca chegará à perfeição, pois o mal sempre estará lá para corrompê-la.
Gabriel B.
Gabriel B.

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 8 de abril de 2014
Eu achei o filme simplesmente fantástico mesmo sendo ateu, isso mesmo, sempre discordei da biblia por achar as passagens biblicas pouco detalhado e sem nexo perante a ciência, acredito na ciencia pq ela mostra as coisas detalhadas mas a biblia nao, era sempre "Deus criou o universo, nos ama, dizimou a populaçao salvando uma familia pq eramos mals (coisa q acredito q hj em dia somos bem piores) mas esse filme me mostrou os detalhes doq me faltava na biblia, me pondo ate um pouco de fé, msm mtos ae falando q o filme é um lixo falando q é mto diferente da biblia e reclamando, esse filme foi oq eu precisava para concordar pelo menos uma vez com o antigo testamento, o filme nao "peca" em ação, drama, meio suspense (ja q sabiamos oq iria acontecer), etc. E a reflexao q fica na tua cabeça, cara, mtoo espetacular, mas oq me deixou de boca aberta, q nao sai da minha cabeça é a parte q ele conta a criação do universo para os filhos, aquilo mecheu cmg, olhei em 3D e nunca tinha visto uma repesentação da criação do universo tão bem feita e ele contava a parte biblica junto q mecheu na minha crença, ainda sou ateu pq ainda nao tem explicaçao sobre Deus, falando em "Deus" achei fantastico o filme nao usar esse termo e sim Criador, eu nao acredito no Deus da biblia mas acho possivel q exista um Criador q seja bondoso e justo com sua criação
João Paulo B.
João Paulo B.

13 seguidores 9 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 8 de abril de 2014
NOÉ
A história bíblica de Noé, em miúdos, é retratada no primeiro livro da Bíblia, o livro de Gênesis. Esse mesmo livro é o que conta a origem do mundo, criado por Deus, que por sua vez criou o homem, na figura de Adão e Eva. Do casal, já amaldiçoado após comer o fruto, veio Caim e Abel. Caim matou Abel e fugiu. Depois veio Sete, o terceiro filho. Daí surgiriam as duas linhagens, uma amaldiçoada pelos erros de Caim e a outra abençoada por Deus. Da linhagem de Sete, chegamos a Noé, filho de Lameque, neto de Matusalém. Noé, alertado por Deus, é instruído em detalhes a construir uma arca, onde abrigará sua esposa, filhos e suas noras e um casal de cada animal da terra. Deus determinou que eliminaria toda a raça humana e demais seres viventes restantes, devido ao pecado que tomou conta de tudo. O meio para fazê-lo seria um dilúvio de 40 dias. Após isso, Noé e sua descendência repovoariam a Terra.
Darren Aronofski (do ótimo Cisne Negro) resolveu estabelecer que a Bíblia é vaga ao explorar a passagem, e se exime em abordar os conflitos humanos. Para isso, como bom hollywoodiano, pintou e bordou com a história, desprovendo-se totalmente do compromisso de fidelizar-se ao Livro Sagrado, e permitindo-se o uso e abuso de licenças poéticas e devaneios para que sua versão tivesse, digamos assim, mais graça.
No ponto de vista do diretor, todo o fato não seria mais espetacular do que a forma como todos os humanos tentaram lidar com tudo isso, milagres, maravilhas e demonstrações de poder Divino.
A fé, seguida do fanatismo, beirando à cegueira mental de Noé e as consequências disso no seio da sua família superam qualquer tentativa de entender como os animais foram atraídos à arca, ou mesmo qualquer outra maravilha mostrada.
Tudo gira em torno do comportamento humano.
Mas para isso funcionar, seria preciso inventar. E talvez aí tenham ido longe demais. Os Guardiões, seres quase mitológicos, são anjos que viram ao mundo com um certo propósito, e ao falharem acabam amaldiçoados e transformados em monstros de pedra. Mal resolvidos com Deus, chamado de Criador o filme todo, deduzem que ajudar Noé na sua jornada é uma chance de se redimir. Além de defendê-lo dos povos de Caim, o ajudam a levantar a Arca.
Falando na Arca, talvez seja a única coisa do filme onde se houve a preocupação de reproduzir com exatidão. O respeito à forma e às medidas são mantidas, apesar de não serem ditas claramente.
O Noé dessa versão recebe não exatamente de um Deus "falante" mas através de sonhos reveladores a notícia de que o mundo vai acabar. Não fica claro como ele deduz sua tarefa muito menos como interpreta quem deve estar na arca. Num certo momento ele simplesmente conta tudo pra família. Diferente da harmonia que a Bíblia sugere, entre seus filhos surgem vários desentendimentos, forçando Noé a revelar um caráter que rompe a linha da obediência severa, atravessando a intolerância, até chegar a total frieza e falta de compaixão, tudo visando não sair do propósito a ele confiado.
Outra idéia diferente é como surgem as noras. Na Bíblia, sem o menor stress, elas apenas estão lá como prometidas a se salvar junto com todos.
Na versão de Aronofski, toda a carga de tensão (extrema até) e emoção não está no dilúvio, nem nos conflitos com o humanos excluídos da Arca, mas sim com a presença da primeira nora, Ila (Emma Watson, numa interpretação surpreendente).
Incluída na família por acaso, resgatada em meio ao terror provocado pelos devastadores, se torna esposa do filho mais velho de Noé e será responsável pelo conflito mais tenso do filme. Tenso ao ponto de nos comover no seu desfecho.
As interpretações de Russell Crowe, como Noé, de Jennifer Connelly como sua esposa Naamé e de Ray Winstone como o vilão Tubal-Caim são importantes para dar o valor devido ao filme.
Anthony Hopkins, como Matusalém, ou avô, para a família de Noé, e determinados objetos usados nos deixam dúvidas quanto ao seu significado na trama..
O uso dos efeitos especiais e do 3D são interessantes e dão um bom diferencial ao filme, exceto, às muitas cenas escuras, como dentro da arca ou de cavernas.
Numa tentativa de querer falar um pouco de cada credo e criar suposições sobre como a maldade humana, "presente em todos nós" interfere nos planos de Deus para a humanidade, Aronofsky traz um filme muito interessante, sombrio, cheio de conflitos tensos e reflexões, assim como também tanta trazer um blockbuster, cheio de efeitos, seres fantasiosos e batalhas épicas. Essa miscelânea sem compromissos gerou polêmicas e até banimentos do filme pelo mundo.
A única coisa que ele não trouxe foi um filme Bíblico. Portanto, quem for ao cinema buscando o filme que ressalta a grandeza de Deus e a adoração a Ele como ser superior, vai se decepcionar um pouco, principalmente quando a frase do trailer "Eu não estou sozinho" proferida por Noé contra seus inimigos for esclarecida.
Mesmo tentando se redimir com uma mensagem final sobre amor, esperança e recomeço, passa longe se ser um filme religioso, mas não deixa de ser imperdível.
Yan
Yan

8 seguidores 47 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 9 de abril de 2014
O filme é muito bem feito tecnicamente. Não gosto de rotular filmes como nas locadoras, mas penso que quem olha para o título logo pensa num épico religioso. Pra mim o filme se encaixaria mais na definição "ação/aventura" do que num "drama". A despeito da presença inerente do conteúdo religioso, vez que a presença de Deus é constante, o filme, ao meu ver, chama mais atenção para a discussão da situação da humanidade da época, perfeitamente alocada a realidade atual. Quais são nossos atos? Sera que seremos julgados e castigados por Deus como no passado? O diretor tenta trazer realismo de uma história conhecida de todos mas pouco detalhada. Apresenta consistentes "argumentos" para explicar certas ocorrências da história bíblica. Concordo em gênero, numero e grau com o "Adorocinema" quando fala da escorregada em relação aos guardiões. Achei que pecou no tom demais sobre aqueles bichos fantasioso de pedra, (tive vergonha, por sinal) Importante anotar que o filme é uma visão unica do criador e tem licença poética para tal, mas muda diversos aspectos da verdadeira história bíblica. Todavia o que importa é a diversão, filme recomendado!
Pedro H.
Pedro H.

6 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 7 de abril de 2014
Noé, Russell Crowe, foi um filme muito aguardado nesse começo de ano e conseguiu tirar muitos de sua poltrona para ver a tão famosa história bíblica agora nos cinemas.
O filme começa mostrando a criação do homem, relembrando Adão e Eva e o desrespeito dos dois ao comer o fruto proibido, logo após mostra seus filhos e a criação de uma sociedade pecadora pelos descendentes de Caim. Para livrar a Terra de tantos pecados, o Criador trouxe uma inundação que foi capaz de limpar nossa "terra natal" de mais violência, mortes, pecados no geral.
Parabenizo o diretor, Darren Aronofsky, por ter aceitado o desafio de fazer um filme de uma história bíblica e ainda ter acertado em praticamente todos os pontos, com uma história diferente podia ter gerado apena mais uma polêmica, mas foi capaz de escrever um roteiro bom o suficiente para atrair os olhos de todos. O diretor pegou a base do conto e mudou totalmente em vários pontos, não sei se foi estratégia dele ou apenas o fato de ser ateu que o fez, mas o porque de ter sido tão bem recebido pode ser atribuído a isso, com certeza se estivesse totalmente igual a história original não atrairia um público tão grande e sim, apenas críticas e mais críticas pela falta de criatividade e excesso de religiosidade, gerando prejuízo a essa bela produção. Por isso concordo e aprovo a adaptação feita adotada pelo diretor.
Foi extremamente feliz ao escolher os atores que acolheram entraram totalmente nos personagens, tanto no físico como na interpretação, também foi capaz de passar o que as pessoas da época sentiram ao saber do apocalipse, mostrou-nos seu desespero, sua agonia, sua vontade de viver, com a qual foram capazes de lutar até o último minuto para continuar nesse mundo. Cabe destacar uma cena, perto do final do filme, onde Ila, Emma Watson, passou os sentimentos sentidos por ela aos telespectadores, quando chora de alegria e alívio.
Mas como a maioria dos filmes (se não todos), não foi perfeito, não quero dizer que foi ruim, mas houveram pontos que não foram muito bons, como o jeito que são retratados os anjos que ajudaram Noé a construir a arca, são seres gigantes e de pedra, levando a fantasia a um grau maior, lembrando famosos filmes fantásticos, e também que em uma grande parte o filme o silêncio prevalece, então se for ao cinema com aquele seu amigo que não fica quieto durante o filme, já sabe. Um outro ponto que deve ter sido difícil para ele foi a administração do tempo, mas até que ele se saiu bem quanto a isso, pois retratar um história desse nível em 138 minutos deve ter sido muito difícil. Mas fora isso tudo certo. Ao meu ver, compensa esse pontos com o roteiro e atuação dos atores.
Quanto a invasão da arca, mesmo sendo algo que foi criado, essa cena de ação foi muito bem feita por todos, desde os figurantes, que realmente me mostraram seu desespero, vontade de viver, a fome e o que o ser humano é capaz de fazer quando a situação "aperta", até Noé e Tubalcaim, Ray Winstone, consegui entender que Tubalcaim era como a serpente que tentou Eva a comer o fruto proibido, mas dessa vez, tentou Cam, filho de Noé a cometer pecados. Consegui sentir ainda, alguma críticas a sociedade atual ao mostras algumas "sombras", que fizeram a mesma coisa que Caim, ao longo dos séculos.
Antes de terminar tenho uma pergunta a fazer: vocês deixariam para morrer afogados praticamente toda a população do planeta, mulheres, crianças, idosos, homens adultos, se recebessem esse pedido do Criador? Não se esqueçam que eram todos pecadores.
Mário B.
Mário B.

33 seguidores 1 crítica Seguir usuário

3,0
Enviada em 7 de abril de 2014
“Noé” e a solidão da existência
Mário Bentes

Há pelo menos duas formas de abordar "Noé", filme dirigido por Darren Aronofsky e estrelado por Russel Crowe. A primeira, e dispensável, é avaliar a história do ponto de vista pragmático ou realístico – o que já soa tolo, já que estamos falando de uma conhecida parte da mitologia bíblica, a “Arca de Noé”. Seria diferente se fosse o caso de um filme histórico ou, ainda falando do aspecto bíblico como ponto de partida, se a película fosse baseada ao menos os trechos considerados históricos do livro sagrado das religiões judaicas-cristãs.

A segunda e mais importante é considerar a mitologia, seus elementos descritos na narrativa do livro de Gênesis, e compará-los com o roteiro escrito por Ari Handel e pelo próprio Aronofsky. Partindo desse princípio, é bom salientar que o épico nem de longe é – ou tenta ser – uma representação fiel do primeiro dos cinco livros do chamado Pentateuco. Sobram licenças poéticas e adaptações narrativas, como a inicial, em que somos apresentados ao contexto anterior do dilúvio divino.

De cara, somos lembrados da Criação e a personificação humana inerente a ela: Adão, Eva e os primeiros filhos. Um parêntese: nesse ponto, quem não tem muita afinidade com a narrativa bíblica poderia achar que Sete (Ou Seth ou ainda Set) nasceu na mesma ocasião em que Caim e Abel, sendo o caçula de três irmãos – e não tendo nascido, na “realidade”, apenas após a morte de Abel por Caim, como uma resposta de deus ao primeiro assassinato.

Mas a grande licença poética já colocada diante do público – para sustentar alguns atos do roteiro mais à frente – é a existência dos “Guardiões”. Inicialmente chamado de gigantes, eles são anjos que se lançaram dos céus para ajudar os homens, mesmo contra a vontade do todo-poderoso.

spoiler: Como castigo, tornam-se parte das pedras onde caíram, em um efeito interessante do fogo flamejante de sua natureza de luz que se mistura às próprias rochas do solo. Condenados a uma existência petrificada, são hostilizados pelos próprios homens a quem queriam ajudar, salvo por um deles: Matusalém, o homem que, segundo a Bíblia, foi o que viveu mais tempo e é, obviamente, parte da ascendência de Noé.


Biblicamente falando, os anjos que desceram dos céus nesse período o fizeram para outras finalidades não muito nobres: na “verdade”, eles abandonaram o status de anjos adoradores de deus para tomar a forma de homens e se relacionar sexualmente com as mulheres da Terra. O resultado desse intercurso sexual não permitido pelo Criador apareceu justamente nos filhos. Eles sim, gigantes que espalharam a maldade e que acabariam levando Jeová a destruir a então pequena humanidade por meio de um dilúvio.

Um deus ausente

Outro elemento que foge ao padrão de Gênesis é a “ausência” da figura divina enquanto personagem. Se, por um lado, há um Criador presente e falante nos primeiros tempos das escrituras, vivo como os demais na mitologia e demonstrando por meio de palavras o que deseja, em Noé temos uma versão inescrutavelmente silenciosa, para não dizer omissa. O personagem deus é quase uma sombra, uma lacuna para onde os homens olham e nada veem; suas manifestações são tão sutis que mesmo Noé, no filme, apresenta momentos em que brada e clama para ouvir suas respostas.

Não é diferente o caso do antagonista da trama, Tubalcaim (bisneto de Caim, segundo a Bíblia), que pela mitologia faz parte da linhagem maldita do bisavô assassino e, por suposição, não teria a necessidade de ouvir a voz de seu Criador. Mas ele tem e demonstra isso. Nota-se certo discurso hegemônico a respeito de deus: ele não responde aos homens, ele os abandonou à própria sorte após a queda de Adão e Eva e sua expulsão do Jardim do Éden. Ele permanece em silêncio.

Tubalcaim e os Guardiões têm a mesma função no roteiro de Handel e Aronofsky: eles são os ingredientes que ajudam o filme a ganhar movimento e agilidade, preparando o terreno para um confronto que não existe na Bíblia: spoiler: sabendo do que vai acontecer – o dilúvio –, Tubalcaim lidera os governados da imensa cidade de Enoque (nome do primeiro filho de Caim; não confundir com outros Enoques das escrituras) para tomar a arca construída por Noé e sua família, com a ajuda inesperada dos anjos petrificados
.

Tal modificação na trama é mais que licença poética, é uma necessidade; já que o Gênesis leva muitas páginas em uma maçante descrição da genealogia de Adão, incluindo a de Caim – o que não ficaria nada interessante do ponto de vista fílmico. A desnecessária – e que mais parece que foi a forma que os roteiristas e o diretor encontraram de inserir Anthony Hopkins no projeto – é a presença meio fora de ordem de Matusalém, bisavô de Noé. spoiler: Sua função primordial foi realizar um toque divino no ventre da esposa de Sem, tornando-a capaz de gerar filhos
.

À imagem e semelhança

Mas, se de um lado a presença de Matusalém é restrita, as consequências de seu ato junto à esposa de Sem dão uma invertida no roteiro, ou, ao menos, no personagem de Noé. Na Bíblia, Noé é escolhido por deus por sua bondade e retidão. E, portanto, merece viver na nova Terra que se levantará das profundezas do mar sem fim. Embora se apresente assim no começo, logo o protagonista da versão cinematográfica se converte spoiler: em um fanático que não vê limites para obedecer às ordens de cima
.

A pouco tempo do momento derradeiro, ainda temos tempo de ser apresentados à realidade dos homens da linhagem de Caim, sua natureza visceral e desprovida de aspectos de sociedade civilizada. spoiler: Acampados nas imediações da área onde Noé e sua família erguem a grande embarcação, tentando descobrir a melhor hora ou ocasião para vencer os Guardiões e tomá-la, eles mostram que podem fazer de tudo para ter alimento. Em meio ao caos, vender as próprias filhas para ter carne ou outro alimento é algo mostrado como sendo parte daquela realidade.


Nesse ínterim, constatamos que não há diferenças entre Tubalcaim e Noé, porque ambos recorrem a tudo o que for necessário para atingir seus objetivos. spoiler: Talvez por notar em si essa mesma característica, Noé, já na arca, conclui que a escolha dele e sua família por deus não aconteceu para salvá-los; mas para executar uma tarefa específica: construir a arca e salvar os animais. E que todos eles – Noé, esposa e filhos –, deverão morrer uma vez concluído o plano divino.


Eles não morrem, evidentemente, já que seria uma desvirtuação forte demais em relação à obra em que o filme se baseia. Noé compreende, da pior forma, que o próprio deus colocara as rédeas de tudo e suas mãos, seja pelo livre-arbítrio ou pura omissão. Mas a sobrevivência é um saldo que nada justifica toda uma equação composta de variáveis como sangue, violência e morte. No fim, é como se tudo o que chamamos humanidade fosse o resultado de lutas tribais ou como se fôssemos pequenos grupos de formigas rivais que se autodestroem enquanto lutam desesperadamente para se equilibrar sobre uma folha ao vento.

E se deus destrói aquilo que cria, ou não se move para evitar a destruição, o homem também o fará e permanece fazendo. De novo, e de novo, independente de quantos dilúvios se derramem sobre a Terra. Porque, independente da retidão de uns e da maldade de outros, sempre teremos as rédeas da existência, ainda que lancemos a responsabilidade nas costas de um Criador. Sempre seremos nós os responsáveis pelo fim – ou pelo recomeço.

Seja como for, estaremos irremediavelmente sós.
Rafaele F.
Rafaele F.

4 seguidores 1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 7 de abril de 2014
a grande decepção do ano! Mtas espectativas pra uma história sem nexo, que n condiz com a biblia. Mesmo que fossem graficos, os animais deveriam parecer mais realistas. Sem falar nas coisas toscas: um cara usando capacete de soldar em epocas remotas, aqueles anjos de pedra (nada a ver), a loucura e egoismo irritante de noé, as pedrinhas q faziam fogo dentre tantas coisas grotescas... As únicas coisa q se ssalvam são os filhos lindos de noé, e só.
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