O Lar das Crianças Peculiares: Críticas - Página 10
O Lar das Crianças Peculiares
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4,0
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Henrique X.
4 críticas
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3,0
Enviada em 4 de outubro de 2016
Contando com uma história sombria (pontuada com momentos de humor), Tim Burton apresenta em O Lar das Crianças Peculiares um universo fantástico - promovendo uma experiência visual impressionante. O filme falha apenas em algumas partes do roteiro, prejudicando o ritmo.
O personagem principal é Jake (Asa Butterfield), um adolescente que passou a infância ouvindo as histórias de seu querido avô Abe (Terence Stamp) sobre o orfanato da Srta. Peregrine (Eva Green) e as crianças com habilidades sobrenaturais. Quando o avô de Jake sofre um ataque misterioso, deixa pistas para que o protagonista descubra os segredos por trás do incidente. Partindo em viagem para uma ilha em Gales, Jake encontra o tal orfanato, conhecendo a Srta. Peregrine e as crianças peculiares. O garoto se dá conta de que as histórias de seu avô eram verdadeiras e percebe que possui uma ligação com aquela realidade. Logo lhe é revelado que a Srta. Peregrine e as crianças correm grande perigo e ele precisa ajudá-las contra criaturas horrendas comandadas por Barron (Samuel L. Jackson).
Não há dúvidas de que essa história tem a “cara” do Tim Burton (Edward Mãos-de-Tesoura, A Noiva-Cadáver, A Fantástica Fábrica de Chocolate) . O diretor é conhecido por criar climas sombrios e assustadores em seus filmes e personagens (sempre com tom misterioso) e isso ele faz muito bem em O Lar das Crianças Peculiares. A narrativa do longa é construída para deixar o espectador apreensivo e temeroso pelo o quê pode vir a acontecer. Porém, os momentos de susto e tensão logo são suavizados (de maneira acertada) com o uso do humor, considerando que o público-alvo é o infanto-juvenil. E é interessante notar como o diretor parece se divertir ao realizar pequenas homenagens durante o longa.
Ressaltando o tom macabro, os monstros vilanescos são deveras assustadores e bem concebidos. Ao juntar o bom design de produção com efeitos digitais e práticos, o resultado é uma experiência visual impressionante que possibilita uma maior imersão do público no universo do filme. As cenas em que as crianças demonstram suas peculiaridades são belas de apreciar (assim com as batalhas) e a sequência em que Emma Bloom (Ella Purnell) conduz Jake (Butterfield) até seu esconderijo, particularmente, me encantou os olhos.
O visual do filme fez ótimo uso do roteiro de Jane Goldman (Kick-Ass, Kingsman, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido). Já esta teve o desafio natural de adaptar a fabulosa história do livro best-seller O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares de Ranson Riggs. De modo geral, a construção da trama é eficiente. Os dois primeiros atos são lentos (de forma compreensível) ao estabelecer as regras desse novo universo (Jake vai aprendendo tudo junto com o público). No terceiro ato, como se não houvesse mais tempo para terminar a história, o filme acelera demais os acontecimentos, ocasionando resoluções superficiais e levando o espectador a ter que simplesmente aceitar algumas situações (observe como tudo tende a dar certo nos conflitos finais). Há também algumas inconsistências, fora que a relação de Jake com as crianças (e suas peculiaridades) poderia ter sido mais explorada.
Asa Butterfield protagoniza um Jake apático que vai ganhando forças a medida que este entende seu dever. O personagem também funciona como uma extensão do público até o universo do filme, o que explica sua passividade - porém é de se esperar mais expressividade numa possível continuação. Eva Green demonstra em sua Srta. Peregrine, uma diretora acolhedora e encantadora, mas cheia de mistérios. Representando o antagonista, Barron de Samuel L. Jackson é ao mesmo tempo assustador e irônico, soltando piadinhas colocadas entre seus feitos ameaçadores. Terence Stamp faz uma participação no filme ao dar vida a Abe, o avô de Jake e por quem este possui muita afeição.
A jornada do protagonista é acompanhada pelo inteligente uso da fotografia de Bruno Delbonnel. Jake (Butterfield) passa a vida sentindo-se deslocado: sua relação com o pai (Chris O’Dowd) é distante e pouco (ou nada) afetiva. O garoto tampouco se dá bem com os colegas de escola, pois sempre foi alvo de piadas. Nesse sentido, a cor cinza presente no início se faz condizente ao sentimento do personagem por mostrar frieza e certa tristeza de Jake, ao passo que também remete o clima sombrio e misterioso que envolve a trama. Isso muda quando o jovem conhece as crianças peculiares do orfanato da Srta. Peregrine: o ambiente fica colorido e alegre - e o herói encontra seu propósito. Importante destacar aqui a ineficiência do 3D ao escurecer demais a película, prejudicando a experiência.
Por mais que deixe a desejar no ritmo e em alguns pontos do roteiro, O Lar das Crianças Peculiares não compromete a incrível experiência visual proporcionada pela projeção. A história é tão intrigante que fica aquele “gostinho de quero mais” quando os créditos finais começam a subir. Imaginem o quanto é possível explorar dali... Bom... Que não demore a chegar nos cinemas mais peculiaridades desse universo!
Que filme mágico! Cada vez mais, Tim Burton, nos faz apaixonar por sua obras, nos mostra que há beleza no diferente, no exótico, extravagante, meu que história bárbara! Quanta aventura e emoção! Simplesmente eu amei! Elenco Top! Efeitos visuais muito bom! Que tenha o segundo filme.
Bela produção e trama envolvente, mesmo derrapando para o final, tem um roteiro sem pressa e muito bons efeitos, só precisava de um vilão melhor e aproveitar Eva Green o filme todo.
Eu já estava sentindo falta de um bom e destacado filme do Tim Burton, e este não poderia ser melhor para que ele desenvolve se. Li o livro durante as férias especialmente para acompanhar bem o filme quando fosse lançado. De cara, já é notável que vemos algumas mudanças, como a troca de posição das personagens Emma e Olive, mas isso não afeta o filme em nenhum sentido, até melhora. O começo e o fim do filme ficaram de certa forma arrastado, mas o clímax se torna bem divertido e interessante. Outra coisa que chama a atenção é a fotografia e os efeitos especiais que deixam qualquer um encantado, já estou torcendo por uma sequência.
Decepcionante pra quem leu o livro! Os que não leram, vão achar, no máximo, um filme legalzinho. Pra quem leu, melhor nem assistir. Eu entendo que se trata de adaptação, mas era realmente necessário trocar a peculiaridade da personagem principal?!
O lar das crianças peculiares - Com certeza para quem leu o livro vai achar que o filme não é tudo isso, mesmo assim eu gostei demais, Achei um grande filme, com grandes efeitos e recomendo
Tim Burton é daqueles cineastas que causa alvoroço a cada lançamento de um novo filme. Uma horda de fãs cativos, sempre com expectativas nas alturas, vai às salas de cinema mundo afora para apreciar o estilo único, soturno, estranho e inigualável do diretor. Porém já faz um bom tempo que ele não brinda esses mesmos fãs com um filme à altura de seu talento. Não que seus últimos filmes sejam execráveis, mas estão longe do brilhantismo de outrora, e definitivamente não foi desta vez que as grandes expectativas foram alcançadas. Li o livro de Ramson Riggs que deu origem ao filme, e na contracapa há a citação do diretor, que se pergunta se não foi ele quem teria escrito o livro, já que parece algo que ele teria feito. E é verdade. Quem lê o livro automaticamente remete ao estilo do diretor de contar estórias. Um texto muito bem desenvolvido, com toques bizarros, humor, romance e ar sombrio. A comparação é sempre injusta, mas o desenvolvimento do livro é infinitamente mais abrangente e interessante. No filme, não há tempo para esmiuçar as densidades e nuances dos personagens. É muita informação que tem que ser resumida a duas horas de filme, e o roteiro não consegue projetar nenhum grau de profundidade nos excêntricos e carismáticos personagens. Aliás, Asa Butterfield não foi a melhor escolha para viver o protagonista Jacob, pois o que mais falta ao ator é carisma. É estranho ver o rapaz já crescido (lembro-me claramente de seus dois trabalhos mais marcantes, ainda pequeno, como o garoto Bruno de O Menino do Pijama Listrado e como o protagonista do superestimado A Invenção de Hugo Cabret), mas mesmo depois de anos de experiência, falta expressividade ao jovem ator. A blasé Ella Purnell faz o par romântico de Jake (num papel cujas características no livro eram divididas em duas personagens), e os dois não tem química alguma. Do elenco, o destaque mesmo vai para a avassaladora Eva Green, que foi a melhor coisa de Sombras da Noite (também dirigido por Burton), e aqui também demonstra ser o melhor que o filme tem a oferecer. É um imenso prazer ver a atriz francesa na telona, já que seus maneirismos roubam a cena. É a melhor personagem desta obra, sem sombra de dúvida. Os excepcionais Samuel L. Jackson, Terence Stamp e Dame Judi Dench dão muito bem a conta do recado também. Os efeitos visuais são bem interessantes, e a parte técnica é bem realizada, mas o problema do filme é que falta vigor e intensidade. Grande parte do que vemos soa frio e insosso. Aliás, não há como não comentar que o primeiro e segundo atos do filme são até bem fieis ao livro, mas no ato final, além de se distanciar bastante da narração do livro, o filme se torna uma correria superficial e tipicamente americana, numa grandiloquência forçada. A impressão é que vemos um filme de aventura infanto-juvenil sem alma, sem força, sem brilho e, consequentemente, sem graça. Acabou que ficou faltando justamente as peculiaridades do cineasta para abrilhantar a narrativa. Vale a conferida, por ter uma história interessante e cativante, e pelos grandes nomes do elenco, mas é muito pouco para as possibilidades que Burton tinha em mãos. Filme mediano, com aquele gostinho meio amargo de desapontamento.
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