O filme realmente não pode ser considerado à risca pela visão bíblica, no caso eu me refiro a Bíblia atual que a maioria de nós conhecemos e mais disponível, que a compilação traduzida pelo Rei James. Porém em alguns pontos aparecem elementos interessantes e pouco ou nunca falados. Como por exemplo, esses demônios de pedra que ajudam Noé a construir a Arca. Claro que essas criaturas não ajudaram Noé na construção, mas quanto a natureza desses serem que aparece “vagamente” na bíblia, existe um livro apócrifo, o Livro de Enoque, que é bem provável que esteja lacrado no Vaticano que se refere aos seres chamados Nefilins, que eram anjos caídos que foram lançados a Terra e ganharam um corpo gigante e grotesco (isso aparece exatamente dessa forma no filme). Achei essa passagem interessante, pois depois desses seres enfrentarem aquela batalha de guerra (totalmente fictícia) logo no início do dilúvio, eles foram derrotados
, voltaram ao céu e se tornaram anjos novamente. Entendi aquela passagem de forma que, mesmo que você tenha cometido pecados (os Nefilins só foram lançados a Terra e se tornaram demônios pois discordaram de Deus assim como Lúcifer) você tem a chance de se redimir ajudando ao próximo ou preservando a obra de Deus, nesse caso do dilúvio, preservar os seres vivos antes da grande destruição. Afinal, não é essa mensagem de Cristo? Ajudar ao próximo, cumprir os mandamentos de Deus para um dia voltar a viver com ele? O Livro de Enoque também se refere a um Deus vingativo e não somente bondoso, penso eu que por esse motivo o Vaticano condena essa escritura. Achei muito bonita a passagem em que Noé conta como foram feitos os céus e a Terra e como Deus criou o homem, enquanto ele narrava essa passagem de Gênesis, são mostradas cenas de como a ciência explica a criação do Universo (Big Bang) e do Homo sapiens. É polêmico, mas uma visão interessante que une fé e ciência. Também gostei que Noé se refere a Deus como Criador e não somente ao nome “Deus”. Como o dilúvio é uma estória aceita no judaísmo e no islamismo e não só no cristianismo, no filme, Noé teria que falar então “Deus, Alá, Jeová, Adonai, Eloim...então em nome da tolerância religiosa que é o que precisamos, melhor se referir a Deus como Criador. Agora a parte em que esse personagem Tubalcaim
entra na Arca e mesmo depois do dilúvio ter começado arrumar confusão lá dentro foi patética, acho que só fizeram isso pra dar ao filme aquele tom de quem é o malvado e de quem é o bonzinho. Já as atuações foram péssimas, uma pior que a outra, tirando a de Anthony Hopkings como Matusalém que chega até a ser cômica. Enfim, é um filme hollywoodiano, com fins lucrativos, acho que temos que assistir com a única intenção de entretenimento mesmo. Lugar de estudo religioso é na igreja e não no cinema.