Gostei muito desse filme. Adoro filmes que falam do prazer da cozinha, do quanto que o ato de cozinhar é um ato de doação. Não sou muito fã da cozinha por obrigação, mas amo a cozinha por prazer. Cozinhar e sentir a satisfação daqueles que comem uma comida que eu faço, é um dos meus maiores prazeres na vida! Isso me faz lembrar da minha mãe, de quando ela cozinhava e do quanto ela se sentia feliz ao ver as pessoas devorarem a comida que ela fazia. Queria deixá-la triste? Bastava que terminasse uma festa em nossa casa (pobre e simples, mas sempre abundante em comida) e que sobrasse comida nas panelas. A pergunta dela sempre vinha: "Dedéia, será que seus amigos não gostaram da minha comida?". Esse filme me trouxe de volta essa emoção: a lembrança da minha mãe ao cozinhar... a lembrança de minha infância e juventude... Esse poder da comida, de nos trazer de volta experiências prazerosas de nossas vidas, é muitas vezes mencionado nesse filme. Ele também me lembrou fortemente o filme A FESTA DE BABETTE, outra preciosidade da sétima arte no que tange a filmes que falam da arte da cozinha. Assistam e se deliciem!!!!
Trata-se de um filme absolutamente excepcional. O que para o Presidente da França é a chamada cozinha simples, é, em verdade, uma cozinha refinada e complexa. É também a história de uma mulher que, para se impor profissionalmente, necessita "rodar a baiana" e enfrentar o status quo dominante, ou seja, a hegemonia dos cozinheiros palacianos. O filme mescla cenas do período em que ela foi a cozinheira pessoal do Presidente como também em um acampamento na Antartida, onde em meio aos trabalhadores ela se esmera em buscar, como no convívio até pessoal com o Presidente, a perfeição na conjugação dos sabores.
O filme "Sabores do Palácio", dirigido por Christian Vincent, é baseado na história real da cozinheira do presidente francês François Mitterand, no Palais Elysee (Palácio do Governo). Hortense Laborie (Catherine Frot) é uma Chef pega de surpresa pelo convite para ser a cozinheira da principal comitiva do governo presidencial, após ter sido indicado por um famoso e renomado chef francês. Meio relutante, ela aceita o cargo.
A partir desse momento, uma série de omissões do roteiro enfraquecem a história do filme, haja vista que (i) poderia ter se dado uma importância mínima para a trajetória de Hortense antes do tão prestigiado convite, agregando, de certa forma, informações sobre o porquê de ter sido escolhida para a função, (ii) o roteiro poderia ter abordado a dificuldade que ela provavelmente teve com a utilização de todo um aparato tecnológico presente na cozinha que viria a trabalhar - considerando que, ao chegar ao seu posto no primeiro dia, desconhecia a maioria dos equipamentos lá presentes e sua forma de utilização, e (iii) ter utilizado uma história paralela, na qual a protagonista se encontra na Antártida, como Chef de cozinha da equipe francesa de pesquisadores lá presente.
Principalmente em virtude da escolha da história paralela, a história principal acaba perdendo em importância, profundidade e relevância, aliado ao fato da atriz Catherine Frot não demonstrar o carisma necessário para ensejar tanta adoração por onde passa - com exceção dos que trabalham na cozinha "secundária" do Palais Elysee, que a odeiam/invejam com voracidade.
Assim, e aliado ao fato da protagonista não dividir seu protagonismo no longa com os "sabores" do palácio, o filme se torna enfadonho e desinteressante em diversos momentos, salvo apenas quando contamos com a presença ilustre da comida originária da rica culinária francesa. Entretanto, a demonstração da burocracia presente no palácio - com o controle rígido de tudo o que se é feito -, além de todo o estresse que tal ofício (de Chef) origina, é um ponto positivo isolado, o qual, porém, não salva o filme.
Assisti ontem Os Sabores do Palácio no festival Varilux de cinema francês! Já fui sabendo que iria encontrar um tipo de filme com uma sensibilidade impar, isso comparando com o cinema hollywoodiano e brasileiro. Passagens de tempo sutis e interpretações singulares marcam esta comédia dramática. O filme é uma viagem sobre a culinária francesa e me desculpem o trocadilho mas é um prato cheio para quem se interessa pelo assunto! Não chega ser a maravilha que é Amelie Poulain mas entretém de uma maneira eficiente!
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